A Origem do Dragão

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A Lenda (Re)escrita: Uma Resenha Crítica de A Origem do Dragão

Oito anos se passaram desde que A Origem do Dragão chegou aos cinemas brasileiros em 28 de dezembro de 2017, e, nesta tarde de setembro de 2025, sinto a necessidade urgente de revisitar esse longa que, para mim, se tornou um caso curioso de estudo sobre a mitificação e a manipulação da lenda de Bruce Lee. O filme, uma coprodução sino-americana, propõe um mergulho – ou melhor, um mergulho estilizado – na vida do icônico artista marcial, focando num evento específico: seu suposto confronto com o mestre Wong Jack Man em 1964. A partir daí, o roteiro inventa uma parceria entre os dois para combater a máfia chinesa em San Francisco, uma licença poética que, convenhamos, beira o absurdo.

Uma Coreografia de Ações e Desilusões

George Nolfi, na direção, opta por uma estética visual bastante polida, com cenas de luta coreografadas que, apesar de impressionantes, frequentemente sacrificam a veracidade em nome do espetáculo. É uma escolha compreensível, considerando o público alvo, mas que distancia o filme de uma abordagem mais realista ou biográfica, como poderia ser esperado de uma cinebiografia, ao menos em parte. O roteiro, assinado por Christopher Wilkinson e Stephen J. Rivele, é, no mínimo, questionável. A invenção da parceria com Wong Jack Man para combater a máfia, além de anacrônica e artificial, minimiza o impacto do lendário duelo, transformando-o em um mero pretexto para uma trama policial genérica.

A atuação de 伍允龍 (Philip Ng) como Bruce Lee é um ponto de discussão. Enquanto ele consegue imitar alguns movimentos e a postura física do mestre, falta-lhe a energia, a aura quase sobrenatural que permeava a presença de Lee. Já 夏雨 (Xia Yu) como Wong Jack Man se mostra mais convincente, transmitindo uma aura de mistério e força interior que justifica sua reputação. Os demais atores cumprem seu papel, mas sem grande destaque.

Atributo Detalhe
Diretor George Nolfi
Roteiristas Christopher Wilkinson, Stephen J. Rivele
Produtores Janice Williams, Christopher Wilkinson, Michael London, Leo Shi Young, Stephen J. Rivele, Hong Pang
Elenco Principal 伍允龍, Billy Magnussen, 夏雨, Ron Yuan, Darren E. Scott
Gênero Ação, Drama
Ano de Lançamento 2017
Produtoras Groundswell Productions, Kylin Pictures, WWE Studios, Good Universe, BH Tilt

Força e Fraqueza em Equilíbrio Precário

O filme, sem dúvida, possui pontos fortes: as sequências de luta são bem executadas e visualmente impactantes, oferecendo momentos de puro entretenimento para os fãs de artes marciais. A fotografia também é um ponto a favor, contribuindo para a atmosfera dramática da narrativa. Entretanto, sua principal fraqueza reside na sua inconsistência narrativa. A mistura de fatos reais com ficção não é harmoniosa, resultando numa obra confusa que desrespeita a história do próprio Bruce Lee, construindo uma narrativa fantasiosa sobre ele.

Mensagens Embaçadas em um Espelho Distorcido

A Origem do Dragão tenta abordar temas como a busca pela identidade, a luta pela justiça e a importância da lealdade. No entanto, estes temas ficam perdidos na trama apressada e nos exageros da ficção adicionada. O filme acaba por apresentar uma imagem superficial e, em alguns momentos, até mesmo caricata, de um ícone que transcendeu as artes marciais para se tornar um símbolo de resistência e autodeterminação. A tentativa de criar uma narrativa de ação em torno da história real, transforma a obra em uma espécie de “fan fiction” com orçamento de cinema, o que, para um fã do verdadeiro Bruce Lee, como eu, se torna um tanto frustrante.

Um Legado Questionável

Ao final da projeção, a sensação que fica é de uma oportunidade perdida. A Origem do Dragão tinha o potencial de explorar a complexidade do legado de Bruce Lee, mas optou por uma fórmula previsível e superficial. A recepção crítica na época de seu lançamento não foi das mais positivas, o que eu, após revisitar, concordo. Em 2025, eu não recomendaria o filme para aqueles que buscam um retrato preciso da vida de Bruce Lee. Entretanto, para aqueles que apreciam filmes de ação com cenas de luta bem coreografadas e não se importam com o tratamento bastante livre dado à história, A Origem do Dragão pode ser uma opção razoável para uma tarde de entretenimento leve e superficial. Mas, sinceramente, a lenda Bruce Lee merecia muito mais.