Deuses do Egito

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Deuses do Egito: Um Épico de Areia e CGI que Merecia Mais

Nove anos se passaram desde que Alex Proyas nos presenteou – ou melhor, tentou nos presentear – com Deuses do Egito. Lembro-me vividamente da expectativa, daquela mistura de fascínio e apreensão diante da promessa de um épico egípcio à escala hollywoodiana. A sinopse já dizia tudo: um Egito antigo, repleto de deuses poderosos e criaturas fantásticas, palco de uma luta pelo poder entre o implacável Set, deus da escuridão, interpretado por um Gerard Butler em plena forma de vilão, e o jovem Horus, encarnado por Nikolaj Coster-Waldau, um Horus menos majestoso e mais… bem, humano. No centro dessa guerra divina, um mortal, Bek (Brenton Thwaites), encontra-se inesperadamente envolvido, numa jornada épica que o leva por desertos implacáveis e palácios opulentos.

A direção de Proyas, embora competente em criar cenários visualmente exuberantes, sofre de um pecado capital em filmes desse gênero: ritmo irregular. Há momentos de verdadeira grandiosidade, sequências de ação que, apesar do excesso de CGI, conseguem ser visualmente impactantes. Mas, infelizmente, esses momentos são interrompidos por longos trechos de narrativa morosa e diálogos pouco inspirados. Proyas, conhecido por seu trabalho em filmes como “O Corvo” e “Eu, Robô”, parece ter se perdido num mar de efeitos especiais, esquecendo-se da importância fundamental de uma trama coesa e personagens memoráveis.

O roteiro de Matt Sazama e Burk Sharpless é, no mínimo, inconsistente. A tentativa de simplificar a complexa mitologia egípcia resulta em uma narrativa superficial, com personagens unidimensionais que parecem mais caricaturas do que figuras trágicas ou heroicas. Há um esforço claro em criar um roteiro de aventura palatável para um público ocidental, o que, paradoxalmente, banaliza a riqueza cultural da mitologia original. A química entre os atores, apesar do talento do elenco, fica comprometida por essa falta de profundidade.

Atributo Detalhe
Diretor Alex Proyas
Roteiristas Matt Sazama, Burk Sharpless
Produtores Basil Iwanyk, Alex Proyas
Elenco Principal Nikolaj Coster-Waldau, Brenton Thwaites, Gerard Butler, Chadwick Boseman, Elodie Yung
Gênero Ação, Aventura, Fantasia
Ano de Lançamento 2016
Produtoras Thunder Road, Pyramania, Summit Entertainment, Mystery Clock Cinema, TIK Films, Lionsgate, Fin Design & Effects

Apesar das falhas do roteiro, alguns atores se destacam. Gerard Butler se entrega de corpo e alma ao papel de Set, transmitindo uma ameaça palpável e imponente. Chadwick Boseman, como Thoth, o deus da sabedoria, demonstra a usual elegância e presença de palco que já o consagravam, mesmo antes de seu papel como Pantera Negra. Mas o restante do elenco fica preso à superficialidade dos personagens.

Um dos pontos altos de Deuses do Egito é, inegavelmente, a estética. A produção demonstra uma preocupação admirável em reproduzir a grandiosidade do Antigo Egito, mesmo que através de um filtro visual claramente moderno e hollywoodiano. A direção de arte e os efeitos especiais, apesar de às vezes exagerados, criam um mundo visualmente rico e fascinante. No entanto, esse esforço visual não consegue compensar a falta de substância narrativa.

O filme tenta abordar temas de poder, corrupção e a luta contra a opressão, mas os explora de forma superficial. A mensagem, se é que existe uma, se perde na confusão de efeitos especiais e na trama linear e previsível. De certa forma, ele se aproxima da crítica que eu mesmo li em 2016: uma mistura confusa entre “Transformers” e “Thor”, um filme que tenta ser divertido, mas acaba sendo longo e enfadonho.

No final das contas, Deuses do Egito, apesar de seu potencial, falha em entregar uma experiência cinematográfica satisfatória. Em 2025, vendo o filme com a perspectiva do tempo, percebo que ele ficou mais como uma curiosidade do que um clássico de cinema de fantasia. Recomendo-o apenas a quem tenha uma curiosidade aguçada pela mitologia egípcia e uma tolerância elevada a efeitos visuais excessivos e um roteiro pouco inspirado. Para o restante, sugiro economizar seu tempo (e dinheiro) para outras produções que mereçam mais a sua atenção. É uma pena, pois a ideia inicial era tão promissora. A mitologia egípcia ainda aguarda uma adaptação cinematográfica que faça justiça à sua riqueza e complexidade.