007: Sem Tempo para Morrer

O mundo do cinema é, para mim, um labirinto de espelhos, onde cada história nos convida a confrontar algo sobre nós mesmos, sobre a condição humana. Mas há certos labirintos que visitamos não só por reflexão, mas por um tipo primal de emoção — a adrenalina que corre nas veias, o suspense que aperta o peito, a aventura que nos faz sonhar com lugares distantes. E quando se fala de James Bond, bem, estamos falando de uma instituição, uma lenda que transcende gerações. Por isso, quando a notícia do último capítulo de Daniel Craig como 007 chegou, senti um misto de empolgação e um nó na garganta. Afinal, como nos despedimos de um ícone que moldou tanto a imagem do espião britânico para a nossa era? É exatamente essa a pergunta que 007: Sem Tempo para Morrer tenta responder, e, veja bem, a jornada é tão dolorosa quanto é gloriosa.

A expectativa para este filme, lançado em 2021, era quase palpável, depois de tantos adiamentos e a antecipação de um adeus. E Cary Joji Fukunaga, ao lado de roteiristas como Robert Wade, Neal Purvis e a incrível Phoebe Waller-Bridge – cujas contribuições imagino serem as que injetaram aquele humor ácido e a profundidade inesperada nos diálogos – entregou não apenas um filme de ação, mas um réquiem. Um réquiem pessoal, íntimo, para um homem que sempre viveu à beira do abismo.

Desde o primeiro quadro, somos transportados para uma Jamaica idílica, onde Bond tenta, desesperadamente, encontrar um refúgio. Ele deixou o serviço ativo, buscando uma paz que, para alguém com o seu histórico, parece um privilégio impossível. Daniel Craig, com seu rosto marcado pela experiência, seus olhos carregando o peso de um mundo em chamas e de incontáveis cicatrizes, nos entrega um Bond mais vulnerável do que nunca. É quase chocante vê-lo tentar ser um homem comum, um homem que anseia por uma vida ao lado de Madeleine (Léa Seydoux). Ah, Madeleine. Ela é o ponto de ancoragem, a promessa de uma `família`, de uma `forgiveness` que Bond sempre negou a si mesmo. A química entre Craig e Seydoux é a espinha dorsal emocional aqui, mostrando que mesmo um espião do `MI6`, o mais letal dos agentes do `British Secret Service`, não está imune ao desejo humano mais fundamental: o de ser amado e de amar.

Mas, claro, a paz é um luxo que James Bond não pode pagar. A chegada de seu velho amigo Felix Leiter, da CIA, rasga essa quietude como um tiro. Uma missão para resgatar um cientista sequestrado, que logo se revela muito mais complexa e perigosa do que o esperado. É aqui que somos introduzidos ao vilão da vez, Lyutsifer Safin, interpretado com uma frieza assustadora por Rami Malek. Safin não é apenas um terrorista; ele é uma força da natureza maligna, um homem que opera nas sombras, armado com uma nova e temível `tecnologia perigosa`: `nanobots` que agem como um `poison` letal, capaz de direcionar geneticamente seus alvos. A ameaça aqui não é apenas nacional, é uma `global threat`, e o filme faz um trabalho primoroso em construir essa sensação de desespero iminente.

Atributo Detalhe
Diretor Cary Joji Fukunaga
Roteiristas Robert Wade, Phoebe Waller-Bridge, Neal Purvis, Cary Joji Fukunaga
Produtores Barbara Broccoli, Michael G. Wilson
Elenco Principal Daniel Craig, Léa Seydoux, Rami Malek, Lashana Lynch, Ralph Fiennes
Gênero Ação, Thriller, Aventura
Ano de Lançamento 2021
Produtoras EON Productions, Metro-Goldwyn-Mayer

007: Sem Tempo para Morrer é um espetáculo de `Ação`, um `Thriller` que te mantém grudado na poltrona e uma `Aventura` que nos leva a cenários deslumbrantes, da Noruega a Cuba, com a assinatura visual impecável de Fukunaga. As sequências de perseguição são brutais e inventivas, as trocas de tiro, viscerais. E no meio de tudo isso, surge Nomi (Lashana Lynch), a nova 007, uma agente com sua própria energia e uma postura que desafia o machismo inerente ao universo Bond, criando uma dinâmica fascinante com o protagonista. Ela é a prova de que o mundo de `spy` está evoluindo, mesmo que Bond insista em operar à sua maneira antiquada.

O que me marcou profundamente, e acredito que a maioria dos espectadores sentiu o mesmo, é como o filme se distancia da fórmula tradicional para abraçar a humanidade de Bond. Não é apenas sobre explosões e gadgets; é sobre as escolhas que fazemos, os sacrifícios que estamos dispostos a entregar por aqueles que amamos, a linha tênue entre dever e desejo. Ralph Fiennes, como M, encarna a voz da instituição, mas até mesmo ele parece tocar uma nota mais melancólica de reconhecimento do sacrifício. É um adeus que não tem medo de doer, de explorar as feridas abertas de um homem que sempre foi uma ferramenta. Há um reconhecimento sutil de sua origem, sua conexão com os `parents` que ele nunca realmente conheceu em termos de afeto, e como isso moldou seu destino.

Li por aí, e concordo plenamente, que este é o filme mais emocional e pessoal da era Daniel Craig. É um adeus sincero, um aceno de cabeça para o ator que redefiniu o personagem para uma nova geração. A forma como o enredo, cuidadosamente costurado pelos produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson da EON Productions, tece a rede do passado de Bond, o perdão e o destino final é… poética, grandiosa, como bem pontuou uma crítica que vi. Aquela sensação de que você simplesmente não verá o que está por vir, de que a narrativa o levará por um caminho inesperado, é um testamento à ousadia de permitir que esta saga tomasse tal rumo.

Ao final, 007: Sem Tempo para Morrer não é apenas um filme sobre um espião. É uma meditação sobre legado, sobre sacrifício e sobre o que significa, de fato, viver e morrer com propósito. Saí da sala de cinema, em 30 de setembro de 2021, com o coração pesado, mas também com a sensação de ter presenciado algo verdadeiramente especial, um final digno para um ator que deixou uma marca indelével no terno de James Bond. E, sinceramente, que maneira mais humana e apaixonada de dizer adeus do que essa? Bond pode não ter mais tempo para morrer, mas ele definitivamente nos deu tempo para refletir.

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