Excess Baggage: Uma Comédia de Ação com Surpresas Deliciosamente Negras
Em 1997, um ano que a retrospectiva mostra como um turbilhão de estilos cinematográficos, surgiu Excess Baggage, um filme que, apesar de sua premissa aparentemente simples, consegue ser muito mais do que a soma de suas partes. A história acompanha Emily Hope, uma jovem rica e rebelde que, entediada com sua vida privilegiada, planeja um sequestro falso para chamar a atenção de seu pai distante. Mas, em um golpe do destino hilário e um tanto surreal, seu plano dá terrivelmente certo – e de um jeito que ela nunca imaginou. O que se segue é uma montanha-russa de perseguições, reviravoltas e encontros inesperados, misturando ação, comédia e um quê de crime numa deliciosa receita cinematográfica.
A direção de Marco Brambilla é, talvez, o elemento mais surpreendente do filme. Brambilla, conhecido por seu trabalho em videoclipes (e, mais tarde, por alguns filmes de terror), injeta em Excess Baggage uma energia visual vibrante e frenética, quase como se estivesse filmando um videoclipe de alta octanagem. As sequências de ação são editadas com precisão e criatividade, mantendo a energia alta sem cair no excesso. A fotografia, bem saturada, contribui para a atmosfera quase irreal, perfeitamente adequada ao tom peculiar do longa.
O roteiro de Max D. Adams, por sua vez, é a peça-chave que une todos os elementos. Embora a premissa inicial seja um tanto clichê – a jovem rebelde rica –, Adams consegue subverter as expectativas com reviravoltas inesperadas e um bom humor ácido. O diálogo é afiado, cheio de ironia e sarcasmo, e os personagens são, apesar de seus arquétipos, bem construídos e complexos o suficiente para manter o interesse do espectador até o final. A relação entre Emily e Vincent, o ladrão que a encontra na mala, é particularmente bem desenvolvida, com uma química palpável entre Alicia Silverstone e Benicio del Toro que transcende o romance típico “mulher jovem, homem mais velho”.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Marco Brambilla |
| Roteirista | Max D. Adams |
| Produtores | Alicia Silverstone, Carolyn Kessler, Bill Borden |
| Elenco Principal | Alicia Silverstone, Benicio del Toro, Christopher Walken, Jack Thompson, Harry Connick Jr. |
| Gênero | Ação, Comédia, Crime |
| Ano de Lançamento | 1997 |
| Produtora | Columbia Pictures |
E falando em elenco, a escolha dos atores foi um golpe de mestre. Alicia Silverstone, na época no auge de sua fama pós-Clueless, entrega uma performance surpreendentemente madura e cheia de nuances, fugindo do estereótipo da “patricinha mimada” que seu papel poderia facilmente ter se tornado. Benicio del Toro, com sua presença magnética e carisma inegável, rouba a cena em cada aparição. Christopher Walken, como sempre, é impecável, acrescentando uma pitada de seu peculiar e inconfundível humor. O elenco de apoio, incluindo Jack Thompson e Harry Connick Jr., complementa o conjunto com performances sólidas.
Apesar de suas qualidades, Excess Baggage não é um filme sem defeitos. Alguns momentos de comédia podem ser considerados exagerados, e alguns aspectos da trama talvez não se sustentem sob uma análise muito detalhada. Mas, para mim, esses defeitos são perdoáveis, pois são compensados pela energia contagiante e pela originalidade do filme. Não se trata de uma obra-prima do cinema, mas sim de uma experiência divertida e inesquecível.
O filme toca em temas como a busca pela atenção, a complexidade das relações familiares e a questionável natureza da riqueza e do privilégio. Embora não seja um manifesto político ou social, Excess Baggage apresenta esses temas de forma inteligente e sutil, utilizando-os para dar profundidade aos seus personagens e à sua narrativa. Ao final da projeção, a mensagem que fica é uma reflexão sobre as consequências de nossas ações, por mais irracionais que elas sejam, e sobre a importância de se conectar com aqueles que nos importam, mesmo que esse caminho seja tortuoso e cheio de malas no porta-malas.
Considerando o contexto de sua produção em 1997, e apesar de, aparentemente, não ter alcançado o sucesso de bilheteria esperado, Excess Baggage é uma pequena joia cinematográfica que merece ser redescoberta pelo público atual. Em 2025, com a facilidade de acesso a plataformas de streaming, a obra se mantém como um filme divertido, surpreendente e infinitamente reassistível. Recomendo fortemente Excess Baggage a qualquer pessoa que aprecie uma boa comédia de ação com um toque de originalidade e um elenco estelar. Prepare-se para uma viagem inesquecível, mesmo que ela comece dentro de uma mala!




