A Vigilante do Amanhã: Uma Ciborgue em Busca de Si Mesma – Reflexões Oito Anos Depois
Em 2017, chegava aos cinemas A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell, uma adaptação live-action do icônico anime cyberpunk. Oito anos se passaram desde sua estreia em 30 de março de 2017 no Brasil, e ainda hoje o filme provoca debates acalorados, principalmente em relação à escolha de elenco e sua fidelidade à obra original. Mas, para além das polêmicas, Ghost in the Shell permanece como uma experiência visualmente rica e uma exploração intrigante da identidade em um futuro tecnologicamente avançado. O filme nos apresenta à Major Mira Killian, uma ciborgue com passado misterioso, que lidera uma unidade de elite dedicada ao combate ao crime cibernético em um Japão futurista altamente tecnológico onde a linha entre humano e máquina se esvai. Sua missão: caçar um perigoso hacker que ameaça a ordem social.
A direção de Rupert Sanders, embora competente em criar uma estética visualmente impactante, deixa a desejar em outros aspectos. As cenas de ação, embora bem coreografadas, em alguns momentos parecem frias e distantes, sem a visceralidade e o impacto emocional que se esperaria de uma obra deste gênero. O roteiro, assinado por Jamie Moss, Ehren Kruger, William Wheeler e T. Rafael Cimino, sofre de um problema comum em adaptações: a tentativa de comprimir uma narrativa complexa e filosófica em um tempo reduzido. A jornada de autodescoberta da Major, um dos pontos centrais do anime original, é simplificada e, em momentos, apressada, perdendo a profundidade que a tornaria verdadeiramente cativante.
O elenco, no entanto, entrega atuações convincentes. Scarlett Johansson, embora criticada por alguns pela escolha para o papel, desempenha a personagem com uma frieza calculada que funciona surpreendentemente bem. Takeshi Kitano, como Aramaki, transmite a sua autoridade com maestria, enquanto os demais atores do elenco principal também cumprem seus papeis de forma adequada. Ainda assim, a atuação de Johansson não consegue alcançar a complexidade e a ambiguidade moral da Motoko Kusanagi do anime original.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Rupert Sanders |
| Roteiristas | Jamie Moss, Ehren Kruger, William Wheeler, T. Rafael Cimino |
| Produtores | Maguy R. Cohen, Steven Paul, Ari Arad, Avi Arad, Michael Costigan |
| Elenco Principal | Scarlett Johansson, Takeshi Kitano, Pilou Asbæk, Michael Pitt, Chin Han |
| Gênero | Ficção científica, Drama, Ação |
| Ano de Lançamento | 2017 |
| Produtoras | Weying Galaxy Entertainment, Paramount Pictures, Shanghai Film Group, Reliance Entertainment, Grosvenor Park Productions, Steven Paul Production, Huahua Media, Seaside Entertainment, DreamWorks Pictures, Arad Productions |
Um dos pontos altos do filme é, sem dúvida, a sua estética visual. A produção, com o envolvimento de grandes estúdios como Paramount Pictures e DreamWorks Pictures, investe pesado na construção de um futuro cyberpunk de tirar o fôlego, com paisagens urbanas futurísticas e efeitos especiais impressionantes. No entanto, essa exuberância visual, por vezes, ofusca a profundidade temática, que é outro ponto crítico do filme. A exploração da consciência, da identidade e da natureza da existência humana, que são temas cruciais do material original, não são tão explorados quanto poderiam e deveriam. A crítica ao “whitewashing”, a escolha de uma atriz branca para um papel originalmente japonês, é inegavelmente relevante e marcou fortemente o debate em torno do filme em sua época.
Apesar das suas falhas, A Vigilante do Amanhã não é um filme ruim. Sua estética visual, a ação bem coreografada e a boa performance do elenco principal, fazem valer a pena assistir. Para quem busca uma experiência cyberpunk viscerais e profunda, sugiro recorrer ao anime original. Mas, se você se interessa por filmes de ficção científica com um visual impecável e um toque filosófico, ainda vale a pena dar uma chance a essa adaptação, especialmente se for encontrado em plataformas de streaming por um preço acessível. Afinal, Ghost in the Shell, com suas falhas e acertos, ainda permanece uma obra que provoca reflexões sobre a evolução tecnológica, o perigo do terrorismo cibernético e a própria natureza da identidade humana. A recomendação é para um público que saiba lidar com as limitações do longa-metragem, compreendendo-o num contexto mais amplo que considera sua produção e recepção.




