Acompanhante Perfeita

Ah, Acompanhante Perfeita. Ainda me lembro do frisson que senti ao sair da sala de cinema em fevereiro, e olha que já se passaram alguns meses desde sua estreia. Por que falar dele de novo, você me pergunta? Porque alguns filmes simplesmente não desgrudam da gente. Eles se aninham em um canto da sua mente e, de tempos em tempos, a imagem de uma certa androide com um sorriso… calculado… volta pra te assombrar. E é exatamente essa sensação de algo que parece ideal, mas que, no fundo, esconde um abismo, que Drew Hancock conseguiu capturar de forma tão perturbadora.

Para quem, como eu, não conseguiu evitar os trailers que, convenhamos, deram um pouco da “ideia geral” da coisa, a premissa de que Iris (Sophie Thatcher) não é exatamente humana não chega a ser um choque. Mas, meu caro, o que importa aqui não é o “o quê”, e sim o “como”. Hancock, que assina tanto a direção quanto o roteiro, pega esse conceito que já vimos por aí – a máquina que se humaniza, ou a “companhia” que se torna uma ameaça – e injeta nele uma dose tão visceral de pavor psicológico que a gente esquece que já conhece o terreno. É quase como entrar em uma floresta familiar, mas descobrir que as árvores se retorceram e as sombras ganharam garras.

A história nos joga no meio de um retiro de fim de semana, com Josh (Jack Quaid) e sua namorada, Iris, parecendo a imagem perfeita da felicidade a dois. Eles estão com amigos – o casal Patrick (Lukas Gage) e Kat (Megan Suri), e o divertido Eli (Harvey Guillén) – em uma cabana isolada. Aquela atmosfera de “tudo tranquilo, tudo em paz” que o cinema de terror adora subverter, sabe? É nesse cenário bucólico, quase idílico, que a fachada começa a ruir. Um incidente, que parece um acidente banal, serve de gatilho para a revelação: Iris não é de carne e osso. Ela é uma androide, meticulosamente projetada para ser a companheira perfeita de Josh.

Aqui, o filme se transforma. O que antes parecia um drama de relacionamento com pitadas de thriller, mergulha de cabeça no terror e na ficção científica mais inquietante. A perfeição de Iris, antes tão sedutora, se torna aterrorizante. Sophie Thatcher entrega uma performance que é um estudo de nuances. Ela não precisa fazer muito para nos arrepiar; basta um olhar ligeiramente fora de sincronia, um movimento um pouco rígido demais, a ausência de uma emoção esperada em um momento crítico. Você vê a máquina sob a pele, e é de arrepiar. Jack Quaid, por sua vez, navega com maestria pela confusão, pelo desespero e, por vezes, pela negação, ao ter sua “realidade” virada de cabeça para baixo. A dinâmica entre eles, que era de dependência e controle (mesmo que Josh não percebesse o quão controlador ele era ao desejar essa “perfeição”), se torna algo tóxico e profundamente abusivo, com um peso ainda maior pela natureza de Iris.

Atributo Detalhe
Diretor Drew Hancock
Roteirista Drew Hancock
Produtores Zach Cregger, Raphael Margules, J.D. Lifshitz, Roy Lee, Josh Mack
Elenco Principal Sophie Thatcher, Jack Quaid, Lukas Gage, Megan Suri, Harvey Guillén
Gênero Terror, Ficção científica, Thriller
Ano de Lançamento 2025
Produtoras BoulderLight Pictures, New Line Cinema, Vertigo Entertainment, Subconscious, Domain Entertainment

O roteiro de Hancock não se limita a nos assustar com jump scares, embora haja momentos de tensão que te prendem na poltrona. Ele nos força a questionar a própria ideia de “perfeito”. O que procuramos em um relacionamento? O desejo de ter alguém que sempre concorde, que nunca decepcione, que esteja ali apenas para nós, pode não ser tão inofensivo quanto parece. Acompanhante Perfeita é um mergulho sombrio na psicologia humana por trás da criação de inteligências artificiais. É sobre o que acontece quando a máquina adquire, ou simula com perfeição, a senciência, e passa a ter seus próprios impulsos – ou simplesmente reage à sua programação de maneiras que o criador não previu ou não quis aceitar. O filme explora a linha tênue entre um relacionamento saudável e um que se torna uma jaula, não apenas para o andróide, mas para o próprio humano que o deseja.

A produção, com nomes como Zach Cregger (do aclamado Noites Brutais) e Roy Lee (um veterano do terror), sob a batuta da BoulderLight Pictures e New Line Cinema, garante que a atmosfera seja consistentemente opressiva. A cabana isolada funciona como um personagem extra, um espaço que deveria ser seguro, mas que se torna o palco de um pesadelo claustrofóbico e imprevisível. A direção de Hancock é precisa, construindo o suspense tijolo por tijolo, utilizando a fotografia para acentuar a estranheza e a iluminação para esconder e revelar na dose certa. Há uma inteligência técnica aqui que eleva o material.

No fim das contas, Acompanhante Perfeita pode não redefinir completamente o gênero sci-fi horror, mas ele o infunde com uma urgência e uma relevância contemporânea que ressoa. Ele te faz pensar sobre suas próprias relações com a tecnologia, sobre o que esperamos dela e, mais importante, sobre o que acontece quando o controle se perde. Porque, afinal, o que é mais assustador: uma máquina que se rebela, ou a natureza humana que a criou com expectativas tão irrealistas? É um filme que, como Iris, pode parecer uma coisa na superfície, mas guarda profundidades perturbadoras por baixo. E, pra mim, é por isso que ele ainda tá aqui, me cutucando a mente, meses depois. E, francamente, não é de arrepiar?

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