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Life/Like: Uma Ode à Solidão Digital ou um Grito no Vazio?

Quatro anos se passaram desde que Life/Like, a obra prima (ou seria uma obra-prima falha?) de Audrey Robinovitz, chegou às plataformas digitais em 2021. O tempo, como costuma fazer, trouxe consigo uma nova perspectiva sobre este filme singular, que se recusa a ser enquadrado em categorias fáceis. Não é um documentário, não é propriamente ficção, e muito menos uma animação convencional, apesar da animação dar o tom à narrativa. É, na verdade, uma experiência; uma imersão na solidão e na fragilidade da comunicação em um mundo cada vez mais mediado por telas.

A sinopse, sem spoilers, é simples: uma exploração íntima do mundo digital e de como ele molda nossas experiências. É um estudo de caso fascinante, visto exclusivamente através do prisma da voz de Audrey Robinovitz (que também assina a direção), uma narrativa que pulsa entre o relato confessional e a poesia pura e crua. A câmera não mostra rostos, ambientes, nada que não seja sugerido pela voz e pela animação abstrata que acompanha a jornada.

Robinovitz, na direção, demonstra uma mão firme e visionária. Ela escolheu a abstração como linguagem, uma escolha corajosa que poderia ter sido fatal, mas que se revela, aqui, uma ferramenta poderosa. A animação, embora simples, evoca uma gama enorme de emoções; a solidão, a angústia, a busca pela conexão. A decisão de não utilizar imagens realistas força o espectador a se concentrar na narração, a se conectar com a vulnerabilidade da voz de Robinovitz de forma mais profunda.

Atributo Detalhe
Diretora Audrey Robinovitz
Elenco Principal Audrey Robinovitz
Ano de Lançamento 2021

E a voz! Esta é a verdadeira estrela do filme. A performance vocal de Robinovitz transcende a mera atuação; é uma entrega visceral, uma imersão completa no personagem, que se confunde com a própria autora. É ao mesmo tempo crua e contida, revelando a fragilidade e a força de uma personagem que luta por se comunicar em um mundo que, ironicamente, está sobrecarregado de comunicação.

Mas, nem tudo são flores no paraíso pixelado de Life/Like. A extrema abstração visual, que é o grande trunfo do filme, pode também ser seu maior obstáculo. Alguns espectadores, acostumados a narrativas mais tradicionais, podem se sentir perdidos ou desinteressados pela falta de imagens “concretas”. A ausência de uma narrativa linear também pode ser frustrante para quem busca uma experiência mais convencional.

O filme, em sua essência, aborda temas atemporais: a solidão, a busca pela conexão autêntica em um mundo digital, a fragilidade da comunicação humana. Mas aqui, esses temas ganham uma urgência nova, uma relevância pungente frente ao nosso cotidiano superconectado e, paradoxalmente, desconectado. Life/Like é uma meditação sobre a natureza efêmera das relações online e a constante busca por uma autenticidade que parece se esvair entre bits e bytes.

Ao concluir a experiência de assistir a Life/Like, não se pode deixar de se questionar sobre a própria relação com a tecnologia e como ela molda nossa existência. Em 2025, quatro anos após seu lançamento, o filme não perdeu sua potência. Pelo contrário, ele parece mais relevante do que nunca. Recomendo fortemente Life/Like, mas com ressalvas. Se você procura um filme de ação ou uma trama complexa, este não é o seu lugar. Mas, se está aberto a uma experiência cinematográfica única, perturbadora e profundamente humana, então mergulhe de cabeça nesse universo minimalista e profundamente comovente. A jornada valerá a pena.

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