Ah,os filmes de ação. Você sabe,aqueles que a gente encontra de surpresa,às vezes sem muita expectativa,rolando pelos serviços de streaming numa noite de sexta-feira,ou até mesmo arriscando uma sessão no cinema só pra desligar a cabeça por duas horas. Eu,particularmente,tenho um fraco por histórias de sobrevivência onde a adrenalina é o tempero principal,e confesso que a premissa de Alerta Máximo me chamou a atenção por essa mesma simplicidade brutal. Um avião,um pouso forçado,uma ilha perigosa. Quase um manual de “como criar um thriller de ação”,mas,para a minha surpresa,o filme de Jean-François Richet consegue voar bem mais alto do que o rascunho inicial sugeriria.
Lá em 2023,quando Alerta Máximo pousou nos cinemas brasileiros,em 26 de janeiro,eu tava esperando o habitual:Gerard Butler fazendo coisas de Gerard Butler – o herói relutante,com o semblante cansado,mas a alma de um touro. E,veja bem,ele entrega exatamente isso,mas com uma camada extra de humanidade que me pegou de jeito. Brodie Torrance,o piloto em questão,não é um agente secreto aposentado ou um ex-militar com um passado sombrio ultrassecreto. Ele é um pai viúvo,cumprindo seu turno,ansioso por reencontrar a filha no Havaí. Essa vulnerabilidade inicial,essa motivação tão palpável e comum,serve como o fio condutor da sua resiliência quando o mundo desaba ao seu redor.
A narrativa desenrola-se com uma rapidez quase vertiginosa. Um raio atinge o avião,os sistemas falham,e a habilidade de Torrance é testada ao limite enquanto ele tenta um pouso de emergência. A cena é visceral,a câmera sacode,e você sente cada impacto,cada grito,cada respiração suspensa. É o caos controlado,e quando as rodas finalmente tocam o solo – ou o que sobrou dele –,a sensação de alívio é tão efêmera quanto o ar que a tripulação e os passageiros respiram. Porque não é o fim,é apenas o começo de um pesadelo ainda maior. A ilha onde eles caem,em algum lugar remoto nas Filipinas,é dominada por um grupo rebelde e perigoso,liderado por Datu Junmar (Evan Dane Taylor,que exala uma ameaça palpável).
E é aí que a coisa fica interessante,onde o clichê ameaça se instalar,mas é habilmente desviado. Com a tripulação e os passageiros feitos reféns,Torrance se vê numa encruzilhada. A única esperança reside em Louis Gaspare (Mike Colter),um passageiro que deveria estar sendo extraditado,acusado de assassinato. A dinâmica entre Butler e Colter é o verdadeiro motor de Alerta Máximo. Não é uma amizade forçada,mas uma aliança pragmática forjada no fogo da necessidade. Gaspare não é o herói altruísta;ele tem seus próprios demônios e um código moral questionável,mas sua letalidade e conhecimento tático são a única carta na manga de Torrance. É fascinante observar como a desconfiança inicial lentamente cede lugar a um respeito mútuo,enquanto eles se movem pela selva hostil,cada um usando suas habilidades para sobreviver e,quem sabe,salvar os outros.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Jean-François Richet |
| Roteiristas | Charles Cumming,J.P. Davis |
| Produtores | Lorenzo di Bonaventura,Mark Vahradian,Marc Butan,Gerard Butler,Alan Siegel |
| Elenco Principal | Gerard Butler,Mike Colter,Tony Goldwyn,Yoson An,Evan Dane Taylor |
| Gênero | Ação,Aventura,Thriller |
| Ano de Lançamento | 2023 |
| Produtoras | MadRiver Pictures,di Bonaventura Pictures,G-BASE,Olive Hill Media,Riverstone Pictures |
Richet,o diretor,não se esquiva da violência,mas também não a glorifica de forma gratuita. As sequências de ação são brutais e impactantes,sem serem excessivamente estilizadas. Há uma crueza quase documental na forma como os combates corpo a corpo se desenrolam,e cada tiro,cada facada,cada golpe parece ter um peso real. Não é um balé coreografado;é a luta desesperada pela sobrevivência. O roteiro de Charles Cumming e J.P. Davis,embora direto ao ponto,consegue pincelar a personalidade dos coadjuvantes de forma eficiente,sem tirar o foco da dupla principal. Scarsdale (Tony Goldwyn) nos bastidores,tentando coordenar o resgate,adiciona uma camada de tensão global,enquanto Samuel Dele (Yoson An) representa a vulnerabilidade e a esperança da tripulação.
Alerta Máximo não reinventa a roda do gênero ação/thriller,e nem tenta. Ele se apega aos pilares que funcionam:um herói com falhas,um antagonista ameaçador,stakes elevadíssimas e sequências de ação bem executadas. Mas o que o eleva acima da média,para mim,é a forma como ele humaniza seus protagonistas. A cena em que Torrance,mesmo exausto e machucado,tenta acalmar os passageiros,ou o olhar furtivo de Gaspare enquanto avalia a situação,mostrando mais do que as palavras poderiam dizer,são esses pequenos detalhes que constroem a profundidade. Não é só um filme sobre um avião caindo,mas sobre o que fazemos quando caímos,literal e figurativamente,e precisamos confiar no improvável para nos reerguer.
Ao final da sessão,a sensação que tive não foi apenas de ter sido entretido,mas de ter acompanhado uma jornada intensa,onde a resiliência humana é testada em seu limite mais cruel. Alerta Máximo é um filme que entrega o que promete e um pouco mais,provando que,às vezes,o caminho mais direto para o coração da ação é também o mais eficaz. Pra quem gosta de um bom e velho thriller de sobrevivência,com aquela dose de “o que eu faria nessa situação?”,esse é um bilhete de primeira classe.

