Abigail e a Cidade Proibida: Uma Jornada Mágica que Encontra Seu Ritmo
Seis anos se passaram desde a estreia de Abigail e a Cidade Proibida no Brasil, em 16 de janeiro de 2020, e a lembrança dessa aventura steampunk-fantástica ainda me acompanha. Embora não tenha sido um estouro de bilheteria, o longa-metragem dirigido por Alexander Boguslavsky conseguiu me cativar com sua atmosfera única e a jornada da corajosa Abigail. A trama acompanha a jovem Abigail (Tinatin Dalakishvili), que, após a perda do pai para uma epidemia misteriosa que levou ao isolamento de sua cidade, decide desafiar as autoridades e buscar respostas sobre seu destino e o poder mágico que reside tanto nela quanto em seu lar.
Neste artigo:
Uma Estética Envolvente, um Roteiro com Desvios
Boguslavsky, também responsável pelo roteiro ao lado de Dmitry Zhigalov, entrega uma direção visualmente rica. A estética steampunk, combinada com a magia intrínseca da narrativa, cria uma atmosfera única, quase onírica. A cidade proibida, com seus mecanismos intrincados e a sombra constante da doença, é palpável na tela. A fotografia é impecável, construindo uma paleta de cores que reflete os estados emocionais de Abigail e a natureza ambígua da magia que a cerca. Entretanto, o roteiro, apesar de criativo na premissa, peca em alguns momentos por um ritmo irregular. Há momentos de tensão e mistério brilhantemente construídos, seguidos por outros que parecem arrastados, perdendo a força da narrativa.
As atuações são um ponto forte. Tinatin Dalakishvili carrega o filme com uma performance convincente, transmitindo a resiliência e a vulnerabilidade de Abigail com maestria. O elenco de apoio, com nomes como Rinal Mukhametov, Artem Tkachenko, Ravshana Kurkova e Ksenia Kutepova, oferece um bom suporte, adicionando profundidade às relações e aos conflitos apresentados.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Александр Богуславский |
| Roteiristas | Дмитрий Жигалов, Александр Богуславский |
| Produtores | Евгений Мелентьев, Виктор Денисюк, Александр Куринский, Владимир Денисюк |
| Elenco Principal | Tinatin Dalakishvili, Риналь Мухаметов, Артём Ткаченко, Равшана Куркова, Ксения Кутепова |
| Gênero | Aventura, Fantasia, Mistério |
| Ano de Lançamento | 2019 |
| Produtoras | Kinodanz, 20th Century Fox |
Pontos Fortes e Fracos: Uma Equação Delicada
A maior força do filme reside em sua atmosfera e na construção da personagem principal. Abigail é uma heroína que transcende os clichês, apresentando-se como determinada, mas também vulnerável. A exploração da magia e sua ligação com a cidade, apesar de não ser totalmente explicada, intriga e deixa espaço para interpretações. Por outro lado, o desenvolvimento de alguns personagens secundários é superficial, e a resolução de alguns mistérios acaba sendo um pouco abrupta, sem a profundidade que a trama merecia. O ritmo irregular, como mencionado, é uma falha que afeta o envolvimento do espectador.
Temas e Mensagens: Uma Busca Pessoal e Coletiva
Abigail e a Cidade Proibida aborda temas poderosos como a perda, a busca pela verdade e o enfrentamento de traumas do passado. A jornada de Abigail é uma metáfora para a busca pela identidade e a superação de obstáculos, mas também representa a responsabilidade coletiva em relação ao passado e ao futuro. A questão da epidemia, que serve como o catalisador da narrativa, pode ser interpretada como uma alegoria para doenças sociais e a necessidade de cura e reconciliação.
Conclusão: Uma Experiência com Potencial Desperdiçado
No geral, Abigail e a Cidade Proibida é um filme que deixa uma sensação agridoce. O potencial visual e narrativo é inegável, mas o roteiro não consegue sustentá-lo completamente. Apesar de suas falhas, a jornada de Abigail, a estética visual rica e a atuação central são elementos que valem a pena apreciar, principalmente para aqueles que apreciam filmes de fantasia com um toque steampunk e uma pitada de magia. Recomendaria sua exibição, especialmente para quem busca uma experiência cinematográfica diferente, mas avisaria a respeito do ritmo irregular. A disponibilidade em plataformas digitais facilita o acesso, e acredito que, a despeito de suas imperfeições, o filme merece uma chance. Vale a pena, mesmo que seja apenas para admirar a beleza da cidade proibida e a coragem de Abigail.




