A Vilã

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O cinema sul-coreano tem há muito tempo se estabelecido como um epicentro de inovação narrativa e estilística, e A Vilã (Ak-Nyeo), dirigido por 정병길, é um testemunho visceral dessa reputação. Lançado em 2017, este filme de ação, crime, drama e thriller não se contenta em ser apenas mais uma história de vingança; ele se projeta como uma desconstrução brutalmente coreografada dos ciclos de violência, onde a busca incessante por liberdade e uma identidade genuína se choca com um passado inescapável. Através de sua protagonista, Sook-hee, interpretada com ferocidade inabalável por 김옥빈, o filme traça uma trajetória de fúria e redenção que é tão psicologicamente densa quanto é fisicamente implacável.

A tese central de A Vilã reside na exploração da agência em um mundo onde indivíduos são moldados e weaponizados por forças externas. Sook-hee, treinada desde a infância para ser uma assassina de elite, é uma arma viva, e sua jornada é uma tentativa desesperada de reclamar seu próprio ser das garras da manipulação, do luto e da constante redefinição forçada de sua identidade. O filme é um grito visual e emocional contra o destino predeterminado, onde cada golpe e cada cicatriz são um passo na dolorosa busca por autonomia.

정병길 não é um novato na arte de orquestrar a violência cinematográfica. Sua obra anterior, ‘Confissão de um Assassino’ (Deo Taelleo, 2012), já demonstrava uma habilidade notável em sequências de ação intensas e uma narrativa com reviravoltas. Com A Vilã, no entanto, o diretor eleva exponencialmente o patamar. A direção de 정병길 é a espinha dorsal da experiência, caracterizada por uma ousadia visual que raramente se vê no gênero. A abertura do filme, um plano-sequência em primeira pessoa que imerge o espectador diretamente em um massacre em um covil de gângsteres, é um momento cinematográfico inesquecível. Esta sequência, que transita de um combate armado para lutas de faca e katana em corredores estreitos, estabelece imediatamente o tom frenético e a imersão visceral que definirá a obra. 정병길 utiliza a câmera como uma extensão do corpo de Sook-hee, tornando cada golpe e cada movimento uma experiência quase tátil para o público, uma técnica que reflete diretamente a perspectiva fragmentada e desorientada da protagonista.

A perícia técnica de A Vilã é notável em cada departamento. A cinematografia de 박정훈 (Park Jung-hoon) não apenas captura a brutalidade das lutas, mas também a melancolia e o desespero nos momentos de quietude. Os planos-sequência de combate não são meros artifícios; eles servem para enraizar a ação em uma realidade quase palpável, enfatizando a proeza física de Sook-hee. A cena da perseguição de motocicleta, onde o combate com espadas acontece em alta velocidade, é um exemplo primoroso de como a câmera, através de uma combinação de engenhosidade prática e efeitos visuais sutis, desafia as expectativas da física e da coreografia.

Direção 정병길
Roteiro 정병길, Jung Byeong-sik
Elenco Principal 김옥빈 (Sook-hee), 신하균 (Joong-sang), 성준 (Hyun-soo), 김서형 (Kwon-sook), 조은지 (Kim Sun)
Gêneros Ação, Crime, Drama, Thriller
Lançamento 08/06/2017
Produção Apeitda, Next Entertainment World, Contents Panda

A montagem, por sua vez, é um turbilhão de cortes rápidos nas sequências de ação, contrastando com flashbacks fragmentados que pontuam a narrativa. Essa estrutura não linear não apenas mantém o espectador engajado, mas também reflete a memória traumática e a identidade quebrada de Sook-hee. As transições bruscas entre o presente violento e o passado de treinamento ou de breves momentos de normalidade criam uma dissonância que acentua a tragédia de sua existência.

No centro de tudo está a atuação visceral de 김옥빈 (Kim Ok-bin). Sua performance como Sook-hee é uma proeza tanto física quanto emocional. Ela não apenas executa as complexas coreografias de combate com uma credibilidade assustadora – seja com katana, faca ou em combate corpo a corpo – mas também transmite a dor silenciosa, a fúria contida e a vulnerabilidade profunda de uma mulher que nunca teve a chance de ser algo além de uma arma. A química com 신하균 (Joong-sang), nos flashbacks, é fundamental para o arco emocional da personagem, delineando a complexidade de seus laços e traições. A entrega de 김옥빈 é o que eleva A Vilã de um espetáculo de ação para um drama humano impactante.

