Mistérios do Detetive Murdoch

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Ah, Mistérios do Detetive Murdoch! Sabe, a gente sempre tá em busca de algo que nos tire do lugar-comum, né? E, para mim, essa série canadense é um desses achados raros que, de vez em quando, a gente encontra perdida nas plataformas e pensa: “Como é que eu não vi isso antes?”. Minha motivação para escrever sobre ela hoje, em pleno 2025, vem justamente dessa sensação de que Murdoch é um daqueles prazeres discretos que merecem ser celebrados, revisitados e, quem sabe, descobertos por novos olhos.

Imagino você se perguntando: “Mais um detetive? Em plenos anos 1890?”. E eu digo: sim, mas não é só mais um. O que William Murdoch, interpretado com uma elegância quase matemática por Yannick Bisson, traz para a tela é uma fusão deliciosamente peculiar de cérebro e época. Ele não é o típico detetive de gabardine fumando um cachimbo na escuridão; Murdoch é um visionário. Em uma Toronto ainda se desenhando, ele já estava pensando em impressões digitais, na análise de sangue, em balística e até em protótipos de detectores de mentiras! É como ver um cientista do futuro perdido no passado, usando a curiosidade como sua principal arma. É essa justaposição que me pega de jeito: a modernidade da mente em um mundo que ainda pisava nas carroças e acendia lampiões.

Mas Murdoch não estaria completo sem a sua musa intelectual e parceira na busca pela verdade, a Dra. Julia Ogden, vivida com uma força impressionante por Helene Joy. E aqui, a série ganha camadas que vão muito além do “mistério da semana”. Julia não é só a “bela detetive”; ela é uma mulher à frente do seu tempo, cirurgiã patologista, inteligente, articulada, que enfrenta o preconceito e os valores arraigados da era vitoriana a cada passo. A luta dela contra o machismo sutil (e nem tão sutil) da época ressoa de uma forma que nos faz pensar em quantas “Julias” ainda existem hoje, lutando por seu espaço e reconhecimento. A química entre Murdoch e Ogden é uma dança delicada de respeito mútuo, admiração intelectual e um romance que floresce lentamente, tão palpável que a gente torce por eles como se fossem amigos de longa data.

E olha só, não podemos esquecer daquela dupla impagável que completa o time: o Constable George Crabtree (Jonny Harris) e o Constable Henry Higgins (Lachlan Murdoch). Crabtree é a alma poética e sonhadora da delegacia, sempre com uma ideia mirabolante ou uma nova invenção no papel, e Higgins, bem, Higgins é a comicidade em pessoa, com sua lealdade e, por vezes, sua inocência. Eles não são meros coadjuvantes; são o coração pulsante da delegacia, trazendo humor, leveza e um contraponto humano às excentricidades de Murdoch. A evolução do Crabtree, de um mero lacaio a um detetive com suas próprias nuances, é um dos pontos altos da série para mim.

Atributo Detalhe
Criador Maureen Jennings
Elenco Principal Yannick Bisson, Helene Joy, Jonny Harris, Lachlan Murdoch
Gênero Mistério, Drama
Ano de Lançamento 2008
Produtoras Shaftesbury Films, UKTV, Cogeco Program Development Fund, Canada Media Fund | Fonds des médias du Canada

A produção, que conta com a Shaftesbury Films e outros fundos canadenses e britânicos, é um primor em recriar a Toronto de 1890. As roupas, os cenários, os veículos – tudo te transporta para aquela época de uma forma tão imersiva que a gente quase consegue sentir o cheiro de carvão e a umidade das ruas. É um trabalho de mestres em ambientação, que nos permite esquecer que estamos no século XXI por uns bons 40 minutos. Lançada originalmente em 2008, a série já tem uma estrada considerável, o que é um testemunho da sua qualidade e do seu poder de engajar o público ao longo de tantos anos.

Agora, vamos ser sinceros, nenhuma série é perfeita, né? Como os amigos críticos MovieGuys e Sharon”sTomcat já apontaram, a série tem essa característica de ser um “maravilhoso drama de época”, com atuações e desenvolvimento de personagens que nos prendem. Eu concordo plenamente! O amor por Murdoch é quase universal entre os fãs. Mas também é verdade que, ao longo de tantas temporadas – e já estamos falando de uma série que está no ar há mais de 17 anos –, é natural que haja altos e baixos, ou que o frescor das primeiras temporadas possa dar lugar a uma certa familiaridade. Não é uma crítica, é mais uma observação sobre a natureza de uma narrativa de longa duração. Mas mesmo com essas pequenas oscilações, a essência de Murdoch, a curiosidade incansável e a humanidade dos personagens, nunca se perde.

Então, por que você deveria dar uma chance a Mistérios do Detetive Murdoch? Porque é uma janela para um passado imaginado, mas incrivelmente detalhado. Porque nos oferece mistérios instigantes que desafiam a inteligência e nos fazem pensar. Porque nos apresenta personagens que amamos, que crescem e nos emocionam. E, acima de tudo, porque é uma série que, mesmo não tendo tido um lançamento formal no Brasil (uma pena, eu sei!), merece ser desenterrada e apreciada. É um convite a desacelerar, a observar, a deduzir. E quem, no fundo, não adora um bom mistério para resolver ao lado de um detetive tão peculiar? Eu, particularmente, não perco um segundo.