Eu, Traidor: Um drama familiar que decepciona, mas intriga
Confesso: cheguei a Eu, Traidor com altas expectativas. Mariano Martínez, Jorge Marrale… um elenco de peso para um drama familiar com cheiro de épico. A sinopse prometia uma jornada de ambição e traição, um estudo de personagem que exploraria os laços familiares sob a pressão do sucesso. Três anos após sua estreia em 23 de setembro de 2022, a memória do filme ainda me assombra, não por sua qualidade excepcional, mas por sua frustrante capacidade de quase alcançar a grandeza.
O filme acompanha Máximo Ferradas, o filho mais novo de um poderoso pescador, na sua busca por independência e riqueza. Ao exigir sua parte da herança, ele embarca numa jornada que o leva longe da casa e da família, em busca de construir seu próprio império. Até aí, uma premissa clássica, mas com potencial dramático explosivo. Infelizmente, o que vemos em tela é um retrato apenas parcialmente realizado.
A direção de Rodrigo Fernández Engler, embora competente em alguns momentos, peca pela falta de ousadia. A fotografia é correta, sem brilhar, e a montagem, embora funcional, não consegue imprimir um ritmo consistente à narrativa. Há momentos de lentidão que prejudicam o andamento da história, enquanto outros se movem com uma pressa que impede a absorção da complexidade dos personagens. O roteiro, assinado por Engler e Mario Pedernera, sofre de um problema semelhante: ele promete uma exploração profunda da psicologia de Máximo, mas se perde em subplots desnecessários e diálogos pouco inspirados.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Rodrigo Fernández Engler |
| Roteiristas | Rodrigo Fernández Engler, Mario Pedernera |
| Elenco Principal | Mariano Martínez, Jorge Marrale, Arturo Puig, Osvaldo Santoro, Mercedes Lambre |
| Gênero | Drama |
| Ano de Lançamento | 2022 |
| Produtoras | Protasowicki Engler Producciones, Midú Junco Producciones, Cita con la Vida Emprendimientos Audiovisuales |
E o elenco? Mariano Martínez entrega uma performance correta, mas sem a profundidade emocional que o personagem exige. Jorge Marrale, por outro lado, brilha em seus momentos em tela, com uma presença marcante e uma interpretação subtil que transmite a dor e a decepção de um pai traído. Arturo Puig e Osvaldo Santoro, como Caviedes e Coletto respectivamente, cumprem seus papéis com eficiência, sem grandes destaques. Mercedes Lambre, no papel de Maite, fica em um terreno intermediário, com uma performance convincente, mas sem momentos de grande impacto.
Os pontos fortes residem na exploração do tema da ambição e seus custos. A relação complexa entre Máximo e Francisco é o coração do filme, e nos momentos em que essa relação é explorada com profundidade, o longa encontra sua força. Porém, a construção da jornada de Máximo é desajeitada, faltando nuances e profundidade psicológica. A construção do “império” de Máximo se sente apressada e pouco orgânica, tornando-se um elemento narrativo de peso morto.
A ausência de uma recepção crítica significativa, além da falta de visibilidade do filme em plataformas digitais após o lançamento em 2022, é um indicativo de que a obra talvez não tenha atingido seu público alvo ou gerado o interesse que seu elenco e premissa sugeriam. Talvez a produção, apesar dos nomes envolvidos na Protasowicki Engler Producciones, Midú Junco Producciones e Cita con la Vida Emprendimientos Audiovisuales, tenha sofrido com restrições de orçamento ou tempo de pós-produção, impactando na finalização do longa.
Em suma, Eu, Traidor é um filme que desperdiça seu potencial. Embora apresente momentos de brilho, principalmente nas atuações de Jorge Marrale e na exploração do conflito central entre pai e filho, ele peca por sua direção e roteiro inconsistentes. Recomendo o filme apenas para aqueles que apreciam dramas familiares com atuações sólidas, mas estejam preparados para um longa irregular, que por vezes se perde em seu próprio desenvolvimento. Com o tempo, Eu, Traidor pode se tornar um filme de nicho para cinéfilos que apreciam trabalhos com potenciais inexplorados, um estudo de caso de como uma boa premissa pode ser prejudicada por execução falha. Acho que vai acabar esquecido no vasto mar de produções cinematográficas, uma tragédia em si mesma.




