Você

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Você: Uma Ode à Obsessão (ou, Como Me Apaixonei por um Psicopata)

Lançada em 2018, a série Você, desde sua primeira temporada, cativou e aterrorizou o público em igual medida. A premissa é simples, mas brutalmente eficaz: Joe Goldberg, um homem encantador com um lado sombrio aterrador, persegue obsessivamente as mulheres que o fascinam, manipulando e eliminando qualquer obstáculo em seu caminho. Se você ainda não viu, prepare-se para uma montanha-russa emocional que questionará seus limites éticos e seu conceito de “romance”. A série não é para os fracos de estômago, mas, acreditem, é viciante.

A Dança Perigosa Entre Fascinação e Repulsa

O sucesso de Você se deve, em grande parte, à performance magnética de Penn Badgley como Joe. Ele encarna a dualidade do personagem com maestria, alternando entre o charme sedutor e a frieza calculista com uma precisão assustadora. A câmera se torna cúmplice de suas ações, nos mostrando seus pensamentos perturbadores através de “voice-overs” que funcionam como uma confissão íntima, e ao mesmo tempo, uma construção narrativa genial. Mas Badgley não está sozinho nesse brilhante elenco. Charlotte Ritchie, Griffin Matthews, Anna Camp e Madeline Brewer, entre outros, constroem personagens complexos e multifacetados que complementam a trajetória de Joe, desafiando-o e, em alguns casos, alimentando sua obsessão.

A direção e o roteiro são impecáveis em sua construção de suspense. A série tece uma trama envolvente, mantendo um ritmo constante que te prende até o último episódio. A fotografia e a trilha sonora contribuem para criar uma atmosfera tensa e opressiva, reforçando a natureza tóxica da relação entre Joe e suas vítimas. Há uma crescente sensação de claustrofobia que acompanha a escalada da obsessão de Joe, e isso é brilhantemente executado.

Atributo Detalhe
Criadores Greg Berlanti, Sera Gamble
Elenco Principal Penn Badgley, Charlotte Ritchie, Griffin Matthews, Anna Camp, Madeline Brewer
Gênero Crime
Ano de Lançamento 2018
Produtoras Berlanti Productions, Alloy Entertainment, Warner Bros. Television, A+E Studios, Man Sewing Dinosaur, Warner Horizon Television

Pontos Fortes e Fracos: Uma Análise Imparcial (Quase)

Um dos grandes trunfos de Você é sua capacidade de nos fazer questionar a moralidade da narrativa. A série, com sua genialidade perversa, nos força a confrontar a linha tênue entre a empatia e a repulsa, fazendo com que, contra nossa vontade, nos identifiquemos em alguns momentos com o protagonista. É uma experiência perturbadora, mas justamente essa desconfortável ambiguidade é que torna a série tão fascinante. Conforme a série avançou pelas temporadas (em 2025, já tivemos a oportunidade de acompanhar uma boa parte da saga de Joe!), o roteiro se tornou mais complexo, e não posso deixar de mencionar que, em alguns momentos, o nível de “nonsense” chegou a um ponto que até me fez rir. O enredo conseguiu manter o ritmo frenético, mas com um toque a mais de improbabilidade a partir de uma determinada temporada.

Por outro lado, a série já foi acusada de romantizar a violência e a obsessão. Essa crítica, embora válida, ignora a capacidade da série de justamente explorar esses temas perturbadores sem necessariamente endossá-los. Acredito que o objetivo de Você é gerar reflexões e debates, e não celebrar comportamentos doentios. A série não é um manual de relacionamento, e sim um estudo de caso de toxicidade em sua forma mais pura.

Temas e Mensagens: Uma Exploração da Obsessão Moderna

Você não é apenas um thriller de suspense; é uma análise perspicaz da obsessão na era digital. O uso de smartphones, redes sociais e vigilância online como ferramentas para o stalking é retratado com precisão assustadora, refletindo uma realidade preocupante da nossa sociedade. A série explora temas como o narcisismo, a manipulação, o controle e as fragilidades da condição humana de maneira profundamente perturbadora, mas também fascinante.

A questão do livre arbítrio também está presente, em uma discussão implícita sobre o quanto somos responsáveis pelas nossas escolhas, mesmo diante de circunstâncias adversas e manipulações sofisticadas. A série, por mais extrema que seja, não deixa de oferecer uma análise sutil, embora sombria, da natureza humana.

Conclusão: Um Relato Compulsivo e Perturbador

Em 2025, olhando retrospectivamente para o lançamento de Você em 2018, posso dizer que a série se tornou um fenômeno cultural, provocando debates apaixonados e gerando um culto de fãs ávidos. As críticas inicialmente positivas se mantiveram, mesmo com as reviravoltas e alguns exageros das temporadas mais recentes. Apesar de suas imperfeições, Você permanece uma série memorável, visceral e incrivelmente envolvente. Se você aguenta a tensão e o desconforto, prepare-se para uma experiência televisiva única e inesquecível. Recomendo fortemente, mas com a ressalva de que se trata de uma jornada para os fortes de estômago e mentes curiosas, capazes de analisar criticamente o que está sendo apresentado na tela. Você vai se arrepender de assistir? Talvez. Você vai parar de assistir? É improvável.

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