12 Homens e uma Sentença

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Cinquenta e oito anos após sua estreia no Brasil (em 10 de outubro de 1958), 12 Homens e uma Sentença (1957) continua a ser um monstro sagrado do cinema. Não é só um filme; é uma experiência. Um estudo de caso sobre a justiça, a dúvida, e a fragilidade da verdade, encenado com uma economia de recursos e uma força dramática que poucos conseguem igualar. Confesso, cheguei a ele com certa relutância – clássicos em preto e branco, especialmente aqueles centrados em debates, podem ser… bem, intimidantes. Mas me rendi imediatamente. A promessa de um roteiro brilhante de Reginald Rose, com a direção segura de Sidney Lumet e o peso de um elenco de primeira, se concretizou em uma obra-prima.

A trama é simples, quase minimalista: um jovem porto-riquenho está sendo julgado por parricídio. Onze jurados acreditam em sua culpa, enquanto um único homem, o Juror 8 (imortalizado por Henry Fonda), hesita. Ele não o declara inocente, mas argumenta que o caso requer uma análise mais profunda antes de se decretar uma sentença de morte. O que se segue é uma batalha de palavras, de interpretações, que ocorre em uma sala abafada e tensa, sob o peso de um calor insuportável – detalhe que, por si só, já torna o ambiente claustrofóbico e perfeito para a eclosão das tensões latentes dos personagens. A câmera de Lumet se torna nossa cúmplice, nos fazendo testemunhas silenciosas desse confronto.

Sidney Lumet, um mestre da direção de atores, extrai performances excepcionais de cada membro do elenco. A frieza do Juror 4 (E.G. Marshall), a amargura do Juror 3 (Lee J. Cobb) – a quem eu classificaria como um dos melhores personagens da história do cinema, o retrato de um homem tão apegado a sua raiva que não consegue ver a verdade na sua frente– e a gradual transformação dos jurados ao longo da deliberação são simplesmente arrebatadores. Não há um protagonista único aqui, mas doze, e cada um é construído com precisão e profundidade, tornando-se mais que simples peças de um jogo, mas seres complexos, com suas próprias histórias e preconceitos. Até mesmo atores com menos tempo de tela, como John Fiedler (Juror 2) e Jack Klugman (Juror 5), deixam sua marca.

O roteiro de Rose é uma maravilha da escrita cinematográfica. É dialogocêntrico, sim, mas o diálogo pulsa com vida. Cada linha é carregada de significado, revelando não apenas os fatos do caso, mas as camadas psicológicas dos homens confinados naquele quarto. A dinâmica entre os personagens é tão rica e imprevisível que a tensão nunca diminui. Apesar de sabermos que o tempo passa, e a narrativa ser basicamente estática, a sensação de urgência e expectativa se mantém até o final, o que demonstra o quão competente foi a direção e a construção da narrativa.

Atributo Detalhe
Diretor Sidney Lumet
Roteirista Reginald Rose
Produtores Henry Fonda, Reginald Rose
Elenco Principal Martin Balsam, John Fiedler, Lee J. Cobb, E.G. Marshall, Jack Klugman
Gênero Drama
Ano de Lançamento 1957
Produtoras United Artists, Orion-Nova Productions

A força de 12 Homens e uma Sentença está em seus temas atemporais. Não é apenas sobre um julgamento; é sobre a importância da dúvida, o peso da responsabilidade individual e a luta contra o preconceito. O filme explora com maestria as nuances da justiça, mostrando como nossas experiências pessoais e preconceitos inconscientes influenciam nossas decisões, mesmo quando buscamos julgar de forma imparcial. A tensão racial e de classe, implícita na figura do réu, adiciona outra camada de complexidade, ainda mais pertinente em 2025.

Apesar de sua excelência, o filme não está isento de críticas. A ausência de mulheres no júri é, sem dúvidas, um reflexo da época, mas hoje soa como uma nota dissonante e uma limitação do contexto de produção. Contudo, este aspecto não diminui em nada o impacto e a mensagem central da obra.

Em resumo, 12 Homens e uma Sentença é mais do que um “masterpiece”, como dizem alguns críticos – é uma obra essencial do cinema. Um filme que nos força a pensar, a questionar nossas próprias convicções, e a refletir sobre o sistema judiciário e a natureza humana. Em 2025, sua relevância só aumentou. Recomendo veementemente a todos. Se você não o assistiu, faça hoje mesmo. E se já o viu, reveja. Você descobrirá novos detalhes, novas camadas de interpretação a cada vez.

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