Revisitando as 48 Horas (Parte 2): Uma Noite em São Francisco, Trinta e Cinco Anos Depois
Em 22 de setembro de 2025, revisitar 48 Horas, Parte 2 (1990) é como encontrar um velho amigo num bar lotado. A nostalgia bate forte, mas a realidade da idade avança, e algumas rugas se mostram mais profundas do que outras. O filme, sequência do sucesso de 1982, traz de volta a dupla explosiva formada pelo policial ranzinza Jack Cates (Nick Nolte) e o esperto ex-presidiário Reggie Hammond (Eddie Murphy), em mais uma jornada frenética pelas ruas de São Francisco. A premissa é simples: uma nova ameaça surge, forçando a improvável parceria a se reunir novamente em uma corrida contra o tempo, repleta de tiroteios, perseguições e a inegável química entre os protagonistas.
Neste artigo:
A Química Inigualável e o Roteiro Previsível
A direção de Walter Hill, embora competente em conduzir a ação, demonstra aqui uma certa acomodação. A câmera acompanha a dinâmica frenética da dupla, mas falta a energia visceral da primeira parte. A fotografia, no entanto, captura a atmosfera urbana de São Francisco com maestria, e as cenas de ação, apesar de um tanto exageradas em alguns momentos, funcionam. O roteiro, assinado por John Fasano, Jeb Stuart e Larry Gross, peca pela previsibilidade. O conflito entre Cates e Hammond, apresentado como o eixo central da narrativa, se torna artificial e pouco explorado. A motivação de Cates em manter o dinheiro como garantia para a cooperação de Reggie soa forçada, e não consegue sustentar o peso dramático que tenta impor. Apesar disso, a química irresistível entre Nolte e Murphy continua imbatível. Eles são os pontos altos do filme, carregando nas costas uma trama que, sinceramente, poderia ser mais inspirada.
Força Bruta x Inteligência Urbana: Um Equilíbrio Desequilibrado
Os pontos fortes do longa residem na atuação de sua dupla principal. Nolte, com seu sarcasmo habitual e a expressão de quem acabou de acordar do lado errado da cama, e Murphy, com a energia contagiante e a espontaneidade que o caracterizava na época, garantem momentos de puro entretenimento. As cenas em que a dupla interage são o coração do filme. O roteiro, entretanto, falha em equilibrar esses momentos de humor com a trama policial, que se torna um mero pano de fundo para as piadas e tiroteios. A sensação é de que a força bruta prevalece sobre a inteligência, deixando o público com um gostinho de “poderia ter sido melhor”.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Walter Hill |
| Roteiristas | John Fasano, Jeb Stuart, Larry Gross |
| Produtores | Lawrence Gordon, Robert D. Wachs |
| Elenco Principal | Eddie Murphy, Nick Nolte, Brion James, Kevin Tighe, Ed O'Ross |
| Gênero | Thriller, Ação, Comédia, Crime |
| Ano de Lançamento | 1990 |
| Produtoras | Paramount Pictures, Eddie Murphy Productions, Lawrence Gordon Productions |
Entre Risadas e Tiros: Uma Reflexão Sobre Amizade e Sobrevivência
Apesar das falhas, 48 Horas, Parte 2 consegue abordar temas relevantes, embora de maneira superficial. A amizade improvável entre um policial branco e um ex-presidiário negro, no contexto da América dos anos 1990, é um reflexo, ainda que tímido, das tensões sociais da época. A sobrevivência, e a busca por justiça, atravessam a trama como um fio condutor, e a ação frenética funciona como uma metáfora para a luta diária enfrentada pelos personagens. Mas, novamente, a profundidade temática é sacrificada em prol da ação desenfreada.
Uma Recomendação Condicional: Para Fãs da Dupla
Em resumo, 48 Horas, Parte 2 é um filme que agrada aos fãs da dupla Cates e Hammond. A química entre Nolte e Murphy compensa, em grande parte, as falhas do roteiro e da direção. Se você busca um thriller policial inteligente e cheio de reviravoltas, talvez se decepcione. Se, no entanto, quer rir um pouco, ver algumas cenas de ação bem executadas e reencontrar essa dupla inesquecível, vale a pena dar uma olhada. Enquanto outras produções do gênero evoluíram, essa sequência se agarra a uma fórmula um pouco datada, mas a nostalgia e a performance dos atores ainda carregam o peso da experiência. A recomendação, portanto, é condicional: para aqueles que apreciam o charme nostálgico de um “buddy cop movie” com o selo inconfundível da década de 1990.




