Amores Rebeldes: Um retrato cru, mas necessário, da juventude em 2020
Confesso que cheguei a Lovecut (título internacional de Amores Rebeldes) com certa reserva. Mais um filme sobre adolescentes lidando com amor e sexualidade na era digital? Já vi isso antes, pensei. Mas, cá entre nós, a sinopse, que prometia um olhar sobre três casais em meio aos conflitos da identidade e da sociedade em rápida transformação, me fisgou. E, felizmente, o filme superou minhas expectativas, mesmo que com algumas ressalvas.
O longa acompanha, em diferentes histórias entrelaçadas, três jovens casais em seus embates com o amor, a sexualidade e a construção de suas identidades numa sociedade digital, cada vez mais complexa. É um retrato fugaz, um instante capturado de suas vidas, sem aprofundamento excessivo em nenhuma das narrativas. Essa escolha, apesar de gerar alguns questionamentos, acaba sendo uma de suas maiores forças.
A direção de Iliana Estañol e Johanna Lietha é segura e eficiente. A câmera, muitas vezes observadora, captura a espontaneidade e a fragilidade dos personagens com sensibilidade. Há uma certa frieza calculada, que reflete o distanciamento e a superficialidade de um mundo online, mas ao mesmo tempo, os momentos de vulnerabilidade são registrados com delicadeza. O roteiro, também assinado por Estañol e Lietha, apesar de não ser revolucionário, é inteligente na forma como tece as histórias paralelas, criando ecos e reflexões entre os diferentes casais.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretores | Iliana Estañol, Johanna Lietha |
| Roteiristas | Johanna Lietha, Iliana Estañol |
| Elenco Principal | Sara Toth, Kerem Abdelhamed, Luca von Schrader, Max Kuess, Melissa Irowa |
| Gênero | Drama |
| Ano de Lançamento | 2020 |
| Produtora | Everything Is Film |
As atuações são o ponto alto do filme. Sara Toth, Kerem Abdelhamed, Luca von Schrader, Max Kuess e Melissa Irowa (para citar os principais) entregam performances naturais e convincentes. Eles transmitem, com realismo e sem cair em estereótipos, a insegurança, a paixão, as dúvidas e a força dos jovens protagonistas. Sinto que cada ator conseguiu encontrar a própria voz dentro da narrativa, tornando cada personagem individualmente crível e memorável.
Por outro lado, a fragmentação narrativa pode ser vista como um defeito. O filme opta por apresentar vários personagens e suas complexas relações sem mergulhar a fundo em nenhuma delas. Isso resulta em uma narrativa um pouco superficial em alguns pontos, deixando algumas questões em aberto e gerando um leve desconforto para quem espera uma resolução completa para cada trama. O final, embora coerente com a proposta do filme, pode deixar o espectador com a sensação de que faltou algo mais, uma resposta mais definitiva, um fechamento, mas essa, justamente, não é a proposta do filme.
Amores Rebeldes, lançado originalmente em 2020 e chegando ao Brasil em 02 de setembro de 2021, aborda temas complexos e relevantes para a juventude de então e, acredito, ainda hoje, em 2025. A exploração da identidade sexual em um mundo hiperconectado, a pressão das redes sociais e a construção de relacionamentos na era digital são retratadas com uma honestidade brutal e necessária. O filme não oferece respostas fáceis, mas provoca reflexões importantes sobre a pressão sofrida por essa geração. A mensagem, acredito, vai além do simples entretenimento; é um convite à empatia e à compreensão dos desafios enfrentados por esses jovens.
Em resumo, Lovecut (Amores Rebeldes) é um filme que não se preocupa em oferecer um final de conto de fadas. É um retrato cru, sem filtros, da juventude no início da década de 2020, com suas contradições, incertezas e buscas desesperadas por identidade. Apesar de alguns pontos que poderiam ser melhor explorados, a sensibilidade da direção, as atuações impecáveis e a relevância dos temas abordados tornam o longa uma experiência cinematográfica interessante e, sim, importante. Recomendo a todos que buscam um filme que questione, provoque e, acima de tudo, reflita sobre a complexidade da condição humana, principalmente na sua mais volátil e transformadora fase: a juventude. Vale a pena assistir, principalmente via streaming, e refletir sobre ele dias depois.




