6 Dias

A Incômoda Verdade de Seis Dias: Um Olhar Retrógrado em 1980

Seis Dias. O título, curto e direto, já te coloca no clima. Seis dias de tensão, seis dias de um impasse que prendeu o mundo em frente à televisão, seis dias que em 2017 foram revividos nas telas pelo diretor Toa Fraser. O longa-metragem, baseado em eventos reais, reconta a invasão da embaixada iraniana em Londres, em abril de 1980, e os seis dias de terror e negociação que se seguiram. Um grupo de homens armados toma reféns, e uma força de elite se prepara para uma operação de resgate de proporções nunca antes vistas. É um filme de ação, sim, mas que transborda drama e suspense histórico, longe de ser uma mera sucessão de tiroteios.

A Direção, o Roteiro e as Faces da Tensão

Toa Fraser conduz a narrativa com uma mão firme, construindo a tensão gradualmente. Ele não busca o espetáculo gratuito, mas sim a imersão na atmosfera claustrofóbica da situação. O roteiro de Glenn Standring, embora eficiente em retratar os eventos principais, peca em alguns momentos por uma certa linearidade, deixando de explorar mais a fundo a psicologia dos envolvidos. A escolha de focar nos preparativos e na execução da operação de resgate, em detrimento de um aprofundamento nas negociações e nos reféns, acaba limitando a complexidade da história.

As atuações, contudo, são um ponto alto. Jamie Bell, como o soldado Rusty Firmin, conseguiu transmitir a tensão e o peso da responsabilidade em suas cenas. Mark Strong, como Max Vernon, adiciona uma camada de profissionalismo e seriedade ao filme. O elenco todo contribui para uma atmosfera de realismo cru, apesar de algumas interpretações que poderiam ser mais impactantes.

Atributo Detalhe
Diretor Toa Fraser
Roteirista Glenn Standring
Produtor Matthew Metcalfe
Elenco Principal Jamie Bell, Mark Strong, Abbie Cornish, Martin Shaw, Tim Pigott-Smith
Gênero Ação, Drama, História, Thriller
Ano de Lançamento 2017
Produtoras XYZ Films, New Zealand Film Commission, Ingenious Media, GFC Films, Lipsync Productions, Fightertown, Imagezone, Dog with a Dog Productions

Pontos Fortes e Fracos: Um Equilíbrio Delicado

Seis Dias acerta ao capturar a atmosfera tensa e claustrofóbica da situação, oferecendo um vislumbre do planejamento e execução de uma operação de resgate complexa. A reconstituição histórica é detalhada, transportando o espectador para o Londres de 1980. A ambientação, o figurino e a trilha sonora contribuem significativamente para a imersão na época.

Por outro lado, o filme peca pela falta de profundidade psicológica. A abordagem, apesar de tensa, é em certos momentos fria e distante. Senti falta de uma exploração mais profunda do conflito político-ideológico subjacente ao evento, limitando a perspectiva além do aspecto meramente operacional. A comparação com Zero Dark Thirty, feita em algumas críticas, é pertinente: este último filme consegue uma profundidade emocional que Seis Dias não atinge. Ao contrário das críticas que o comparam com 13 Hours, acredito que 13 Hours foca em ações e personagens de maneira mais aprofundada, enquanto Seis Dias tende a um retrato mais superficial, embora realista, dos eventos.

Temas e Mensagens: Uma História Que Continua a Ecoar

O longa aborda temas relevantes até os dias de hoje: terrorismo, negociação de reféns, e o dilema entre a força e a diplomacia. A escolha de focar na operação de resgate em si revela um recorte da história que prioriza a perspectiva da atuação policial e militar, e não um olhar aprofundado sobre as raízes do conflito. Esta escolha, ao mesmo tempo que permite uma reconstituição histórica precisa, também limita a complexidade do tema, deixando de explorar as implicações políticas e sociais a longo prazo do incidente. Em 2025, vemos com mais clareza o legado deste tipo de evento e a necessidade de abordar suas raízes profundas.

Conclusão: Uma Visão Impecável, Mas Nem Sempre Inspiradora

Seis Dias, lançado em 09 de setembro de 2017 no Brasil, não é um filme ruim. É um filme competente, bem produzido, com ótimas atuações e uma reconstituição histórica detalhada. No entanto, sua falta de profundidade e a escolha de priorizar a ação sobre a complexidade emocional e política impedem que ele se torne uma obra-prima do gênero. Recomendo o filme para quem aprecia filmes de ação baseados em fatos reais, mas com a ressalva de que a experiência pode ser mais gratificante para quem busca um relato superficial, em detrimento de uma análise profunda dos eventos e seus desdobramentos. A expectativa de uma obra que revolucione o gênero, presente em alguns críticos, não se concretiza. Porém, a história em si, mesmo sendo contada de forma mais contida, continua a ter o seu peso e a sua relevância, principalmente em um mundo que, infelizmente, ainda não superou as suas origens trágicas.

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