Invocação do Mal – O Último Ritual

Outubro de 2025. As folhas já começam a cair lá fora, e o ar mais fresco nos convida a uma sessão de cinema, talvez com algo que nos faça pular na poltrona. É com esse espírito que, há alguns dias, finalmente encarei Invocação do Mal – O Último Ritual – o grandioso (e um tanto melancólico) fechamento de uma saga que, para mim, começou de forma tão promissora lá atrás. Por que escrevo sobre ele agora? Porque, como um velho amigo que se despede, este filme merecia um olhar mais atento, mais honesto, do que uma mera nota fria.

Quando penso em Ed e Lorraine Warren, interpretados com uma doçura e uma gravidade inigualáveis por Patrick Wilson e Vera Farmiga, sinto um nó na garganta. Eles se tornaram, para mim, um porto seguro no gênero do terror. Eram a bússola moral, a centelha de esperança no meio do caos demoníaco. Suas jornadas nos arrastaram por casas assombradas, exorcismos e possessões, sempre com um toque de humanidade que outros filmes do gênero raramente alcançam. A expectativa para este “Último Ritual”, prometendo ser o derradeiro embate, a luta final contra forças malignas que desafiam sua própria experiência e até a fé, era, claro, estratosférica. A sinopse já nos avisava: os Warrens estariam em risco, enfrentando “entidades misteriosas” numa batalha que beirava o pessoal.

O cenário nos transporta para a Pensilvânia dos anos 80, e as palavras-chave sussurram sobre uma casa assombrada, exorcismo, e um toque do sobrenatural que, bem, já conhecemos. A família Smurl, com Janet (Rebecca Calder) no centro do terror, começa a ver sua casa virar um inferno particular. E é aqui que a gente, fã antigo, espera o ápice, a cereja no bolo de décadas de investigação paranormal. Esperamos ver as mãos de Lorraine tremendo não apenas de medo, mas de exaustão; o suor na testa de Ed enquanto ele tenta conciliar a fé com o horror mais puro.

Mas, sabe, às vezes a gente entra no cinema com um copo cheio de expectativas e sai com ele meio vazio. A crítica que já circulava antes mesmo de eu sentar na poltrona, com um “I expected better. A disappointment,” ou o comparativo com o segundo filme de Enfield — “It”s reminiscent of the second Enfield Haunting one (2016)” — acendeu um alerta. E, infelizmente, eu entendo perfeitamente o que queriam dizer. Michael Chaves, na direção, e o trio de roteiristas Ian B. Goldberg, Richard Naing e David Leslie Johnson-McGoldrick, tinham em mãos um material riquíssimo, um legado, e a oportunidade de nos entregar algo grandioso.

Atributo Detalhe
Diretor Michael Chaves
Roteiristas Ian B. Goldberg, Richard Naing, David Leslie Johnson-McGoldrick
Produtores Peter Safran, James Wan
Elenco Principal Vera Farmiga, Patrick Wilson, Mia Tomlinson, Ben Hardy, Rebecca Calder
Gênero Terror
Ano de Lançamento 2025
Produtoras New Line Cinema, Atomic Monster, The Safran Company, Domain Entertainment

A história da família Smurl, por si só, é digna de um terror arrepiante. Poderia ter sido o palco para um espetáculo de horrores psicológicos e sustos bem construídos. Mas, o que vemos em tela, por vezes, escorrega para a familiaridade. Os espelhos, os espíritos, a casa assombrada… tudo está ali, sim, mas parece que as ferramentas que antes eram afiadas, agora estão um pouco cegas. Aquela sensação de pavor crescente, o silêncio que antecede o grito e te faz prender a respiração, não se instala com a mesma profundidade de outrora. Parece que, ao invés de nos afogar em um lago escuro de medo, somos apenas respingados por uma poça.

Patrick Wilson e Vera Farmiga, como sempre, entregam performances sólidas. Eles são a alma desses filmes, e seu comprometimento com Ed e Lorraine é inegável. Mesmo com um roteiro que por vezes não lhes dá o terreno fértil para florescer, eles tentam, com cada olhar trocado, com cada mão dada, resgatar a essência dos Warrens. Mas a química deles, que antes era uma força motriz, agora se sente como uma chama que precisa lutar contra um vento forte. Os novos personagens, como Judy Warren (Mia Tomlinson) e Tony Spera (Ben Hardy), prometem um futuro para o universo, mas neste filme, eles são mais peças no tabuleiro do que jogadores centrais na luta final.

O problema, talvez, não esteja na falta de talento da equipe, mas na pressão implacável de concluir uma série tão amada. Como manter o frescor quando já vimos fantasmas atrás de portas, possessões que retorcem corpos e demônios que sussurram convites para o inferno? “O Último Ritual” tenta, sim. Há momentos de tensão, algumas imagens que ficam na retina, e a ambientação dos anos 80 tem seus encantos nostálgicos. Mas a profundidade emocional, a sensação de que estamos realmente testemunhando um embate que definirá o destino de almas, é diluída. Não é que seja um filme ruim no sentido de ser tecnicamente falho, mas é que, para uma franquia que nos ensinou o que é terror de verdade, o que nos foi entregue parece ser… apenas mais um caso.

No final das contas, Invocação do Mal – O Último Ritual é uma despedida agridoce. Não tem a força visceral do primeiro, nem a inventividade do segundo. É como reencontrar um velho amigo que você ama, mas que, na última conversa, parece um pouco distante, sem a mesma energia de antes. Você ainda o abraça, ainda se importa, mas percebe que a magia, aquela que antes era palpável, se esvaiu um pouco. Não é o grande adeus que os Warrens e seus fãs mereciam, mas ainda assim, é um capítulo que fecha uma era. E, mesmo com as ressalvas, a gente sempre vai ter o carinho e o respeito por tudo o que Ed e Lorraine Warren nos proporcionaram nas telonas. Que descanse em paz, universo Invocação do Mal. Pelo menos, aquele que um dia nos fez roer as unhas de medo.

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