The Magic Tuche

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A comédia francesa, em suas melhores iterações, possui uma capacidade singular de espelhar e subverter as normas sociais através do humor. The Magic Tuche (Les Tuche 3, no original), de 2018, emerge como um exemplar dessa tradição, catapultando a excêntrica e adorada família Tuche diretamente para o epicentro do poder francês: o Palácio do Eliseu. O filme não é meramente uma continuação das desventuras da família que ganhou na loteria; ele se estabelece como uma observação mordaz, embora bem-humorada, sobre a identidade nacional francesa e o embate perpétuo entre as classes sociais.

A tese central da obra reside na exploração da autenticidade versus a artificialidade dos costumes, especialmente quando a cultura popular colide com a elite política. The Magic Tuche argumenta que, por trás das fachadas de formalidade e decoro, a essência humana — com suas idiossincrasias, afeto e, por vezes, a total falta de tato — permanece inalterada, capaz de desmascarar a rigidez institucional com a mais simples das verdades. O filme não apenas satiriza a política, mas também celebra a resiliência e o charme pouco convencional de uma família que se recusa a ser moldada por expectativas alheias.

A direção de Olivier Baroux, que já havia comandado os dois filmes anteriores da franquia, mostra uma evolução notável na forma como orquestra o caos. Baroux refina seu estilo, que antes se inclinava mais para a comédia escrachada, ao infundir momentos de sátira mais incisiva. A transição do cenário pitoresco e familiar dos filmes anteriores para os salões austeros e grandiosos do Eliseu é visualmente sublinhada por uma fotografia que alterna entre planos abertos que enfatizam a imponência do palácio e closes que capturam as reações impagáveis e os pequenos gestos de inadequação da família.

Tecnicamente, o roteiro, assinado por uma equipe que inclui o próprio Jean-Paul Rouve e Olivier Baroux, é um dos pilares da comédia. A escrita é ágil, repleta de diálogos que exploram o contraste entre a linguagem coloquial e direta dos Tuche e o jargão político formal. Há uma cena memorável, por exemplo, onde Jeff Tuche, interpretado por Rouve, tenta discutir políticas de emprego usando analogias extraídas de seu passado humilde, um momento que evidencia a genialidade do roteiro em criar humor a partir da colisão de mundos. A atuação é, sem dúvida, o motor principal. Jean-Paul Rouve e Isabelle Nanty, como Jeff e Cathy Tuche, entregam performances carismáticas e fisicamente expressivas, mantendo a essência adoravelmente ingênua de seus personagens, mesmo em situações absurdas. A química da família é palpável, e a sincronia entre eles sustenta as cenas mais complexas. A montagem contribui significativamente para o ritmo da comédia, com cortes precisos que acentuam o timing cômico, particularmente nas sequências de embaraço social, onde as reações do establishment político aos Tuche são tão importantes quanto as ações da família.

Direção Olivier Baroux
Roteiro Jean-Paul Rouve, Julien Hervé, Nessim Chikhaoui, Olivier Baroux, Philippe Mechelen
Elenco Principal Jean-Paul Rouve (Jeff Tuche), Isabelle Nanty (Cathy Tuche), Claire Nadeau (Mamie Suze), Sarah Stern (Stéphanie Tuche), Pierre Lottin (Wilfried Tuche)
Gêneros Comédia
Lançamento 31/01/2018
Produção Pathé, TF1 Films Production

Os temas centrais que The Magic Tuche aborda são a luta de classes, a identidade cultural francesa e a busca por autenticidade. O filme explora o quanto o dinheiro pode comprar conforto, mas nunca a “classe” no sentido aristocrático, e questiona a validade dessa própria distinção. Uma cena particularmente elucidativa ocorre quando Mamie Suze (Claire Nadeau) decide que o mobiliário palaciano precisa de um toque mais “caseiro”, substituindo peças de arte valiosas por objetos kitsch, um ato que simultaneamente choca e diverte, simbolizando a imposição de uma cultura sobre outra. A relevância cultural do filme reside na sua capacidade de fazer o público rir de suas próprias pretensões e divisões, promovendo uma reflexão sobre o que realmente significa “ser francês” em uma sociedade multifacetada.

No panorama das comédias francesas de choque de classes, The Magic Tuche se insere em um nicho específico de comédia familiar satírica. A franquia “Les Tuche” é, por excelência, a principal referência. Filmes como “Les Tuche” (2011) e “Les Tuche 2: Le Rêve Américain” (2016) estabeleceram o tom e o universo da família, com The Magic Tuche aprofundando o comentário social ao colocar os personagens em um cenário de poder. Fora da franquia, uma comparação apta seria “Bienvenue chez les Ch’tis” (2008), que também explora o humor derivado de um choque cultural e de identidade regional dentro da França, embora com um enfoque mais nas peculiaridades geográficas do que nas divisões de classe. Ambos os filmes utilizam personagens exagerados e situações cômicas para desconstruir preconceitos e celebrar a singularidade cultural e identitária francesa, sempre com um toque de afeto.

The Magic Tuche não é apenas uma comédia para rir; é uma obra que, com inteligência e um coração caloroso, lança um olhar crítico sobre a sociedade francesa, suas normas e suas hipocrisias. É um filme ideal para entusiastas de comédias que aliam risadas a uma dose de sátira social, e para aqueles que apreciam o charme irreverente do cinema popular francês. O filme reafirma o poder do humor em desarmar tensões e promover, mesmo que por meio do absurdo, uma ponte entre mundos aparentemente irreconciliáveis.

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