O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim – Uma Ode Animada à Resistência
Já se passaram alguns meses desde que A Guerra dos Rohirrim chegou às telas, e confesso que a experiência ainda ecoa na minha mente. Lançado em 12 de dezembro de 2024 no Brasil, este filme de animação, ambientado 183 anos antes da saga original de Tolkien, nos apresenta uma história de resistência, coragem e a iminente ameaça de um inimigo implacável. A trama acompanha Helm Hammerhand e seu povo rohirrim, enquanto enfrentam a fúria de Wulf, um lorde Dunlending sedento por vingança, que planeja tomar a fortaleza de Hornburg. No centro de tudo está Héra, a filha de Helm, forjada no fogo da guerra e obrigada a encontrar sua força interior.
A animação, dirigida por Kenji Kamiyama, é um espetáculo visual. A beleza austera de Rohan é capturada com um nível de detalhe impressionante. As batalhas são frenéticas e visceralmente realistas, contrastando com a tranquilidade dos momentos mais íntimos, repletos de uma melancolia que ressoa na própria história de Rohan. A escolha do anime como estilo visual se provou brilhante: ele adiciona uma camada extra de dramaticidade e expressividade às emoções dos personagens. Apesar do estilo único, a estética se integra perfeitamente ao universo de Tolkien, oferecendo uma experiência visualmente rica e coerente com o espírito da obra original.
Em termos de roteiro, temos um misto de acertos e erros. Arty Papageorgiou, Phoebe Gittins, Jeffrey Addiss e Will Matthews criaram uma narrativa envolvente, explorando temas complexos como a lealdade, a justiça e o peso do legado. A construção de Wulf como antagonista é particularmente interessante; a vingança cega, porém justificável, o torna um personagem trágico e complexo. No entanto, alguns arcos narrativos poderiam ter sido desenvolvidos com maior profundidade. Há uma pressa em certos momentos que compromete a imersão completa na história. Senti falta de um desenvolvimento mais completo de alguns personagens secundários, o que diminui o impacto emocional de algumas cenas.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | 神山健治 |
| Roteiristas | Arty Papageorgiou, Phoebe Gittins, Jeffrey Addiss, Will Matthews |
| Produtores | Joseph Chou, Jason DeMarco, Philippa Boyens |
| Elenco Principal | Brian Cox, Gaia Wise, Luke Pasqualino, Laurence Ubong Williams, Lorraine Ashbourne |
| Gênero | Animação, Fantasia, Aventura, Ação |
| Ano de Lançamento | 2024 |
| Produtoras | New Line Cinema, Warner Bros. Animation, Sola Entertainment, Middle-earth Enterprises, WingNut Films, Domain Entertainment |
As atuações de voz, principalmente de Brian Cox como Helm Hammerhand e Gaia Wise como Héra, são excelentes. Cox traz uma autoridade e um peso emocional ao seu personagem que são absolutamente convincentes. Wise, por sua vez, demonstra uma maturidade e uma resiliência que transcendem a sua pouca experiência em grandes produções. Luke Pasqualino como Wulf também se destaca, imbuindo o vilão de uma aura de perigo e carisma.
O ponto forte do filme reside, sem dúvida, na sua atmosfera épica. A Guerra dos Rohirrim não apenas entrega uma batalha grandiosa e bem-coreografada, mas também explora o peso da liderança, os sacrifícios que são exigidos para a proteção do povo e a responsabilidade de lidar com as consequências das escolhas feitas pelos antepassados. A decisão de explorar o conflito entre Rohan e os Dunlendings adiciona uma nova perspectiva ao universo de Tolkien, enriquecendo o lore e preenchendo lacunas na cronologia.
Por outro lado, a abordagem às vezes um pouco apressada da trama, algumas escolhas narrativas duvidosas, e a falta de desenvolvimento de alguns personagens secundários representam seus pontos mais fracos. A sensação de pressa em determinados momentos interrompe o fluxo da narrativa e dificulta a conexão emocional com determinados eventos.
Em suma, A Guerra dos Rohirrim é um filme de animação que vale a pena ser assistido. A beleza visual deslumbrante, as atuações de voz soberbas e a exploração de temas atemporais compensam, em grande parte, as suas falhas narrativas. É uma adição sólida ao cânone de O Senhor dos Anéis, e uma obra que certamente irá agradar tanto aos fãs da obra original, quanto aos apreciadores de animação de alta qualidade. Recomendo-o a todos os que buscam uma experiência cinematográfica épica e emocionante, mesmo considerando que alguns pontos poderiam ter sido melhor trabalhados. A experiência como um todo, no entanto, transcende essas pequenas falhas e deixa uma marca duradoura.




