Lobisomem na Noite

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Lobisomem na Noite: Uma Ode Monocromática ao Terror Clássico

Dois anos se passaram desde que assisti a Lobisomem na Noite, e a experiência continua a ecoar na minha memória como um arrepio delicioso, uma lembrança vívida em preto e branco. O filme, um especial da Marvel, foge do padrão de superproduções coloridas e explosivas do MCU, abraçando em vez disso a estética estilizada dos clássicos filmes de terror da Universal. Em uma noite escura e sombria, após a morte do líder de uma cabala secreta de caçadores de monstros, uma competição mortal e misteriosa se desenrola no templo de Bloodstone, envolvendo uma poderosa relíquia e uma criatura monstruosa. Sem revelar muito, posso dizer que a trama é eficiente, servindo de pretexto para uma deliciosa exploração do gênero.

Michael Giacchino, além de compor uma trilha sonora absolutamente arrebatadora, assume a direção com uma maestria surpreendente. A escolha do preto e branco, aliada à textura granulada da película, não é um mero artifício estético, mas um elemento fundamental para criar a atmosfera opressiva e tensa que permeia o filme. A decisão audaciosa de abraçar a estética clássica, longe da explosão de cores que se tornou uma marca registrada do universo Marvel, é um triunfo. A fotografia, a iluminação, cada detalhe contribui para uma imersão plena no suspense gótico.

O elenco, embora não tenha grandes nomes que dominam a cena, é impecavelmente escolhido. Gael García Bernal, como Jack Russell, entrega uma performance física e visceral. A aura enigmática de Laura Donnelly como Elsa Bloodstone e a interpretação cativante de Harriet Sansom Harris como Verussa Bloodstone completam um conjunto sólido de personagens, cada qual com suas nuances e segredos. As atuações são críveis, evitando a caricatura e abraçando a atmosfera sombria e misteriosa do filme.

Um dos pontos mais fortes de Lobisomem na Noite é sua curta duração. Sem se alongar desnecessariamente, o filme mantém a tensão constante, sem jamais perder o ritmo. Por outro lado, a narrativa, apesar de eficiente, pode parecer ligeiramente superficial para aqueles acostumados com a complexidade habitual das produções Marvel. Alguns diálogos poderiam ser mais elaborados e a exploração dos personagens, um pouco mais profunda. Mas, honestamente, essas são pequenas falhas em um todo brilhante.

Atributo Detalhe
Diretor Michael Giacchino
Produtora Leeann Stonebreaker
Elenco Principal Gael García Bernal, Laura Donnelly, Harriet Sansom Harris, Kirk R. Thatcher, Eugenie Bondurant
Gênero Ação, Fantasia, Terror
Ano de Lançamento 2022
Produtoras Marvel Studios, Kevin Feige Productions

O filme também toca em temas interessantes, como a herança, a busca pelo poder e o peso da tradição. O conflito entre a tradição e a modernidade, entre a razão e o sobrenatural, permeia a narrativa. Entretanto, a mensagem não é pregada, sendo sutilmente apresentada através das ações e escolhas dos personagens.

Em resumo, Lobisomem na Noite é uma grata surpresa. Um filme curto, porém intenso, que arrisca em sua estética e temática, entregando uma experiência cinematográfica memorável. A decisão de abraçar o preto e branco e a estética do terror clássico é uma jogada de mestre, que transforma o filme em uma obra única e inesquecível. Recomendo fortemente a todos que apreciam filmes de terror com uma pitada de fantasia e uma boa dose de suspense. É um deleite para os amantes do gênero, e uma prova de que a Marvel pode surpreender, mesmo fora de sua zona de conforto habitual.

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