Sex Education: Uma Comédia Dramática que Acertou (e Errou) na Dose
Sex Education, lançada em 2019, chegou como um sopro de ar fresco no cenário das séries adolescentes. A premissa é simples, mas brilhante: um garoto com a mãe terapeuta sexual abre uma clínica improvisada na escola. A sinopse, sem spoilers, resume bem a essência da série: a jornada de Otis Milburn, um adolescente inexperiente, mas com vasto conhecimento teórico sobre sexo, e sua parceria improvável com Maeve Wiley, uma garota rebelde e sagaz, enquanto eles tentam navegar pelas complexidades da vida sexual dos seus colegas.
A série se destaca pela direção, que equilibra habilmente o humor com momentos de vulnerabilidade. A câmera encontra o tom certo, ora observadora, ora íntima, acompanhando os personagens em suas explorações (e desventuras) no campo amoroso e da sexualidade. O roteiro, escrito com inteligência e sensibilidade, evita a vulgaridade gratuita, optando por diálogos inteligentes e situações que, apesar de serem tipicamente adolescentes, abordam temas complexos com sutileza e profundidade. Laurie Nunn, a criadora, construiu personagens memoráveis, e o elenco entrega performances excepcionais. Asa Butterfield como Otis e Emma Mackey como Maeve formam uma dupla antológica, com uma química palpável que transcende a tela. A Gillian Anderson, no papel da mãe liberal de Otis, rouba a cena sempre que aparece, com uma performance equilibrada entre o humor e a seriedade. Ncuti Gatwa como Eric e Kedar Williams-Stirling como Jackson também brilham, adicionando camadas de profundidade e diversidade à narrativa.
No entanto, Sex Education não é isenta de críticas. Ao abordar a sexualidade com tanta naturalidade e abertura, a série corre o risco de cair em estereótipos, principalmente no que diz respeito à representação da comunidade LGBTQIA+. Um dos trechos de críticas que li antes de escrever essa resenha mencionava a preocupação com a representação da homossexualidade em personagens negros. Essa crítica, embora polêmica, me fez refletir sobre a complexidade de abordar temas delicados e a necessidade de uma representação mais cuidadosa e autêntica. A série demonstra progressos, mas ainda há espaço para avançar.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Criadora | Laurie Nunn |
| Elenco Principal | Asa Butterfield, Gillian Anderson, Ncuti Gatwa, Emma Mackey, Kedar Williams-Stirling |
| Gênero | Comédia, Drama |
| Ano de Lançamento | 2019 |
| Produtora | Eleven |
Um dos pontos altos da série é a capacidade de abordar temas importantes com sensibilidade e humor. A série não se limita a mostrar o lado físico do sexo, mas se aprofunda nas questões emocionais, relacionais e identitárias que o permeiam. A discussão sobre consentimento, saúde sexual e a importância da comunicação honesta em relacionamentos são abordadas de forma natural e acessível. Ao apresentar personagens tão diferentes, a série transmite a mensagem de que não há apenas um “jeito certo” de se viver a sexualidade. Esta é, sem dúvida, uma das suas principais forças.
Em resumo, Sex Education é uma série que merece ser vista, e revisada. Suas temporadas iniciais marcaram uma geração com a sua ousadia e a sua honestidade. É uma série que consegue ser divertida e tocante ao mesmo tempo, que te faz rir e refletir. Embora tenha alguns pontos fracos, principalmente quanto a representações, suas qualidades superam em muito as suas falhas. Sua abordagem inovadora e seu elenco talentoso garantem uma experiência gratificante para o espectador. Recomendo, sem dúvidas, para quem busca uma série inteligente, divertida e emocionalmente envolvente. De 2019 a 2025, a série deixou uma marca indelével na cultura pop, e ainda hoje, em setembro de 2025, continua sendo uma referência na maneira como aborda a sexualidade na adolescência.




