SS-GB: Remontando a Segunda Guerra

Publicidade
Assistir quando e onde quiser Assistir

SS-GB: Remontando a Segunda Guerra, a série dramática britânica de 2017 da BBC, mergulha em uma das premissas mais inquietantes da ficção especulativa: o que aconteceria se a Grã-Bretanha caísse sob o domínio nazista em 1941? Longe de ser apenas uma fantasia histórica, a adaptação do romance de Len Deighton de 1978 emerge como um estudo penetrante sobre a resiliência psíquica de uma nação subjugada e as complexas nuances morais da colaboração e resistência. Sua tese central reside na exploração do silêncio ensurdecedor de uma sociedade em colapso, onde a identidade britânica é gradualmente reescrita e a busca por justiça se torna um ato de rebeldia silencioso, mas monumental.

Sob a direção meticulosa de Philipp Kadelbach, conhecido por sua habilidade em forjar atmosferas densas em dramas de alto risco, SS-GB constrói uma Londres desolada, tingida por uma paleta de cores frias e acinzentadas que espelham a esperança esmaecida de seus habitantes. A evolução de Kadelbach aqui demonstra uma maestria em transformar o cenário urbano em um personagem por si só, transmitindo a opressão através de tomadas longas e panorâmicas que enfatizam a vastidão do controle nazista, contrastando com a claustrofobia dos interrogatórios e dos esconderijos da resistência.

Tecnicamente, a série é uma proeza na construção de um universo distópico tangível. A cinematografia de David Luther emprega uma iluminação difusa e naturalista, que, em cenas como a descoberta do assassinato inicial, evoca um sentimento noir palpável. O design de som é outro pilar fundamental; o sussurro constante de ordens em alemão, o som distante de patrulhas e a ausência quase total de música grandiosa no início da série imersam o espectador na sensação de vigilância onipresente. O roteiro de Robert Wade e Neal Purvis, apesar da complexidade inerente da trama de espionagem e assassinato, consegue tecer uma narrativa que, embora lenta em seu ritmo, é implacável em sua tensão crescente. Sam Riley, como o detetive Douglas Archer, entrega uma performance notavelmente contida. Seus olhos, muitas vezes vazios, mas ocasionalmente cintilantes com um lampejo de desafio ou desespero, comunicam a exaustão e o dilema moral de um homem forçado a servir seus conquistadores enquanto secretamente anseia por uma verdade que pode custar-lhe tudo. Em uma cena particularmente marcante, Archer é confrontado com a escolha de entregar um colega da resistência; a hesitação em seu olhar e a rigidez de sua postura, mesmo diante de uma ameaça velada, revelam a complexidade de sua lealdade dividida, um ato de atuação sutil que ressoa com o peso de uma nação inteira.

Os temas de SS-GB são intrinsecamente ligados às suas palavras-chave: a natureza corruptora da ocupação nazista, a desesperada chama da resistência e o instinto humano pela verdade. A série não idealiza a resistência, mas a apresenta como uma luta fragmentada e perigosa, onde o heroísmo é muitas vezes indistinguível da futilidade. O assassinato que impulsiona a trama não é apenas um mistério a ser resolvido, mas um catalisador para Archer questionar a realidade que lhe foi imposta, revelando as rachaduras na fachada de ordem nazista. A série explora a ideia de que, mesmo sob o regime mais brutal, a busca por justiça e a recusa em aceitar a narrativa oficial podem se tornar as últimas fronteiras da liberdade individual.

Direção Philipp Kadelbach
Criação Len Deighton, Neal Purvis, Robert Wade
Roteiro Robert Wade, Neal Purvis
Elenco Principal Sam Riley (Douglas Archer), Kate Bosworth (Barbara Barga), Rainer Bock (Fritz Kellermann), Aneurin Barnard (PC Jimmy Dunn), Christina Cole (Mrs Sheenan)
Gêneros Action & Adventure, Drama, Sci-Fi & Fantasy
Lançamento 19/02/2017
Produção Sid Gentle Films, BBC

No nicho de “Drama Noir de História Alternativa de Ocupação”, SS-GB encontra paralelos notáveis. Ela se alinha tematicamente com The Man in the High Castle (2015-2019), ao apresentar uma realidade onde as Potências do Eixo triunfaram, explorando o impacto psicológico e social de uma ocupação estrangeira na identidade nacional. Ambas as séries investigam as complexas dinâmicas de resistência, colaboração e a manipulação da história. Outra obra que ressoa é o filme Fatherland (1994), que, embora ambientado décadas após a vitória nazista, compartilha com SS-GB a estética noir e a premissa de um detetive investigando um assassinato dentro de um regime totalitário, abordando a reescrita da memória histórica e a opressão cultural. Em SS-GB, o enfoque cultural/identitário reside na desconstrução da “britanidade” sob o jugo nazista, questionando o que permanece de uma nação quando sua soberania e valores são sistematicamente erodidos.

SS-GB: Remontando a Segunda Guerra não é apenas um exercício de “e se”; é uma meditação sombria sobre a fragilidade da liberdade e a corrosão da moralidade em tempos de tirania. A série é ideal para espectadores que apreciam dramas históricos com uma pitada de ficção especulativa, thrillers de espionagem densos e personagens que lutam com dilemas éticos complexos. Sua relevância contemporânea é inegável, servindo como um lembrete vívido de como a verdade pode ser distorcida e a identidade subjugada em um mundo em constante fluxos de poder. É uma narrativa que desafia o público a confrontar os limites da resistência humana e as sombras persistentes da história.

Publicidade

Ofertas Imperdíveis na Shopee

Que tal uma pausa? Confira as melhores ofertas do dia na Shopee!

Aproveite cupons de desconto e frete grátis* em milhares de produtos. (*Consulte as condições no site).

Ver Ofertas na Shopee