Alice in Borderland: Um Jogo Mortal com Regras Ambíguas
Lançada em 2020, Alice in Borderland explodiu nas plataformas digitais, conquistando fãs e gerando debates acalorados. Cinco anos depois, em 18 de setembro de 2025, a série continua a ecoar na minha memória, não por sua perfeição, mas por sua audácia e sua complexidade – uma experiência que, apesar de algumas falhas, deixou uma marca indelével.
A série acompanha Arisu, um jovem gamer solitário, e seus amigos, que se veem inexplicavelmente transportados para uma versão desolada e surreal de Tóquio. Nesta realidade paralela, a sobrevivência depende da participação em jogos mortais, cada um com regras cruéis e consequências fatais. A jornada de Arisu e seus companheiros pela descoberta do significado dessa dimensão alternativa é a espinha dorsal da trama, repleta de suspense e reviravoltas.
A direção de Alice in Borderland é um ponto alto indiscutível. A estética visual, mesclando a beleza decadente de uma Tóquio vazia com a brutalidade crua dos jogos, cria uma atmosfera opressiva e hipnótica. A fotografia, muitas vezes escura e saturada, realça a atmosfera claustrofóbica e o desespero dos personagens. A coreografia das cenas de ação também merece destaque, equilibra energia e violência, sem cair no excesso. No entanto, o roteiro, embora criativo em sua concepção dos jogos, apresenta momentos de inconsistência e diálogos, em algumas ocasiões, pouco naturais, exatamente como aponta uma das críticas que li. A trama, em certos momentos, caminha por caminhos tortuosos, com explicações pouco claras e um desenvolvimento que, apesar de prender o espectador, às vezes se perde em seu próprio labirinto de mistérios.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Produtor | 森井輝 |
| Elenco Principal | 山﨑賢人, 土屋太鳳 |
| Gênero | Mistério, Drama, Action & Adventure |
| Ano de Lançamento | 2020 |
| Produtora | Robot Communications |
As atuações são, em geral, excelentes. Yûki Yamasaki, como Arisu, transmite com precisão a evolução do personagem, de um jovem apático a um sobrevivente determinado. Tao Tsuchiya, como Usagi, é igualmente brilhante, adicionando uma profundidade emocional à trama. O conjunto dos atores consegue equilibrar drama e ação com maestria.
Um dos pontos fortes inegáveis de Alice in Borderland é a sua criatividade no design dos jogos. Cada desafio é único, exigindo estratégia, trabalho em equipe e uma dose de loucura. A série consegue equilibrar momentos de tensão extrema com suspense psicológico, mantendo o espectador na ponta do assento. A exploração de temas como amizade, o significado da vida e a natureza humana é feita com profundidade, mesmo que nem sempre de forma sutil. A comparação com “Squid Game”, embora justa em alguns aspectos, ignora a identidade própria de Alice in Borderland, que se diferencia em sua abordagem mais psicológica e na construção de um universo narrativo mais complexo.
Apesar de suas qualidades, a série não está isenta de críticas. O excesso de enigmas, por vezes, se torna um problema, levando a um ritmo irregular. A resolução de alguns mistérios parece forçada ou apressada, deixando margem para interpretações ambíguas, o que pode ser frustrante para alguns espectadores. Além disso, alguns dos diálogos, como já mencionado, caem em momentos de artificialidade que prejudicam o envolvimento emocional.
Conclusão
Alice in Borderland, cinco anos após seu lançamento, permanece como uma série memorável, embora imperfeita. Sua combinação singular de ação visceral, suspense psicológico, e uma exploração profunda da condição humana a tornam uma experiência única. Recomendaria a série para aqueles que apreciam thrillers com tramas complexas e que não se incomodam com certos desvios narrativos. Se você é fã de tramas frenéticas e enigmáticas, que te colocam em estado de alerta constante, então essa série é para você. Apenas esteja preparado para uma jornada desafiadora, com momentos de brilhantismo e alguns momentos de frustração. Afinal, assim como os jogos em Alice in Borderland, a própria experiência da série é, em si, um jogo com regras ambíguas.




