Blackout

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Sabe aquela sensação quando a adrenalina começa a bombear nas veias e você se pega à beira do assento, quase torcendo para que o protagonista consiga desvendar o mistério antes que seja tarde demais? É exatamente isso que busco quando mergulho em um bom thriller de ação, e foi com essa expectativa – e um certo otimismo intrínseco de cinéfilo inveterado – que me lancei a Blackout, o filme que Sam Macaroni nos entregou em 2022.

Por que falo disso agora, em pleno outubro de 2025? Porque, mesmo depois de alguns anos, certas histórias ficam martelando na nossa cabeça, e Blackout é uma delas, nem que seja pela forma como brinca com um dos meus medos mais primitivos: perder quem eu sou. Imagina você acordar em um hospital, com a cabeça zumbindo, e a única coisa que sabe é que não sabe absolutamente nada. Nem seu nome, nem seu passado, nada. E para piorar, tem gente querendo te matar. Pois é, essa é a aposta inicial de Blackout, e, convenhamos, é um chamariz e tanto para quem curte uma boa perseguição.

O enredo, escrito por Van B. Nguyen, coloca Josh Duhamel na pele de Cain, o nosso homem sem memória no meio de um turbilhão mexicano. Eu, que já vi Duhamel em papéis mais heroicos e até em comédias românticas, fiquei genuinamente intrigado para ver como ele se sairia com essa carga de desorientação e perigo iminente. E, vou te dizer, ele entrega. Não é aquele tipo de atuação que te faz chorar, mas é visceral na medida certa. O olhar de Cain, perdido e, ao mesmo tempo, determinado a sobreviver, é um dos pontos altos. Você consegue sentir o pavor gelado escorrendo por seus poros quando ele percebe que cada sombra pode esconder um inimigo, cada rosto, uma ameaça. É um desempenho que, se não reinventa a roda do amnésico, certamente a faz girar com bastante competência.

A narrativa não perde tempo. Cain mal abre os olhos e já está fugindo de um cartel que, por algum motivo ainda obscuro para ele (e para nós, no início), quer eliminá-lo. O ritmo é frenético, uma dança caótica de tiros, fugas e a busca desesperada por respostas. Macaroni, na direção, mostra que entende do riscado quando o assunto é ação. As sequências de combate são bem coreografadas, a câmera se move com uma energia quase palpável, e a sensação de perigo é constante. Não há espaço para respirar, o que, para um thriller, é ouro. As produtoras Patriot Pictures, Itaca Films e Lost Winds Entertainment parecem ter dado a liberdade necessária para que essa veia pulsante da ação viesse à tona.

Atributo Detalhe
Diretor Sam Macaroni
Roteirista Van B. Nguyen
Produtores Michael Mendelsohn, Jim Steele
Elenco Principal Josh Duhamel, Abbie Cornish, Omar Chaparro, Nick Nolte, Lou Ferrigno Jr.
Gênero Ação, Aventura, Thriller
Ano de Lançamento 2022
Produtoras Patriot Pictures, Itaca Films, Lost Winds Entertainment

E por falar em quem acompanha Cain nessa jornada infernal, Abbie Cornish surge como Anna, e Omar Chaparro como Eddie. Cornish, com sua presença forte, traz uma camada de mistério e uma força feminina que complementa bem a bruteza de Duhamel. Já Chaparro, que costumamos ver em comédias, surpreende ao entregar um personagem que, embora possa ter momentos de alívio cômico, é parte fundamental da teia de lealdades e traições. E então, meu amigo, tem Nick Nolte. Ah, Nick Nolte. Como Ethan McCoy, ele não precisa de muito tempo de tela para roubar a cena. A voz rouca, o olhar cansado e ao mesmo tempo sagaz, a gravidade que ele imprime a cada palavra… É como se ele chegasse e preenchesse a tela com décadas de experiência, dando um peso dramático à trama que, de outra forma, poderia se perder na pura pancadaria. É um daqueles casos em que a presença de um ator veterano eleva o material. Lou Ferrigno Jr. como o Agente Jackson Jacobs também tem seu papel, adicionando uma peça-chave ao tabuleiro de quem está caçando quem.

Mas não se engane, Blackout não é uma obra-prima que vai mudar sua vida ou te fazer repensar a condição humana de forma profunda. O filme se propõe a ser um thriller de ação direto, com uma premissa sólida, e cumpre o que promete. A complexidade não reside em reviravoltas mirabolantes que desconstroem o gênero, mas sim na maneira como a tensão é construída e mantida, e como a performance de Duhamel nos convence de que o desespero de Cain é, de fato, o nosso. O cenário mexicano, com suas cores quentes e, ao mesmo tempo, suas sombras ameaçadoras, serve como um pano de fundo quase um personagem em si, contribuindo para a atmosfera de perseguição e incerteza.

Se você está procurando uma tarde de cinema em que pode desligar um pouco o cérebro e deixar a adrenalina tomar conta, Blackout é uma pedida honesta. Ele talvez não esteja no panteão dos maiores thrillers de todos os tempos, mas tem suas qualidades. É aquele filme que te agarra pelos ombros, te sacode um pouco e te deixa com o coração acelerado, pensando no quão assustador seria não saber quem você é, enquanto o mundo inteiro parece querer te apagar. E, para mim, essa simples entrega de emoção, sem grandes pretensões artísticas, já é uma vitória e tanto. Afinal, às vezes tudo o que a gente quer é uma boa dose de ação para nos fazer esquecer dos próprios problemas por duas horinhas, não é mesmo? E nesse quesito, Blackout entrega o que promete, e com um certo estilo.