A jovem Noa começa a suspeitar que a nova babá Leonor, que cuida dela e de seu irmão Michael é um ser sobrenatural maligno. Desacreditada
Sabe quando a gente busca uma história que nos tire do lugar-comum, que misture gêneros sem medo e que, no final das contas, nos faça questionar o que realmente é real? É por essas joias que eu vivo. E foi exatamente essa a sensação que tive ao revisitar, anos depois de seu lançamento em 2018, o filme A Babá. Não é só mais um terror de criatura, tá? Longe disso. É uma viagem que começa familiar e termina em um território bem mais… estranho e fascinante.
A premissa, confesso, pode parecer um terreno já pisado: uma babá nova, um filho que desconfia, pais que não acreditam. Mas A Babá, dirigido por Joel Novoa e com roteiro de Ed Dougherty, Marcel Sarmiento e Matthew Allen, subverte essas expectativas com uma elegância que me pegou de jeito. No centro dessa trama está Noa, uma garota perspicaz que vê além da fachada impecável da recém-chegada Leonor, a `nanny` contratada para cuidar dela e de seu irmão Michael. A intuição de Noa grita que Leonor não é quem diz ser, que há algo profundamente maligno e sobrenatural se escondendo por trás do sorriso contido e dos olhos calmos da mulher. E o mais cruel? Ninguém acredita nela. Nem seus pais, David (Nicholas Brendon, com uma atuação que evoca uma exaustão quase palpável) e Anna (Schuyler Fisk, que nos faz sentir a frustração de tentar manter a família unida), conseguem enxergar o perigo iminente.
A performance de Jaime Murray como Leonor é, sem exagero, a espinha dorsal da tensão. Ela não precisa de gritos ou maquiagem grotesca para ser assustadora. É na sutileza, nos olhares demorados, na forma como ela manipula a percepção de todos à sua volta, que o terror se instala. A presença dela é como um veneno lento, que impregna cada canto da casa, cada interação. Você percebe a malícia nos detalhes, na maneira como ela se move, como fala. Não é uma criatura que salta das sombras, é uma entidade que se infiltra na luz, e isso, pra mim, é muito mais eficaz. A dúvida paira no ar: será que Noa está delirando, ou será que essa `supernatural creature` realmente existe e está ali, dentro de casa?
O que me fascina em A Babá é como ele navega por tantos gêneros sem perder o rumo. Começa como um thriller psicológico, com a paranoia de Noa crescendo a cada cena. Daí, mergulhamos no terror mais visceral de uma ameaça sobrenatural. Mas a grande surpresa, a cereja do bolo, é a guinada para a ficção científica e a fantasia que o filme empreende. Quando Noa finalmente se aproxima da `true identity` de Leonor, o que ela descobre expande a história para algo muito maior do que um simples conto de fantasmas. É uma revelação que te faz repensar tudo o que você achava que sabia, não só sobre a Leonor, mas sobre a própria realidade dos personagens. É um daqueles momentos em que a narrativa te puxa o tapete de uma forma tão inesperada que você só consegue admirar a audácia dos roteiristas.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Joel Novoa |
| Roteiristas | Ed Dougherty, Marcel Sarmiento, Matthew Allen |
| Produtores | Shaked Berenson, Patrick Ewald |
| Elenco Principal | Jaime Murray, Nicholas Brendon, Schuyler Fisk, Nick Gomez, Sandy Oian-Thomas |
| Gênero | Ficção científica, Thriller, Terror, Fantasia, Mistério |
| Ano de Lançamento | 2018 |
| Produtoras | Epic Pictures Group, Epic Pictures |
A direção de Joel Novoa é eficiente, construindo uma atmosfera de inquietação constante. A casa, provavelmente ambientada em algum subúrbio americano que poderia ser facilmente em `minnesota`, se transforma em um personagem à parte, um palco para o jogo de gato e rato entre Noa e Leonor. Os produtores Shaked Berenson e Patrick Ewald, da Epic Pictures Group, Epic Pictures, claramente deram a liberdade criativa necessária para que essa visão única se concretizasse. Eles evitaram os clichês do jump scare fácil e apostaram na construção de um mistério que se aprofunda a cada minuto.
E os personagens secundários? Sandy Oian-Thomas como Gwen, por exemplo, a amiga da família, adiciona camadas interessantes à dinâmica, mostrando como é difícil para os adultos perceberem o que uma criança vê tão claramente. É essa negação, essa falta de escuta, que torna a jornada de Noa ainda mais solitária e desesperadora.
A Babá é um filme que me faz pensar na importância da intuição e no quão facilmente somos desacreditados quando nossas percepções não se encaixam no “normal”. É uma reflexão sobre a verdade por trás da fachada, sobre o que se esconde à vista de todos. Se você, como eu, aprecia um filme que te faz coçar a cabeça, que te entrega uma história de terror com um cérebro por trás e um coração que pulsa em gêneros variados, então, meu amigo, você precisa dar uma chance a A Babá. É uma experiência que, garanto, vai ficar na sua mente por um bom tempo, muito depois dos créditos finais terem subido.
Os comentários estão fechados.