Rubikon: Ponto Sem Retorno

Publicidade
Assistir quando e onde quiser Assistir

Rubikon: Uma jornada claustrofóbica para a alma humana

Magdalena Lauritsch nos presenteia com Rubikon: Ponto Sem Retorno, um filme de ficção científica que, apesar de se apresentar com a estética familiar de filmes de espaço confinado, transcende a fórmula para explorar a complexa teia de moralidade em situações extremas. A trama se desenrola numa estação espacial, um refúgio para a tripulação sobrevivente a uma catástrofe terrestre que envolve uma névoa tóxica. Presos em seu microcosmo metálico, eles enfrentam a angustiante decisão de arriscar suas vidas num retorno incerto à Terra devastada, ou permanecerem no relativo conforto (e segurança questionável) do sistema de simbiose de algas que sustenta a estação.

A direção de Lauritsch, embora não inovadora em termos visuais, é eficiente em construir uma atmosfera de crescente tensão. A claustrofobia da estação espacial é palpável, intensificada por um roteiro escrito em parceria com Jessica Lind que, apesar de alguns momentos melodramáticos – talvez inevitáveis dado o tema – constrói personagens com nuances e motivações complexas. Não se trata de uma simples luta pela sobrevivência, mas sim de uma luta contra a própria natureza humana, uma análise perspicaz sobre o conflito entre altruísmo e egoísmo, exatamente como apontou aquele trecho de crítica que li. O filme questiona o valor da vida humana em face de uma tragédia de proporções apocalípticas, explorando a fragilidade da nossa moralidade sob pressão.

As atuações, em sua maioria, são sólidas. Julia Franz Richter, como Hannah Wagner, carrega o peso da narrativa com uma performance convincente, transmitindo o fardo da liderança e a angústia da incerteza. Mark Ivanir, George Blagden, Nicholas Monu e Daniela Kong completam o elenco, compondo uma dinâmica de grupo crível e complexa, com suas próprias hierarquias e desavenças, que refletem as tensões internas de uma sociedade minúscula, isolada do resto do mundo.

Atributo Detalhe
Diretora Magdalena Lauritsch
Roteiristas Magdalena Lauritsch, Jessica Lind
Produtores Livia Graf-Bechler, Loredana Rehekampff, Andreas Schmied, Klaus Graf
Elenco Principal Julia Franz Richter, Mark Ivanir, George Blagden, Nicholas Monu, Daniela Kong
Gênero Ficção científica, Thriller, Drama
Ano de Lançamento 2022
Produtoras Samsara Filmproduktion, Graf Film

No entanto, Rubikon: Ponto Sem Retorno não está isento de falhas. Alguns diálogos soam um pouco artificiais em momentos, e o ritmo, apesar de bem gerenciado na maior parte do tempo, poderia ter sido mais ágil em alguns pontos. A exploração do tema da corporação capitalista, sugerida em uma das críticas que li, poderia ter sido mais aprofundada, explorando o impacto da estrutura social pré-catástrofe nas decisões da tripulação. A própria solução narrativa poderia ser considerada, por alguns, um tanto previsível.

Apesar dessas ressalvas, a força de Rubikon: Ponto Sem Retorno reside na sua capacidade de gerar empatia pelo dilema da tripulação. A produção nos coloca no lugar desses indivíduos, forçando-nos a confrontar as nossas próprias prioridades em uma situação limite. O filme é um estudo de personagem fascinante, onde o suspense e a ação são veículos para uma profunda exploração da condição humana. É um filme que fica com você, mesmo depois dos créditos finais.

Em resumo, recomendo Rubikon: Ponto Sem Retorno para quem aprecia ficção científica com uma pegada mais dramática e reflexiva. Se você busca uma aventura espacial cheia de efeitos especiais explosivos, talvez este não seja o filme ideal. Mas se você busca um filme que o instigará a questionar suas próprias crenças e prioridades, você certamente encontrará em Rubikon uma experiência cinematográfica memorável, disponível para streaming em diversas plataformas digitais desde 2022.

Publicidade