007 Na Mira dos Assassinos: Um Clássico com Suas Falhas
Quarenta anos depois de sua estreia em 27 de junho de 1985, 007 Na Mira dos Assassinos continua a gerar debates entre os aficionados da franquia Bond. Será que essa aventura, a 14ª da saga e a penúltima de Roger Moore no papel do agente 007, se sustenta ao peso do tempo? Após revisitar este longa-metragem em plataformas digitais, posso dizer que a resposta é um complexo e apaixonado “sim, com ressalvas”.
O filme acompanha Bond em sua investigação do magnata tecnológico Max Zorin (um Christopher Walken memorável, quase roubando a cena de Moore), um vilão com planos megalomaníacos que podem resultar em uma catástrofe global. A trama leva 007 por paisagens diversas – de uma gelada Sibéria à vibrante San Francisco – enquanto ele desvenda as engrenagens da conspiração e se vê em meio a perseguições frenéticas, traições e doses generosas de ação. Há uma linda Tanya Roberts como a geóloga Stacey Sutton, uma aliada que não se limita ao papel de damisela em perigo, e a inesquecível Grace Jones como a implacável May Day, a parceira de Zorin. A sinopse, apesar de básica, entrega o necessário sem estragar as surpresas.
A direção de John Glen demonstra um talento indiscutível para as sequências de ação. As cenas são dinâmicas e enérgicas, com destaque para a perseguição de carros em San Francisco e a emocionante sequência no hipódromo de Ascot. A fotografia é de tirar o fôlego, com paisagens deslumbrantes que se tornam personagens coadjuvantes na história. Contudo, o roteiro de Richard Maibaum e Michael G. Wilson, embora apresente momentos de brilho, sofre de algumas falhas narrativas. O vilão Zorin, apesar de memorável pela atuação de Walken, apresenta-se em alguns momentos com uma motivação pouco clara, diluindo um pouco o impacto de suas ameaças.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | John Glen |
| Roteiristas | Richard Maibaum, Michael G. Wilson |
| Produtores | Tom Pevsner, Michael G. Wilson, Albert R. Broccoli |
| Elenco Principal | Roger Moore, Tanya Roberts, Christopher Walken, Grace Jones, Patrick Macnee |
| Gênero | Aventura, Ação, Thriller |
| Ano de Lançamento | 1985 |
| Produtoras | EON Productions, United Artists, Metro-Goldwyn-Mayer |
Quanto às atuações, Roger Moore, apesar de sua idade, entrega uma performance competente. Ele encarna o charme e a inteligência de Bond, mas já se percebe um certo cansaço, uma menor agilidade física que se contrapõe às cenas mais exigentes. Já a atuação de Walken transcende os limites do papel do vilão caricato, oferecendo nuances psicológicas que elevam o nível do filme. A dupla Roberts e Jones equilibra a presença masculina, trazendo feminilidade, força e complexidade aos seus personagens, o que era um sinal de avanço, considerando-se o contexto da época. A atuação de Patrick Macnee como o agente Tibbett adiciona um toque de charme e nostalgia, um elemento que alguns filmes da série deixaram de lado.
Um dos pontos fortes de 007 Na Mira dos Assassinos é sua capacidade de entreter. A trama, apesar de seus deslizes, mantém o espectador engajado do início ao fim. A combinação de ação, suspense e humor, elementos clássicos da franquia, funcionam muito bem. Por outro lado, um dos seus pontos fracos são os momentos em que o roteiro se perde em subplots pouco relevantes, distraindo a atenção da trama principal. Os temas explorados – o poder desenfreado da tecnologia, a ganância corporativa e a ameaça do terrorismo – ainda ressoam fortemente em nossa sociedade, o que mostra que a obra possui uma certa longevidade.
Em resumo, 007 Na Mira dos Assassinos é um filme de Bond competente, que, apesar de alguns tropeços narrativos e da idade de seu protagonista, consegue manter o espectador colado na tela com a força de sua ação e a atuação inesquecível de Christopher Walken. Ele demonstra um avanço em relação a alguns aspectos da caracterização feminina, mas peca em alguns desenvolvimentos de trama que poderiam ter sido mais elaborados. Recomendo sua apreciação a todos os fãs do gênero, mas advirto os puristas: este não é o melhor filme da saga, e pode não alcançar as expectativas de quem busca a perfeição. Para quem, como eu, se sente nostálgico pela era Moore e aprecia um bom filme de ação com um toque de humor britânico, a experiência é garantida.

