E Se…? Uma Jornada Multiversal que Deixa Marcas (e Algumas Dúvidas)
Quatro anos se passaram desde que a Marvel Studios nos presenteou com “E Se…?”, uma série animada que ousou brincar com o consagrado Universo Cinematográfico Marvel (UCM). A premissa, simples e brilhante: e se os eventos canônicos do UCM tivessem tomado rumos completamente diferentes? A resposta? Uma explosão de possibilidades narrativas que, apesar de algumas imperfeições, continua a ecoar na minha memória.
A série nos apresenta um universo de infinitas realidades, onde personagens icônicos são colocados em situações inimagináveis, explorando diferentes caminhos e potenciais. Sem entregar nenhum spoiler, podemos dizer que a animação funciona como um playground para a criatividade, testando os limites de personagens conhecidos e abrindo espaço para novas interpretações, sejam elas sombrias ou surpreendentemente hilárias. Jeffrey Wright, como o narrador onisciente, O Observador, faz um trabalho impecável, imbuindo a narrativa com o necessário tom de mistério e suspense.
A direção de arte, um dos pontos altos da série, é simplesmente deslumbrante. A animação, em estilo mais cartunesco que realista, consegue capturar perfeitamente a essência dos personagens do UCM, mesmo em suas versões mais inusitadas. Os cenários, vibrantes e detalhados, contribuem para a imersão do espectador nesse universo de possibilidades infinitas. O roteiro, por sua vez, apresenta uma mescla de arcos narrativos que ora brilham em sua ousadia, ora tropeçam em alguns momentos de previsibilidade. Há episódios memoráveis, verdadeiras joias que exploram temas profundos e emocionantes, contrapondo-se a outros que se perdem em sua própria ambição, deixando a desejar no desenvolvimento dos personagens.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Produtores | Alex Scharf, Danielle Costa, Carrie Wassenaar |
| Elenco Principal | Jeffrey Wright |
| Gênero | Animação, Action & Adventure, Ficção Científica e Fantasia |
| Ano de Lançamento | 2021 |
| Produtora | Marvel Studios |
Em termos de atuação, o trabalho de Jeffrey Wright é o que mais se destaca. A interpretação vocal do Observador é fascinante, carregando um peso dramático que equilibra perfeitamente a leveza de algumas histórias mais cômicas. A animação permite uma expressividade que acompanha com precisão as nuances vocais. Porém, aqui reside um pequeno contraponto: a ausência de um elenco de dubladores mais robusto, principalmente para os personagens principais das diferentes realidades, pode impactar negativamente a imersão do espectador em alguns momentos.
“E Se…?” não se esquiva de temas complexos. A série explora questões sobre livre-arbítrio, destino, o peso das escolhas e as consequências de nossas ações. É uma produção que, apesar da sua natureza aparentemente leve, consegue se aprofundar em discussões significativas sobre a natureza humana e os dilemas morais que enfrentamos. Contudo, a abordagem de alguns temas poderia ter sido mais aprofundada. Algumas realidades apresentadas poderiam se beneficiar de um tempo maior de tela para uma exploração mais completa.
A recepção da série, logo após seu lançamento em 2021, foi majoritariamente positiva. Concordo com muitos críticos que elogiaram a premissa audaciosa, mas devo discordar de alguns que a classificaram como inovadora em sua temática multiversal. A exploração do multiverso já era um conceito bem estabelecido tanto pela Marvel quanto pela DC, embora a abordagem da série da Marvel tenha suas próprias singularidades. O fato é que, E Se…? traz uma experiência única e memorável, ainda que com suas imperfeições.
Em conclusão, “E Se…?” é uma série que recomendo fortemente para fãs do UCM e para qualquer pessoa que aprecie boas histórias de ficção científica e fantasia. Apesar de alguns deslizes no roteiro e no desenvolvimento de alguns personagens, a criatividade, a ousadia e a direção de arte impecável superam as falhas e transformam a experiência em algo verdadeiramente especial. No final das contas, a série consegue o que se propôs a fazer: nos questionar sobre o que aconteceria se as coisas tivessem sido diferentes, deixando uma marca duradoura em nosso imaginário. É uma jornada multiversal fascinante, que vale a pena revisitar novamente em 2025.




