Oliver!: Um Clássico Musical que Continua a Encanta (e a Assombrar)
Em 19/09/2025, revisitar Oliver!, de 1968, é como encontrar um amigo de infância que amadureceu com elegância. Lembro-me de vê-lo pela primeira vez em uma sessão de domingo à tarde, muito antes da explosão das plataformas digitais. A memória, quase em preto e branco, agora ganha cores vibrantes com a possibilidade de assisti-lo em streaming. E posso dizer, sem hesitação: ainda vale cada segundo.
O filme narra a jornada de Oliver Twist, um órfão que escapa da crueldade do asilo onde vive para buscar uma vida melhor nas ruas de Londres. Ali, ele se junta a uma gangue de jovens ladrões liderada pelo carismático, embora moralmente questionável, Fagin. A trama, fiel ao romance de Dickens, explora temas de pobreza, exploração infantil e a busca pela família, tudo ambientado na sombria e fascinante Londres vitoriana.
A direção de Carol Reed é brilhante. A câmera dança pelas ruas labirínticas e pelas sombras dos becos, criando uma atmosfera opressiva que reflete a dura realidade de Oliver. Não se trata de uma adaptação tímida: Reed abraça o musical com entusiasmo, mesclando números musicais exuberantes com cenas de profunda dramaticidade. A coreografia é impecável, e a fotografia em Technicolor realça a riqueza dos figurinos e a beleza das locações. Algumas cenas, especialmente as que envolvem Bill Sikes, carregam um peso visual inesquecível, tão potentes quanto qualquer sequência de um thriller contemporâneo.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Carol Reed |
| Roteirista | Vernon Harris |
| Produtor | John Woolf |
| Elenco Principal | Ron Moody, Shani Wallis, Oliver Reed, Harry Secombe, Mark Lester |
| Gênero | Drama, Família |
| Ano de Lançamento | 1968 |
| Produtoras | Warwick Film Productions, Romulus Films, Columbia Pictures |
O roteiro de Vernon Harris, embora condensando a vasta obra de Dickens, preserva a essência da história e de seus personagens. O talento do elenco é inegável. Ron Moody, como Fagin, é absolutamente memorável, oferecendo uma performance complexa e multifacetada. Ele não é simplesmente um vilão unidimensional, mas um personagem tragicamente complexo, cujas nuances são maravilhosamente exploradas pelo ator. Shani Wallis, como Nancy, entrega uma interpretação visceral e comovente, e Oliver Reed, como o brutal Bill Sikes, é a personificação do terror, deixando uma marca indelével na memória. Mark Lester, como o próprio Oliver, embora jovem, carrega o peso da narrativa com sensibilidade e talento. A escolha do elenco foi um golpe de mestre, um ponto alto da produção.
Apesar de seu inegável sucesso – e tenho certeza que aqueles que viram o filme em sua estreia em 31 de maio de 2007 (no Brasil) podem atestar sua popularidade – Oliver! não está isento de críticas. Algumas adaptações de Dickens para o cinema (e para os palcos) são mais fiéis ao tom e à complexidade de sua escrita, enquanto essa versão prioriza o espetáculo musical. No entanto, a energia vibrante do filme, a força de suas performances, e sua capacidade de transportar o espectador para a Londres vitoriana tornam esses pontos negativos quase irrelevantes.
A mensagem central, para mim, transcende a mera história de um órfão. É uma crítica pungente à desigualdade social, à exploração dos mais vulneráveis e à busca incessante por um lugar no mundo. A ausência de um final completamente “feliz” para todos os personagens também é um elemento que o eleva acima de outros musicais de sua época, conferindo-lhe um tom mais realista e complexo. Oliver não encontra uma solução mágica para todos os seus problemas; a jornada, com suas tristezas e alegrias, é parte da mensagem. E isso, em 2025, continua a ressoar com força.
Recomendo Oliver! sem hesitar. É um filme que atravessa gerações, um espetáculo musical memorável que prende a atenção do público com sua história tocante e suas performances inesquecíveis. Se você busca uma experiência cinematográfica que combina entretenimento com uma reflexão profunda sobre a condição humana, esse é o filme certo. As décadas que se passaram desde sua produção não conseguiram diminuir seu impacto, e eu acredito que ainda hoje ele pode comover e inspirar novas audiências. E talvez, faça nascer em alguém a mesma paixão que nutro por ele desde aquela tarde de domingo, há tantos anos.




