A Bolha: Uma Surpresa Gótica que Explode (ou Não) na Tela
Confesso, quando vi a sinopse de A Bolha, meu primeiro pensamento foi: “Mais um filme de terror adolescente genérico?”. A combinação de mistério, thriller, terror, comédia, fantasia e ficção científica me pareceu uma receita para o desastre, um Frankenstein cinematográfico fadado ao esquecimento. Mas, para minha grata surpresa (e talvez um pouco de choque), A Bolha, lançado em 05/07/2025, acabou sendo algo bem diferente – e muito mais interessante – do que eu esperava.
Neste artigo:
Uma Sinopse Sem Spoilers (ou Quase)
Em um colégio isolado com arquitetura gótica e um passado sombrio, alunos começam a presenciar eventos inexplicáveis. O desaparecimento de um professor e uma série de apagões misteriosos desencadeiam uma investigação por parte de um grupo de estudantes, que descobrem um livro antigo repleto de segredos obscuros. Este livro revela um ritual inacabado, envolvendo uma entidade poderosa aprisionada sob a escola. A partir daí, a trama se desenrola em uma busca por respostas e, é claro, pela sobrevivência.
Direção, Roteiro e Atuações: Um Trio Intrigante
Gustavo Mendonça, que também protagoniza o filme, assume a direção com uma mão firme, criando uma atmosfera densa e eficaz. A fotografia, sombria e rica em detalhes, contribui fortemente para a atmosfera gótica e claustrofóbica do IFMA. Apesar de a mistura de gêneros parecer arriscada, o roteiro, escrito por Guilherme Comunista, Gustavo Mendonça e Guilherme Carvalho, consegue equilibrar os tons com uma surpreendente maestria, evitando cair na mesmice ou na incoerência. Há momentos de terror genuíno, outros de humor negro inteligente, e alguns de suspense que prendem o espectador à poltrona.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Gustavo Mendonça |
| Roteiristas | Guilherme Comunista, Gustavo Mendonça, Guilherme carvalho |
| Elenco Principal | Gustavo Mendonça, Caroline Alencar, Mikael Oliveira, Guilherme, Paulo |
| Gênero | Mistério, Thriller, Terror, Comédia, Fantasia, Ficção científica |
| Ano de Lançamento | 2025 |
| Produtoras | FlopPictures, ScatMotion, NewMfx Entreteniment |
As atuações são, em sua maioria, sólidas. Gustavo Mendonça entrega uma performance convincente, equilibrando a liderança com a vulnerabilidade de seu personagem. Caroline Alencar e Mikael Oliveira também se destacam, oferecendo interpretações que transcendem os arquétipos adolescentes comuns nesses tipos de filmes. Guilherme (Guilherme Comunista) e Paulo, apesar de seus papéis menores, cumprem seus papéis com eficácia, adicionando camadas de humor e intriga à narrativa.
Pontos Fortes e Fracos: O Equilíbrio Precário
O maior trunfo de A Bolha é sua originalidade. Em um cenário saturado de clichês, o filme consegue se destacar pela trama instigante e pela abordagem criativa dos gêneros. A ambientação gótica e os elementos sobrenaturais são explorados com maestria, criando uma atmosfera verdadeiramente arrepiante. A trilha sonora também contribui significativamente para a construção da tensão.
Por outro lado, o filme não é perfeito. Alguns personagens secundários poderiam ter sido mais desenvolvidos, e o ritmo, em alguns momentos, oscila um pouco. O final, embora satisfatório, poderia ter sido mais impactante. A comédia, por vezes, pode parecer um tanto destoante do tom geral, mas esse é um ponto discutível, dependendo da sensibilidade do espectador.
Temas e Mensagens: Além do Sobrenatural
A Bolha não se limita a ser um filme de terror. Ele explora temas relevantes, como a busca pela identidade, a amizade, e a importância da resiliência frente ao desconhecido. A trama funciona como uma metáfora para a luta contra os nossos próprios medos e a descoberta dos segredos obscuros que podemos carregar dentro de nós.
Conclusão: Vale a Pena Assistir?
Apesar de seus pequenos defeitos, A Bolha é uma grata surpresa. Ele oferece uma experiência cinematográfica completa e envolvente, que consegue equilibrar suspense, terror, comédia e elementos de fantasia e ficção científica de maneira surpreendente. Se você busca um filme original e bem produzido, que não se limita aos clichês do gênero, eu recomendo fortemente que você assista a A Bolha nas plataformas digitais ou cinemas ainda em exibição. Não se deixe enganar pela sinopse inicial – você pode encontrar um verdadeiro diamante bruto. Para mim, A Bolha é uma prova de que o cinema brasileiro continua a surpreender, e que a inovação não precisa vir apenas de Hollywood. Aguardamos ansiosamente os próximos projetos dessas produtoras, FlopPictures, ScatMotion, e NewMfx Entreteniment.




