King’s Man: A Origem

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King’s Man: A Origem – Uma Espionagem Envolvente, Mas Nem Tão Revolucionária Assim

Quatro anos se passaram desde que assisti a King’s Man: A Origem, e ainda hoje me pego pensando em suas cenas de ação visceralmente coreografadas e na sua ambiciosa tentativa de ressignificar a Primeira Guerra Mundial. O filme, um prequel da bem-sucedida franquia Kingsman, nos apresenta a história de origem do serviço secreto, colocando-nos no turbilhão dos anos 1910, onde um homem e seu pupilo se veem em uma corrida contra o tempo para impedir que uma constelação de vilões históricos desencadeie uma guerra que trará milhões de mortes. A sinopse, resumidamente, não entrega muito, mas a experiência de assisti-lo é bem mais rica do que a descrição sugere.

Matthew Vaughn, também diretor dos filmes anteriores da saga, se joga de corpo e alma nesse período histórico, oferecendo uma estética visualmente deslumbrante. A fotografia é rica, os figurinos impecáveis, e a reconstituição da Londres da época é simplesmente impressionante. Vaughn, no entanto, parece mais interessado em criar um espetáculo visual do que em mergulhar profundamente nos dilemas morais que a guerra apresenta. Essa escolha, embora resultando em um filme esteticamente poderoso, sacrifica um pouco o peso dramático que poderia ter sido explorado. O roteiro, escrito por ele em parceria com Karl Gajdusek, equilibra ação frenética com momentos de humor negro característicos da franquia, mas em alguns momentos a piada se sobrepõe à gravidade da situação, deslocando o tom geral.

O elenco é de primeira. Ralph Fiennes, como o enigmático Orlando Oxford, carrega o filme com sua presença imponente e elegância contida. Gemma Arterton, Rhys Ifans (um Rasputin memoravelmente caricatural, mas com nuances interessantes), Matthew Goode e um hilário Tom Hollander (em um trio de interpretações inesquecíveis como o Rei George, o Kaiser Wilhelm e o Czar Nicolau) contribuem para um conjunto impecável. Cada ator encontra o equilíbrio perfeito entre a seriedade da trama e o tom levemente sarcástico que permeia a narrativa. A atuação é, sem dúvida, um ponto alto do longa.

Atributo Detalhe
Diretor Matthew Vaughn
Roteiristas Matthew Vaughn, Karl Gajdusek
Produtores Matthew Vaughn, David Reid, Adam Bohling
Elenco Principal Ralph Fiennes, Gemma Arterton, Rhys Ifans, Matthew Goode, Tom Hollander
Gênero Ação, Aventura, Thriller
Ano de Lançamento 2021
Produtoras Marv, Cloudy Productions, 20th Century Studios

O filme se sai melhor nos momentos de ação pura e simples. As sequências de luta são criativas, explosivas e maravilhosamente coreografadas – quase balé de violência. A trama, contudo, se revela um pouco previsível em alguns momentos, e a tentativa de conectar a mitologia Kingsman com eventos históricos reais, às vezes, parece forçada. O final, apesar de eficaz, não chega a ser surpreendente, e a tentativa de criar uma mitologia grandiosa, embora ambiciosa, talvez se perca um pouco no meio do caminho.

King’s Man: A Origem não é um filme perfeito. Seu maior ponto fraco reside na falta de profundidade em alguns aspectos narrativos. A exploração do tema da Primeira Guerra Mundial poderia ter sido mais rica e menos superficial, focando nas consequências humanas do conflito e não apenas na conspiração. Mas, falando honestamente, quem assiste a um filme de Kingsman espera uma explosão de ação e um toque de humor irônico. Nessa missão, o filme se sai muito bem. Ele entrega exatamente o que promete: uma aventura de espionagem com estilo, repleta de cenas de ação de tirar o fôlego e um elenco brilhante.

No fim das contas, King’s Man: A Origem é um entretenimento eficaz, um filme divertido e visualmente impactante. Apesar de alguns deslizes narrativos, a força do elenco e a qualidade técnica fazem com que a experiência valha a pena, especialmente para os fãs da franquia. Se você está procurando um filme de ação palatável que não exige muito esforço intelectual, mas ainda assim oferece um espetáculo visualmente gratificante, este é uma boa pedida. Recomendo sua exibição, principalmente em plataformas de streaming, onde pode ser apreciado sem a pressão da experiência em sala de cinema. A recepção pela crítica na época do lançamento foi mista, algo que eu, pessoalmente, considero injusto. O filme merece mais reconhecimento do que recebeu.