Godzilla vs. Kong

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Em outubro de 2025, olhando para trás, alguns filmes simplesmente grudam na nossa memória, não pela profundidade shakespeariana de seus diálogos, mas pela pura e desavergonhada adrenalina que nos injetam. Godzilla vs. Kong é um desses fenômenos. Lembro-me vividamente da expectativa que pairava no ar em 2021, quando a promessa de ver o Rei dos Monstros e o oitavo Maravilha do Mundo se pegando na porrada finalmente se concretizaria. Você, como eu, provavelmente sentiu aquele friozinho na barriga, não é? A gente cresce com esses ícones, e a ideia de vê-los colidindo em uma escala gigantesca é quase uma peregrinação cinematográfica.

Dirigido com um pulso firme por Adam Wingard, este filme é, sem rodeios, o deleite supremo para os amantes da sétima arte que buscam o escapismo mais grandioso. Esqueça as pretensões de um drama existencial; aqui, o objetivo é explodir a tela com luzes, sons e, sim, o visual espetacular de um lagarto atômico trocando sopapos com um gorila colossal. Não há como negar o prazer visceral de assistir a essas duas forças primordiais, Godzilla e Kong, liberando toda a sua fúria um contra o outro. É um balé caótico de destruição, onde cada soco é um terremoto, cada rugido uma sinfonia apocalíptica e cada arranha-céu que desmorona serve de pirotecnia para o nosso entretenimento. Os roteiristas Eric Pearson e Max Borenstein pareciam ter uma única missão: entregar a maior briga de monstros da história do cinema, e eles, com a ajuda luxuosa da Legendary Pictures, cumpriram essa promessa de forma estrondosa.

E os humanos, você pergunta? Ah, os humanos… Alexander Skarsgård como o Dr. Nathan Lind, Rebecca Hall como a Dra. Ilene Andrews, e a sempre carismática Millie Bobby Brown retornando como Madison Russell, junto com o hilário Brian Tyree Henry interpretando Bernie Hayes. Eles estão lá, claro, correndo, investigando, descobrindo pistas sobre as origens dos Titãs e uma conspiração que ameaça acabar com tudo. Mas, sejamos honestos, a grande sacada de Godzilla vs. Kong é que ele aprendeu com os tropeços do passado do MonsterVerse. Os personagens humanos, por mais que tentassem nos ancorar na narrativa com suas tramas de ficção científica e aventura, sabiam seu lugar: servir de ponte para o que realmente importava. Eles não são apenas “enfeites de janela”, como alguns críticos carinhosamente apontaram, mas sim o motor que nos leva de uma batalha titânica para a próxima, sem se intrometer demais. A verdadeira estrela, e um ponto emocional surpreendentemente cativante, é Kaylee Hottle como Jia, a menina surda que se comunica com Kong através da linguagem de sinais. A conexão entre os dois adiciona uma camada de ternura e vulnerabilidade ao gorila gigante que é simplesmente impossível não se apaixonar. Essa relação nos faz torcer não apenas pela sobrevivência de Kong, mas pela sua alma.

Os produtores Jon Jashni, Mary Parent, Brian Rogers, Thomas Tull, Alex Garcia e Eric McLeod, sob a bandeira da Legendary Pictures, nos entregaram uma produção de tirar o fôlego. Desde os detalhes minúsculos na pele escamosa de Godzilla até a textura dos pelos de Kong, cada frame é uma obra de arte digital. A escala dos ambientes – de Hong Kong iluminada por neon a misteriosas terras ocas – é gigantesca e contribui imensamente para a imersão. É um verdadeiro espetáculo para os olhos e ouvidos, onde a ação pura e a ficção científica se encontram em um abraço explosivo. O filme é uma verdadeira carta de amor aos creature features e aos kaiju que tanto amamos, revigorando o gênero com uma energia moderna e um toque de nostalgia. E sim, ainda hoje, quatro anos depois de sua estreia, a cena em que você vê um certo “robô dinossauro” em ação continua sendo um dos pontos mais altos, levando a loucura kaiju para um patamar inesperado.

Atributo Detalhe
Diretor Adam Wingard
Roteiristas Eric Pearson, Max Borenstein
Produtores Jon Jashni, Mary Parent, Brian Rogers, Thomas Tull, Alex Garcia, Eric McLeod
Elenco Principal Alexander Skarsgård, Rebecca Hall, Kaylee Hottle, Brian Tyree Henry, Millie Bobby Brown
Gênero Ação, Ficção científica, Aventura
Ano de Lançamento 2021
Produtora Legendary Pictures

Godzilla vs. Kong é, em sua essência, entretenimento pipoca da mais alta qualidade. Não é um filme que você assiste para refletir sobre a condição humana, mas para celebrar o puro espetáculo cinematográfico. É uma montanha-russa de emoções primárias: a tensão da aproximação dos monstros, a euforia da batalha, a surpresa de ver o inesperado. É a culminação satisfatória de uma saga de monstros, entregando exatamente o que prometeu e muito mais. E, no final das contas, não é isso que a gente quer de um filme como esse? Que ele nos transporte, que nos faça esquecer o mundo lá fora por duas horas e nos deixe com um sorriso bobo no rosto e a sensação de que valeu cada segundo? Para mim, Godzilla vs. Kong fez isso, e continua fazendo cada vez que o revisito. É um filme essencial para quem, como eu, ainda se encanta com a ideia de ver um lagarto dar um soco num macaco. E que soco!