A Poucos Passos de Paris

A Poucos Passos de Paris

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Sabe, de vez em quando a gente esbarra com um filme que, à primeira vista, parece uma comédia leve e despretensiosa, mas que, ao desdobrar-se, revela camadas de humanidade e um charme tão particular que fica reverberando na memória. Foi exatamente isso que me aconteceu com A Poucos Passos de Paris (originalmente lançado em 2018, mas que só chegou por aqui em março de 2021). Quatro anos depois da sua estreia brasileira, e agora em outubro de 2025, o filme ainda pulsa com uma relevância surpreendente, um lembrete agridoce de que a busca pelas nossas origens pode ser tão hilária quanto dolorosa.

A minha motivação para falar sobre ele hoje não é apenas revisitar um bom filme; é porque a história de Sidonie e Lolo, mãe e filha em uma odisseia um tanto quanto peculiar, toca em algo universal: a necessidade humana de saber de onde viemos. A ideia de uma adolescente de 15 anos, Lolo, curiosa sobre o pai desconhecido, e sua mãe, Sidonie – interpretada com uma mistura perfeita de desespero e desenvoltura por Erika Sainte –, embarcando numa road trip para coletar fios de cabelo de possíveis candidatos para um teste de DNA, é pura genialidade cômica. Quem nunca imaginou, nem que por um segundo, qual seria o “detalhe” que faltava na sua própria história?

Imagine a cena: Sidonie, uma aeromoça que navega a vida solo com a filha, decide que é hora de confrontar o passado. Ela não apenas confronta, ela o persegue, tesoura em punho (metaforicamente, claro, embora a ideia de uma tesoura real seja parte do charme), pelos pitorescos cenários de Somme Bay, sua região natal. Não é apenas uma viagem; é uma expedição de “roubo de DNA” com propósitos nobres. A diretora e roteirista Virginie Verrier nos apresenta a cinco homens, cinco “pais em potencial”, e cada um deles é uma porta para uma faceta diferente do passado de Sidonie.

Não se trata apenas de uma lista de pretendentes, mas de um desfile de personalidades que são verdadeiros espelhos para a protagonista. Tem o mecânico melancólico, com seus óleos e graxa que parecem impregnar também sua alma; o playboy/artista entediado, que talvez veja a vida como uma tela em branco que ele nunca consegue preencher; o ex-campeão de futebol local, preso na glória de um passado que já não existe; o dono de boate, com o brilho neon e a escuridão dos segredos que a noite esconde; e o médico rural mulherengo, que talvez tenha mais pacientes no coração do que na clínica. Fred Testot, Thierry Frémont e Valérie Mairesse, como Antoinette (a mãe de Bruno), entre outros, trazem à tona um elenco de coadjuvantes que, mesmo em pequenas doses, enriquecem o tecido narrativo, cada um contribuindo para a tapeçaria de memórias e confrontos que Sidonie precisa desvendar.

Atributo Detalhe
Diretora Virginie Verrier
Roteirista Virginie Verrier
Elenco Principal Erika Sainte, Fred Testot, Shirley Bousquet, Thierry Frémont, Valérie Mairesse
Gênero Comédia
Ano de Lançamento 2018
Produtora Vigo Films

Verrier, como roteirista e diretora, tem a sensibilidade de equilibrar o riso com o suspiro. Ela nos mostra Sidonie não apenas como uma mulher em busca de respostas, mas como uma mãe tentando dar à filha algo que ela mesma não teve: um senso completo de identidade. As cenas entre Erika Sainte e a jovem atriz que interpreta Lolo (cujo nome não consta nos créditos fornecidos, mas cuja presença é crucial) são o coração do filme. Há uma dinâmica crível entre elas, momentos de cumplicidade genuína e outros de atrito adolescente, que são a espinha dorsal de qualquer relação mãe-filha. É a maneira como Lolo questiona, com a inocência e a ferocidade da juventude, que impulsiona Sidonie a ir mais fundo, a revisitar cada canto empoeirado de sua memória.

A Somme Bay, com sua beleza rústica e melancólica, atua quase como um personagem adicional, um cenário que reflete a busca interna das protagonistas. É um road movie que não se prende apenas à paisagem exterior, mas que nos leva por paisagens emocionais. A forma como o filme lida com as “memórias” e os “confrontos com o passado” é sutil e evita o melodrama. Em vez de grandes revelações bombásticas, somos convidados a pequenos flashes, a diálogos que carregam um peso não dito, a olhares que entregam muito mais do que palavras poderiam expressar.

A produtora Vigo Films acertou em cheio ao apostar nesta comédia que, por baixo da superfície divertida, explora temas complexos como paternidade, segredos de família, autoaceitação e a incessante busca por um lugar no mundo. É um filme que nos convida a rir das situações inusitadas, mas também a refletir sobre as escolhas que fazemos e como elas moldam não só as nossas vidas, mas as daqueles que amamos.

No fim das contas, A Poucos Passos de Paris não é apenas sobre encontrar um pai biológico. É sobre a jornada de uma mãe e uma filha para se encontrarem, para entenderem a si mesmas através da névoa do passado. É sobre como, às vezes, os maiores mistérios da vida podem ser desvendados com um pouco de audácia, uma boa dose de humor e, quem sabe, um fio de cabelo roubado. E você, já pensou o quão longe iria para desvendar um segredo familiar? É essa a pergunta que o filme nos deixa, com um sorriso no rosto e um calorzinho no coração.

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