A Garota de Muita Sorte: Um thriller que te agarra pela garganta e não solta
Já se passaram três anos desde que “A Garota de Muita Sorte” estreou nos cinemas brasileiros, em 7 de outubro de 2022, e, acreditem, a experiência ainda me assombra de uma forma fascinante. Não se trata de um filme fácil, nem de um filme que se esquece facilmente. É uma daquelas obras que te agarra pela garganta, te joga numa montanha-russa de emoções e te deixa ali, na plataforma, ofegante, questionando tudo o que você viu e sentiu. A sinopse, em poucas palavras, conta a história de Ani Fanelli, uma mulher aparentemente bem-sucedida em Nova York, cujo mundo perfeito começa a ruir quando ela é forçada a confrontar um passado traumático que ameaçava destruir a fachada que ela tão cuidadosamente construiu.
O roteiro de Jessica Knoll, adaptado de seu próprio romance, é brutalmente honesto. Ele não se esquiva das sombras, e isso, para alguns, pode ser um ponto negativo. Mas para mim, foi a sua audácia, a sua recusa em romantizar ou suavizar a violência que sofreu a protagonista, que elevou a obra a um nível acima da média. A direção de Mike Barker, embora sem muitos floreios visuais grandiosos, é eficiente em conduzir a narrativa, conduzindo-nos pela montanha-russa emocional de Ani com uma precisão cirúrgica. O filme não se perde em detalhes desnecessários, focando na jornada interna da personagem principal e na crescente tensão que permeia a sua vida.
Mila Kunis entrega uma performance de tirar o fôlego como Ani. Ela consegue transmitir a fragilidade e a força da personagem com uma sutileza e uma profundidade que são realmente impressionantes. A jovem Chiara Aurelia, interpretando Ani em sua infância, também faz um trabalho impecável, estabelecendo uma base sólida para a jornada da personagem adulta. Finn Wittrock, como o noivo aparentemente perfeito, Luke, e Connie Britton, como a mãe distante, Dina, completam o elenco com atuações sólidas, que contribuem para o peso dramático da trama. O elenco inteiro contribuiu para o impacto visceral do filme. Scoot McNairy, como Andrew Larson, também brilha em seu papel, adicionando mais profundidade a um caso já complexo.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Mike Barker |
| Roteirista | Jessica Knoll |
| Produtores | Jeanne Snow, Bruna Papandrea, Lucy Kitada, Erik Feig, Mila Kunis |
| Elenco Principal | Mila Kunis, Chiara Aurelia, Finn Wittrock, Connie Britton, Scoot McNairy |
| Gênero | Drama, Thriller, Mistério |
| Ano de Lançamento | 2022 |
| Produtoras | Orchard Farm Productions, Made Up Stories, Picturestart |
Um dos pontos fortes do filme, sem dúvida, é sua capacidade de explorar temas complexos como estupro, abuso e trauma infantil, sem cair em clichês ou sensacionalismos baratos. A construção da relação mãe-filha é especialmente impactante, mostrando as feridas profundas que a negligência e o silêncio podem causar. A escolha de não mostrar explicitamente a cena do estupro, preferindo focar nas consequências psicológicas do trauma, foi, na minha opinião, uma decisão brilhante. Isso não diminuiu o impacto da cena, pelo contrário, aumentou-o, forçando o espectador a confrontar a realidade brutal do que aconteceu com Ani.
No entanto, a obra não é isenta de fraquezas. Certos aspectos do enredo podem parecer um pouco apressados ou convenientes demais em sua resolução. A reviravolta final, enquanto impactante, pode deixar alguns espectadores com a sensação de que algumas peças do quebra-cabeça não se encaixaram perfeitamente. Mas, sinceramente, esse pequeno senão não diminui o impacto geral da narrativa.
“A Garota de Muita Sorte” não é um filme para todos. É um filme perturbador, que confronta o espectador com realidades cruéis. Mas é também um filme profundamente humano, que explora com sensibilidade a resiliência e a capacidade de cura mesmo diante de traumas inimagináveis. Recomendo este filme a todos que apreciam dramas tensos e emocionalmente envolventes, que não se intimidam com temas difíceis e estão preparados para uma experiência cinematográfica marcante. Para mim, “A Garota de Muita Sorte” fica como um exemplo de como um filme pode ser ao mesmo tempo desconfortável e profundamente impactante, e que, por isso mesmo, é inesquecível. Três anos depois, ainda estou pensando nele. E isso, por si só, já diz muito.



