Invocação do Mal 3: Uma Possessão Que Nos Assombra (Ainda)
Quatro anos se passaram desde que assisti a Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio nos cinemas em 4 de junho de 2021. E, confesso, a lembrança ainda me assombra, não pelo terror propriamente dito – que, admito, foi eficaz em alguns momentos –, mas pela sensação de uma oportunidade perdida. A premissa era tentadora: um caso real, a primeira vez que a possessão demoníaca era usada como defesa em um julgamento nos EUA. Um terreno fértil para explorar temas complexos sobre fé, justiça e a natureza do mal. Mas, infelizmente, o filme se perde em alguns desvios narrativos, deixando um gostinho agridoce na boca.
A história acompanha os Warrens, Ed e Lorraine, investigando o caso de Arne Johnson, um jovem que alega possessão demoníaca após ter cometido um crime. O que se desenrola é uma jornada que mergulha tanto no mundo sobrenatural quanto no drama pessoal dos envolvidos, especialmente a família Glatzel, cujas vidas foram profundamente afetadas por eventos inexplicáveis. Sem revelar spoilers, posso dizer que o filme entrega sustos pontuais, mas a atmosfera opressiva tão marcante nos filmes anteriores não está tão presente aqui.
A direção de Michael Chaves, embora competente, não consegue alcançar a maestria visual e a construção de suspense de James Wan. Há momentos efetivos de terror, com a utilização inteligente de sombras e sons, mas a narrativa se arrasta em alguns pontos, perdendo o ritmo frenético que esperávamos. O roteiro, assinado por David Leslie Johnson-McGoldrick, funciona bem em apresentar os personagens e o caso, mas pecou ao priorizar o espetáculo do sobrenatural em detrimento de um aprofundamento psicológico mais consistente. Senti falta daquela tensão sutil e crescente que caracterizava os filmes anteriores.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Michael Chaves |
| Roteirista | David Leslie Johnson-McGoldrick |
| Produtores | James Wan, Peter Safran |
| Elenco Principal | Patrick Wilson, Vera Farmiga, Ruairí O'Connor, Sarah Catherine Hook, Julian Hilliard |
| Gênero | Terror, Mistério, Thriller |
| Ano de Lançamento | 2021 |
| Produtoras | New Line Cinema, The Safran Company, Atomic Monster |
As atuações, no entanto, estão impecáveis. Patrick Wilson e Vera Farmiga, mais uma vez, entregam performances memoráveis como Ed e Lorraine Warren, transmitindo a crer numa realidade sobrenatural. Ruairí O’Connor também se destaca como Arne, mostrando fragilidade e desespero com grande naturalidade. A química entre os atores é palpável, e isso ajuda a compensar algumas falhas na construção da narrativa.
Considerando os pontos fortes e fracos, “Invocação do Mal 3” se posiciona em um lugar delicado dentro do universo Conjuring. Por um lado, temos as atuações sólidas e alguns sustos eficazes; por outro, a direção e o roteiro não conseguem superar a sombra longa dos dois primeiros filmes. A exploração do caso real é interessante, mas não é profundamente explorada, resultando em uma experiência que, apesar de entreter, não deixa uma marca tão forte como seus antecessores.
A película toca em temas importantes, como a luta pela fé, a fragilidade da mente humana diante do inexplicável e as consequências devastadoras da violência. No entanto, esses temas são apenas sugeridos, não explorados com a profundidade que eles merecem. Talvez a abordagem mais direta e focada no horror sobrenatural tenha sido uma escolha consciente da produção, mas, para mim, resultou numa perda de oportunidade de criar algo verdadeiramente memorável.
Concluindo, Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio é um filme mediano dentro do universo Conjuring. Se você é fã da franquia e busca mais sustos e um mergulho superficial no sobrenatural, poderá ser satisfeito. Mas se espera uma experiência tão rica e complexa quanto os filmes anteriores, prepare-se para uma leve decepção. A recomendação é condicional: se você não se importar com o ritmo mais lento e a falta de profundidade temática, vá em frente. Caso contrário, talvez seja melhor revisitar os clássicos da franquia. Como eu disse, a lembrança me assombra, mas não como um pesadelo inesquecível, e sim como um arrepio passageiro, um “quase lá”.