Os temas de A Vilã são tão pungentes quanto seus confrontos. O ciclo de violência é um motivo constante, com Sook-hee sendo simultaneamente vítima e algoz. Ela é forçada a cometer atrocidades para sobreviver, mas cada ato de violência a aprisiona ainda mais em seu passado, enquanto busca retribuição pelos que a feriram. A cena em que ela, ainda criança, testemunha a morte de seu pai e é acolhida por um mentor que a transforma em uma assassina, é a gênese desse ciclo implacável.

A busca por liberdade e agência é o motor de sua jornada. Após ser cooptada pela NIS (Serviço de Inteligência Nacional), ela tenta construir uma vida normal, mas seu passado a persegue incessantemente. A ideia de que sua liberdade é uma ilusão, sempre condicionada ao controle de outros, é um tema forte. A maternidade surge como o único elo de Sook-hee com a humanidade e a esperança de uma vida fora da matança. A pequena filha, embora pouco apareça, é a bússola moral de Sook-hee, o único motivo pelo qual ela luta para romper com o destino que lhe foi imposto, exemplificado em momentos de ternura que contrastam violentamente com a brutalidade de seu cotidiano. Sua identidade, fragmentada entre a assassina implacável e a mãe em busca de redenção, é o cerne do drama psicológico do filme.

No panorama do cinema de ação contemporâneo, A Vilã ocupa um nicho específico: o do Thriller de Ação Coreano com protagonista feminina, focado em vingança e combate corpo a corpo. Ao buscar comparações, é fundamental priorizar obras que compartilhem não apenas o gênero, mas uma estética e temática semelhantes.

A Vilã é frequentemente comparado a ‘John Wick’ (2014, dir. Chad Stahelski). Ambos os filmes se destacam pela coreografia de luta excepcionalmente estilizada e pela construção de um universo onde a violência é uma linguagem intrínseca. No entanto, A Vilã se distingue por sua experimentação visual mais crua e uma camada de desespero existencial que permeia a narrativa de Sook-hee. Enquanto ‘John Wick’ se deleita em um mundo de regras e códigos de conduta para assassinos, A Vilã mergulha no caos pessoal e na tentativa de uma mulher de romper com essas amarras, focando mais na desolação psicológica do que na mitologia do submundo.

Outra obra que surge na mente é ‘Nikita’ (1990, dir. Luc Besson), o clássico francês que introduziu o arquétipo da mulher transformada pelo Estado em uma assassina. Ambos os filmes exploram a premissa de uma mulher treinada por uma agência secreta para matar, lidando com a crise de identidade e a busca por uma vida normal. Contudo, A Vilã eleva a brutalidade e a complexidade das sequências de ação a um nível sem precedentes, enquanto ‘Nikita’ foca mais no drama psicológico e no romance em meio à violência. A Vilã oferece uma perspectiva visceralmente coreana sobre a retribuição e a resiliência, infundindo a narrativa com uma gravidade e um estilo de combate mais cru e dinâmico, que reflete a intensidade cultural do cinema de ação sul-coreano.

A Vilã emerge como uma experiência cinematográfica implacável e inovadora, um marco na cinematografia de ação sul-coreana. É um filme que não se limita a entreter com suas sequências de luta; ele desafia o espectador a refletir sobre a natureza da violência, a busca por identidade e o peso da liberdade. A direção audaciosa de 정병길, a atuação fenomenal de 김옥빈 e a montagem frenética criam uma obra que é tão tecnicamente brilhante quanto emocionalmente exaustiva.

Este filme é ideal para os amantes de cinema de ação que buscam mais do que explosões; para aqueles que apreciam uma fusão de técnica apurada, narrativa complexa e uma performance central magnética. A Vilã não é apenas uma amostra da proeza do cinema coreano; é um testamento à capacidade do gênero de ação de ser simultaneamente brutal e profundamente humano, deixando uma marca indelével na mente de quem o assiste.

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