Revenger (2018), do diretor Lee Seung-Won, irrompe na tela como uma potente fusão de artes marciais e suspense criminal. Lançado em 6 de dezembro de 2018, o filme joga seu protagonista, um ex-detetive assombrado pelo assassinato da família, em uma ilha remota que funciona como um purgatório para os condenados à morte, onde ele busca vingança. É uma premissa clássica de retribuição, mas elevada pelo cenário implacável e pela crueza de suas sequências de combate.
Mais do que uma simples narrativa de vingança, Revenger funciona como um estudo visceral sobre a desumanização e a resiliência em um ambiente onde as noções de justiça e moralidade são completamente distorcidas. O filme argumenta que, em um mundo sem lei, a vingança pode ser a única forma de ordem, mas a um custo devastador para a alma, forçando o protagonista a confrontar a própria selvageria para sobreviver e cumprir seu propósito. A ilha não é apenas uma prisão, mas um espelho amplificado da crueldade humana.
Lee Seung-Won, nesta produção, demonstra uma direção que privilegia a brutalidade tátil e a intensidade física. O cineasta não se esquiva da violência explícita, utilizando-a não por sensacionalismo, mas para sublinhar a desesperança do cenário. Sua abordagem estética é caracterizada por uma paleta de cores dessaturada e uma iluminação sombria que acentua a atmosfera opressiva da ilha. O diretor orquestra as sequências de ação com uma fluidez impressionante, permitindo que as coreografias de artes marciais de Bruce Khan se destaquem sem cortes excessivos, valorizando a performance física dos atores.
O roteiro, assinado pelo próprio 브루스 칸 (Bruce Khan), que também estrela como o protagonista Kim Yool, é enxuto, priorizando a ação e a progressão visual em detrimento de longos diálogos expositivos. Essa escolha narrativa amplifica o impacto das expressões e dos movimentos, tornando a linguagem corporal o principal veículo para a emoção e a intenção dos personagens. A atuação de Khan é uma força motriz, sua fisicalidade e a intensidade de seu olhar transmitem a angústia e a determinação inabalável de Yool. 박희순 (Carlos Kuhn) entrega um antagonista que exala uma ameaça calculista; sua performance contida, mas carregada de malícia, complementa a fúria de Yool. A cinematografia adota uma abordagem muitas vezes visceral, com câmera na mão em momentos-chave de combate para imergir o espectador na coreografia, enquanto planos mais abertos capturam a vastidão desoladora da ilha. O design de som, por sua vez, é crucial para a imersão, com cada golpe, cada impacto e o ambiente sonoro da prisão contribuindo para a crueza da experiência.
| Direção | Lee Seung-Won |
| Roteiro | 브루스 칸 |
| Elenco Principal | 브루스 칸 (Kim Yool), 박희순 (Carlos Kuhn), 윤진서 (Mali), 김인권 (Bau), Kim Na-yeon (Jin) |
| Gêneros | Ação, Crime, Thriller |
| Lançamento | 06/12/2018 |
| Produção | Green Fish Pictures, Little Big Pictures, Landmark Asia Holdings, Musa Productions |
O tema central de Revenger é a inevitabilidade da violência como resposta à violência, particularmente em um vácuo moral. A busca de Kim Yool pela vingança é apresentada não como uma jornada de redenção, mas como uma descida necessária ao inferno para confrontar seus demônios pessoais e os assassinos de sua família. Uma cena particularmente marcante é o confronto final de Yool com Carlos Kuhn, onde a brutalidade coreografada transcende a mera luta, tornando-se uma dança de desespero e ódio, revelando como ambos os personagens foram irremediavelmente corrompidos pelo ambiente e pela própria sede de sangue. A presença de personagens como Mali (Yoon Jin-seo) e Bau (Kim In-kwon) adiciona camadas de humanidade e tragédia à narrativa, ilustrando as diferentes formas de sobrevivência e sacrifício em um cenário tão hostil.
Revenger se estabelece firmemente no nicho do thriller de ação de artes marciais de prisão. Dentro deste subgênero que valoriza o combate corpo a corpo brutal em ambientes confinados, o filme coreano encontra paralelos em obras que exalam uma energia similar. Poder-se-ia traçar um paralelo com a intensidade claustrofóbica e as sequências de luta implacáveis de The Raid (Indonésia), que redefiniu o gênero ao entregar uma coreografia esmagadora dentro de um edifício-prisão. Da mesma forma, ressoa com o espírito de Undisputed II: Last Man Standing (EUA), que elevou o subgênero de lutas em prisões com sua ênfase em estilos de combate diversos e uma narrativa focada na sobrevivência e honra em um ambiente de pura barbárie. Revenger distingue-se, no entanto, pela sua incorporação de um estilo de luta coreano distinto e uma nuance dramática que, embora não seja aprofundada, adiciona uma camada de melancolia ao seu espetáculo de violência.
Revenger é uma experiência cinematográfica visceral e implacável, que satisfaz plenamente os aficionados por sequências de artes marciais cruas e narrativas de vingança descomprometidas. Embora a trama siga um arco familiar, o filme se destaca pela excelência de sua coreografia de combate, a performance física magnética de Bruce Khan e a atmosfera sufocante criada pela direção de Lee Seung-Won. É um filme para aqueles que buscam a adrenalina de embates corpo a corpo intensos e uma exploração sombria da brutalidade humana, sem desviar o olhar das consequências da retribuição em seu estado mais puro.




