Suits: Um Brinde à Ambição e à Elegância, com um Gosto Amargo no Final
Confesso: cheguei a Suits com certo ceticismo. Mais uma série de advogados? Já não tínhamos o suficiente? Mas, 14 anos depois do seu lançamento original (em 2011), posso dizer com toda a certeza: me enganei profundamente. Suits não é apenas mais uma série jurídica; é uma obra que, apesar de alguns tropeços, transcende o gênero, oferecendo uma análise sagaz da ambição, da lealdade e do peso do sucesso.
A premissa é simples, porém eficaz: um jovem brilhante, sem diploma e sem licença para advogar, consegue uma vaga na renomada firma Pearson Hardman (posteriormente Pearson Specter Litt e outras variações igualmente imponentes) ao impressionar o implacável e brilhante Harvey Specter. A partir daí, acompanhamos a ascensão meteórica de Mike Ross, em meio a intrigas corporativas, casos complexos e relacionamentos complexos e explosivos.
A direção, ao longo das nove temporadas, é impecável, com uma estética elegante e sofisticada que reflete o mundo de luxo e poder em que os personagens se movem. A fotografia, o figurino, a trilha sonora – tudo contribui para criar uma atmosfera envolvente e inesquecível. O roteiro, por sua vez, é um dos grandes trunfos da série. Apesar de alguns clichês inerentes ao gênero, ele consegue manter um ritmo ágil e surpreendente, com reviravoltas constantes que nos prendem à tela até o último episódio (embora admito que o final tenha deixado um gosto amargo para muitos – e para mim também!).
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Criador | Aaron Korsh |
| Elenco Principal | Gabriel Macht, Rick Hoffman, Sarah Rafferty, Amanda Schull, Dulé Hill |
| Gênero | Drama |
| Ano de Lançamento | 2011 |
| Produtoras | Hypnotic, UCP, Untitled Korsh Company |
As atuações são, sem dúvida, excepcionais. Gabriel Macht, no papel de Harvey Specter, é absolutamente magnético. Sua performance, fria e calculista por fora, mas com um subtexto de vulnerabilidade que aflora em momentos cruciais, é uma masterclass de atuação. Rick Hoffman, como o hilário e neurótico Louis Litt, rouba a cena em quase todas as sequências em que aparece. A química entre os dois, a espinha dorsal da série, é palpável e eletrizante, capaz de criar momentos de comédia e drama que resultam numa dinâmica memorável. Sarah Rafferty e Amanda Schull completam o elenco com atuações consistentes, dando profundidade e nuance aos seus personagens.
Um dos pontos fortes de Suits é, sem dúvida, a construção dos personagens. Eles são complexos, multifacetados, com suas fraquezas e virtudes em igual medida. A série não se limita a apresentar heróis e vilões maniqueístas; explora a moralidade ambígua, as zonas cinzas da lei e as consequências de nossas escolhas. A mensagem subjacente é clara: o sucesso tem um preço, e esse preço pode ser alto.
Porém, como toda série que se estende por tantas temporadas, Suits não está isenta de falhas. Alguns arcos narrativos se tornam repetitivos, e alguns personagens secundários não recebem o desenvolvimento que merecem. A partir da segunda metade da série, a qualidade sofre uma leve queda. No entanto, esses pontos negativos não diminuem o impacto geral da obra.
Em 2025, olhando para trás, percebo que a recepção inicial de Suits, pelo menos entre meus círculos, foi muito positiva. Lembro-me das discussões acaloradas, das teorias elaboradas, da ansiedade que cada episódio novo gerava. É verdade, como alguns críticos pontuaram, que o sistema judicial americano pode ser um desafio para quem não o conhece tão profundamente. Mas, independentemente disso, a série consegue transcender a barreira cultural ao explorar temas universais como ambição, traição e amizade.
A recomendação é clara: assista a Suits. Embora algumas falhas apareçam no caminho, a jornada vale a pena. A série oferece uma combinação deliciosa de drama jurídico, intriga política, e relacionamentos complexos, tudo embalado por um elenco brilhante e uma direção impecável. Em resumo, uma experiência memorável, mesmo que com um final não tão brilhante quanto seu início. Prepare-se para se apaixonar (e talvez se frustrar também) com Harvey Specter e sua turma.




