Ah, o Jogo de Amor! É engraçado como algumas histórias nos grudam na memória, não é? Aqui estamos nós, em outubro de 2025, e eu me pego revisitando “O Jogo de Amor – ‘Odio'”, um filme que estreou lá em 2021 (e chegou ao Brasil no comecinho de 2022). O porquê? Bem, talvez seja a busca incessante por aquele calorzinho reconfortante que só uma boa comédia romântica, baseada num livro, consegue oferecer. Ou, quem sabe, é o fascínio por ver a humanidade tropeçar, levantar e, de alguma forma, encontrar o amor nos lugares mais improváveis – como um escritório de uma editora em Nova York, por exemplo.
Quando penso em rivalidade no ambiente de trabalho, minha mente automaticamente evoca a imagem daquele colega que te tira do sério com um sorriso blasé. Em “O Jogo de Amor – ‘Odio'”, Peter Hutchings nos joga de cabeça nessa dinâmica, apresentando Lucy Hutton (a adorável Lucy Hale) e Joshua Templeman (o sempre intenso Austin Stowell). Desde o primeiro fotograma, o ar entre eles é mais carregado do que uma bateria velha na tomada: faíscas de antipatia voam, olhares fulminantes se cruzam, e cada interação é um micro-combate disfarçado de cortesia profissional.
Essa não é uma rivalidade comum, não. É uma dança. Uma coreografia ensaiada à exaustão em que ambos os “inimigos” sabem seus passos, mas se recusam a admitir a melodia que os guia. Lucy, com sua ética inabalável e seu espírito vibrante, encarna a jovem mulher que quer subir na carreira sem vender a alma. Joshua, por outro lado, é o inimigo frio e eficiente, o jovem homem que parece um algoritmo ambulante de produtividade. Eles compartilham um escritório após a fusão de suas respectivas editoras e, de repente, o palco está montado para um duelo pela tão cobiçada promoção a diretor administrativo.
E é aí que a coisa fica boa. O roteiro de Christina Mengert, inteligente ao ponto de nos fazer questionar o que realmente separa o “ódio” da “adoração”, nos convida a observar as rachaduras nas armaduras de Lucy e Joshua. Aquela toxicidade inicial que um crítico captou – “For about five minutes there’s an amusing degree of toxicity between rivals…” – é, de fato, divertida. Mas ela é só a ponta do iceberg. Por baixo daquela superfície de farpas, daquele jogo de gato e rato com post-its e canetas perdidas, existe uma curiosidade, um reconhecimento mútuo, quase uma admiração disfarçada. Quem de nós nunca se viu atraído por aquilo que mais nos desafia, não é? A gente sabe que não devia gostar, mas… ah, o coração tem razões que a própria razão desconhece.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Peter Hutchings |
| Roteirista | Christina Mengert |
| Produtores | Santosh Govindaraju, Dan Reardon, Claude Dal Farra, Brice Dal Farra, Brian Keady |
| Elenco Principal | Lucy Hale, Austin Stowell, Corbin Bernsen, Sakina Jaffrey, Damon Daunno |
| Gênero | Drama, Comédia, Romance |
| Ano de Lançamento | 2021 |
| Produtoras | BCDF Pictures, Convergent Media, Big Indie Pictures, Federal Films, Mister Smith Entertainment, Vertical |
Lucy Hale, com sua expressividade natural, consegue transitar entre a irritação genuína e o brilho nos olhos que denuncia uma atração crescente. Austin Stowell, por sua vez, domina a arte do homem de poucas palavras, mas de muitos olhares. Aqueles pequenos tiques, as contrações na mandíbula de Joshua quando Lucy o provoca, são pequenas migalhas que nos guiam pelo caminho de um homem que, debaixo da fachada de aço, está se derretendo. A química entre eles é palpável, transformando a rivalidade em um prato cheio para o subgênero “enemies to lovers” – um dos meus favoritos, diga-se de passagem.
A produção, com selos como BCDF Pictures e Convergent Media, entregou um cenário que faz justiça à efervescência de Nova York e ao ambiente, por vezes glamoroso e por vezes estressante, de uma publishing house. Vemos Lucy e Joshua trabalhando para a job promotion, não apenas em reuniões tensas, mas também em momentos mais leves, como as festas de fim de ano (holidays), onde as máscaras caem um pouco mais. O filme tece uma teia em que o romance de escritório (office romance) floresce contra todas as probabilidades, mostrando que, sim, dá para se apaixonar pela sua nêmesis.
“O Jogo de Amor – ‘Odio'” talvez não reinvente a roda da comédia romântica, mas ele a faz girar com um charme genuíno e uma sinceridade que nos alcança. É um lembrete de que, mesmo em meio à busca implacável pelo sucesso profissional, à competitividade e aos muros que construímos ao redor de nossos corações, o amor-e-ódio tem uma linha tênue. E, às vezes, é exatamente nessa linha que a gente encontra aquilo que não sabia que estava procurando. É um filme que, três anos depois de sua estreia, ainda me faz sorrir e, mais importante, me faz acreditar que o jogo do amor vale a pena ser jogado, mesmo quando o tabuleiro está cheio de ‘odio’.




