Uncharted: Fora do Mapa – Uma Aventura que Decola, Mas Não Chega ao Topo da Montanha
Passados três anos desde sua estreia em fevereiro de 2022, ainda me pego pensando em Uncharted: Fora do Mapa. O filme, baseado na aclamada franquia de videogame da Naughty Dog, prometia uma aventura eletrizante, e em certos aspectos, cumpriu. Mas, como muitas adaptações de jogos, tropeçou em alguns obstáculos no caminho para o tesouro.
O longa acompanha Nathan Drake, um jovem e esperto ladrão que se une ao charmoso e experiente Victor “Sully” Sullivan em uma busca global por uma fortuna lendária. Paralelamente, Drake busca pistas sobre o paradeiro de seu irmão desaparecido, adicionando uma camada emocional à trama de ação. A sinopse se mantém concisa e eficaz, sem revelar os muitos twists e reviravoltas que a narrativa reserva. É uma jornada repleta de perseguições, acrobacias e momentos de humor afiado, típicos do universo Uncharted.
Ruben Fleischer, na direção, entrega uma estética visualmente competente. As sequências de ação são bem coreografadas, dinâmicas e, em sua maioria, fáceis de acompanhar – um alívio para quem se cansa de cenas de luta confusas e editadas de forma atropelada. Entretanto, o ritmo do filme oscila. Há momentos de pura adrenalina que são seguidos por trechos um pouco arrastados, principalmente na construção de alguns personagens secundários.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Ruben Fleischer |
| Roteiristas | Rafe Judkins, Art Marcum, Matt Holloway |
| Produtores | Charles Roven, Alex Gartner, Avi Arad, Ari Arad |
| Elenco Principal | Tom Holland, Mark Wahlberg, Sophia Ali, Tati Gabrielle, Antonio Banderas |
| Gênero | Ação, Aventura |
| Ano de Lançamento | 2022 |
| Produtoras | Columbia Pictures, Atlas Entertainment, PlayStation Productions, Arad Productions |
O roteiro, assinado por Rafe Judkins, Art Marcum e Matt Holloway, tem seus acertos e seus erros. O diálogo, apesar de pontuar momentos de humor, às vezes se perde em clichês de Hollywood. A química entre Tom Holland e Mark Wahlberg é o ponto alto do filme. Holland interpreta um Drake mais jovem e impulsivo do que o esperado, e embora alguns fãs da franquia tenham inicialmente questionado a escolha, sua energia contagiante funciona bem na tela. Wahlberg, por sua vez, entrega um Sully carismático e cínico, com a experiência necessária para contrabalançar a inexperiência de Drake. Sophia Ali, como Chloe Frazer, e Tati Gabrielle, como Jo Braddock, adicionam um bom nível de profundidade e complexidade ao elenco, apesar de suas histórias não serem totalmente exploradas. Antonio Banderas como Santiago Moncada, o vilão, é um vilão caricato, mas efetivo.
O filme consegue capturar a essência da aventura e a busca pelo tesouro, elementos centrais da série de games. No entanto, ele falha em mergulhar profundamente no desenvolvimento de certos personagens e subplots. A busca pelo irmão perdido de Drake, por exemplo, é um fio narrativo importante, mas poderia ter sido explorado com mais profundidade emocional. E essa é, justamente, a grande diferença entre o filme e os jogos: a falta de tempo para o desenvolvimento completo.
Entre seus pontos positivos, destaco a energia da performance de Tom Holland, a dinâmica entre os protagonistas e as sequências de ação bem realizadas. Já em seus pontos negativos, a construção pouco profunda de alguns personagens e o roteiro que, em alguns momentos, se torna previsível, merecem destaque. No geral, Uncharted: Fora do Mapa é um filme de aventura divertido e visualmente agradável, mas que não se destaca como uma obra-prima. É uma diversão leve e acessível, perfeita para uma sessão despretensiosa no cinema ou em plataformas digitais. Não revoluciona o gênero, mas cumpre sua proposta com competência. Recomendo para os fãs da franquia e para quem busca um entretenimento leve e descomprometido, sem grandes expectativas. A expectativa criada em torno do longa, no entanto, se mostrou um pouco excessiva. Em retrospecto, penso que o filme cumpriu com as expectativas minimamente, mas faltou-lhe o toque de genialidade para se elevar acima da média. A cena pós-créditos, aliás, dá uma pequena esperança para uma sequência, que, no momento, não está prevista em 2025.




