Encanto: Uma Ode à Família e à Desconstrução do Sonho Perfeito
Quatro anos se passaram desde que Encanto encantou (e me encantou!) o mundo, e, mesmo com o tempo, a vibração colombiana desse filme da Disney ainda ecoa em minha memória. Aquele sentimento de calor, de família, de magia… e de leveza, algo tão raro em produções contemporâneas, especialmente animações.
O longa acompanha a história da família Madrigal, que vive escondida em uma casa mágica nas montanhas da Colômbia. Cada membro da família possui um dom único, exceto Mirabel, a protagonista, que se vê à margem desse universo mágico e familiar. A trama se desenrola a partir da gradual perda de magia da Casita e da busca por entender o que está acontecendo, numa jornada emocionante que explora as complexidades das relações familiares e a pressão de se encaixar em um molde pré-determinado.
A direção de Byron Howard e Jared Bush é primorosa. A animação é deslumbrante, cada detalhe da Casa Madrigal e da exuberante floresta colombiana transborda vida, transmitindo com maestria a energia e o calor da cultura local. A trilha sonora, que se tornou um fenômeno à parte, é um espetáculo à parte, incorporando elementos de música colombiana com graça e naturalidade, realçando as emoções de cada cena. O uso do flamenco, em especial, me deixou boquiaberta, a elegância e a paixão transparecendo em cada movimento animado. O trabalho de roteiro, também assinado por Bush e Charise Castro Smith, é inteligente e delicado. A forma como eles equilibram o humor com momentos de profunda tristeza e reflexão é excepcional. Não é uma história fácil; ela abraça a complexidade da família e a busca pela própria identidade com sensibilidade.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretores | Byron Howard, Jared Bush |
| Roteiristas | Charise Castro Smith, Jared Bush |
| Produtores | Clark Spencer, Yvett Merino Flores |
| Elenco Principal | Stephanie Beatriz, María Cecilia Botero, John Leguizamo, Diane Guerrero, Jessica Darrow |
| Gênero | Animação, Comédia, Família, Fantasia |
| Ano de Lançamento | 2021 |
| Produtoras | Walt Disney Animation Studios, Walt Disney Pictures |
As atuações de voz são igualmente excepcionais. Stephanie Beatriz como Mirabel é um acerto total, transmitindo a vulnerabilidade e a força da personagem com precisão. O mesmo se pode dizer de todo o elenco, cada Madrigal se tornando um personagem singular e memorável, mesmo que apenas em seus poucos minutos de tela. Maria Cecilia Botero como Abuela Alma e John Leguizamo como Bruno Madrigal merecem menção honrosa por darem vida a personagens tão complexos e multifacetados.
Apesar de sua quase perfeição (sim, quase!), Encanto não está isento de algumas pequenas falhas. O terceiro ato, embora emocionante, talvez se apresente ligeiramente apressado, sacrificando um pouco do desenvolvimento de alguns personagens secundários. Mas, ainda assim, a conclusão me deixou totalmente satisfeita.
A força de Encanto reside em sua abordagem sincera e original dos temas de família, identidade, pressão social e a importância da aceitação. A mensagem principal é cristalina: a verdadeira magia reside no amor e na unidade familiar, independente de dons especiais ou expectativas impostas. É um filme sobre a importância de reconhecer e celebrar a individualidade, mesmo dentro de um sistema familiar complexo e, às vezes, sufocante. A desconstrução da ideia de uma família perfeita, tão comum em narrativas infantis, e a exploração da imigração, presente sutilmente na história da Abuela Alma, merecem ser aplaudidas. A Disney criou um filme corajoso e extremamente comovente.
Em 2021, Encanto foi recebido com grande aclamação pela crítica e pelo público, conquistando até mesmo alguns prêmios importantes, provando ser um marco na animação da Disney. Eu compartilho dessa opinião. Atualmente, em 2025, ainda o recomendo com fervor. Mais do que um filme para crianças, Encanto é uma experiência sensorial que ressoa profundamente em adultos. É uma ode à família, à cultura colombiana e à busca incessante por encontrar nosso lugar no mundo, uma busca que é universal e atemporal. Se você ainda não assistiu, corra para as plataformas digitais, você não vai se arrepender.




