O Rei Leão

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O Rugido Silenciado: Uma Reflexão sobre o “Rei Leão” (2019)

Seis anos se passaram desde que o “Rei Leão” de Jon Favreau invadiu as telas, um evento que, olhando em retrospectiva, me parece mais um acontecimento geológico do que um simples lançamento cinematográfico. A terra tremeu, os críticos se dividiram em abismos de opiniões, e o debate sobre o mérito de remakes foto-realistas se intensificou até níveis sísmicos. Mas, o que dizer de um filme que, ao mesmo tempo, era tão familiar e tão estranho? A resposta, como a própria savana africana, é complexa.

Simba, um jovem leão destinado à realeza, sofre uma tragédia que o obriga a fugir para o exílio. Ali, ele encontra amigos improváveis e, após um período de autodescoberta e amadurecimento, enfrenta o seu destino. Esta sinopse, deliberadamente vaga, esconde uma narrativa que, embora fiel à animação original de 1994, sofre de uma estranha falta de alma.

O problema do “Rei Leão” (2019) não reside na fidelidade ao material de origem, mas na sua execução técnica. Jon Favreau, mestre em recriar a magia da natureza em tela, optou por um realismo visual quase obsessivo. A tecnologia é impressionante, indiscutivelmente. Mas, essa mesma perfeição técnica sufoca a emoção. Os personagens, embora perfeitamente modelados, carecem da expressividade e da animação que tornava a versão clássica tão memorável. A performance de James Earl Jones como Mufasa, um ponto alto esperado e entregue com maestria, torna ainda mais evidente a lacuna emotiva na abordagem de outros personagens. Os animais são visualmente espetaculares, mas os seus movimentos, por mais realistas que sejam, não conseguem transmitir a riqueza emocional e a expressividade que as animações tradicionais permitiam.

Atributo Detalhe
Diretor Jon Favreau
Roteirista Jeff Nathanson
Produtores Jon Favreau, Jeffrey Silver, Karen Gilchrist
Elenco Principal Chiwetel Ejiofor, John Oliver, Donald Glover, James Earl Jones, John Kani
Gênero Aventura, Drama, Família, Animação
Ano de Lançamento 2019
Produtoras Walt Disney Pictures, Fairview Entertainment

O roteiro de Jeff Nathanson, por sua vez, sofre de uma certa preguiça criativa. Ele se limita a seguir os passos da animação original, sem adicionar camadas significativas ou novas perspectivas à história. As piadas, muitas vezes, caem planas, e a emoção, apesar da magnífica trilha sonora (uma exceção honrosa), se sente contida, como se estivesse sendo filtrada através de um vidro espesso.

Pontos Fortes e Fracos

O filme certamente tem seus pontos fortes. A fidelidade à obra original, para os saudosistas, pode ser um trunfo. A tecnologia utilizada para criar a savana e seus habitantes é absolutamente impressionante, um verdadeiro avanço na animação digital. A escolha de atores como Donald Glover, Chiwetel Ejiofor e John Kani para dar voz aos personagens é inquestionavelmente acertada, adicionando peso e profundidade à performance.

Mas, o filme também possui falhas gritantes. A falta de expressividade dos personagens, como já mencionado, é um obstáculo significativo para a imersão do espectador. A experiência, no geral, se sente vazia, como uma versão extremamente bem feita, mas desprovida de alma, de um clássico da animação. A tentativa de reproduzir o impacto da animação original, puramente através da fidelidade visual e técnica, falha em transpor a magia da animação para o terreno do realismo hiper-realista.

Temas e Mensagens

A temática da paternidade, da perda e da redenção, tão central na animação original, se perde em meio à exuberância tecnológica. A relação complexa entre Simba e Mufasa, a traição de Scar, a amizade com Timão e Pumbaa – tudo isso é apresentado, mas sem a mesma profundidade emocional que a animação conseguia alcançar. A mensagem de esperança e superação que tanto ressoou na animação original fica diluída, engolida pela ambição técnica do filme.

Conclusão

Seis anos após seu lançamento, o “Rei Leão” de 2019 permanece como um estudo de caso fascinante sobre a relação entre tecnologia e emoção. Um filme que me deixa com uma sensação de frustração persistente, um monumento ao paradoxo de como a perfeição técnica pode, de forma irônica, prejudicar a essência da arte. A tecnologia serviu como uma gaiola dourada para uma história que precisava de liberdade para respirar, para emocionar. Recomendo o filme apenas para aqueles que apreciam a tecnologia de ponta da animação digital, ou para aqueles que buscam uma experiência visualmente impressionante, mas que estão dispostos a abdicar de uma jornada emocional profunda e comovente. Para os demais, a animação original de 1994 ainda reina suprema.

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