Allan Quatermain e a Cidade do Ouro Perdido: Uma Aventura que Brilha, Mas Não Chega ao Brilho do Ouro
Em 1986, enquanto o mundo ainda se recuperava da febre dos filmes de aventura dos anos 80, chegou aos cinemas brasileiros, em 18 de dezembro, Allan Quatermain e a Cidade do Ouro Perdido. Passados quase quarenta anos, olhando para trás a partir de 22 de setembro de 2025, é hora de revisitar essa aventura, protagonizada por Richard Chamberlain como o icônico explorador e uma jovem Sharon Stone, e perceber que, embora não seja uma obra-prima, possui um charme peculiar que a torna mais do que uma simples nota de rodapé na história do cinema de ação.
A trama nos leva de volta à África, onde Quatermain, prestes a se casar com Jesse (Stone), precisa interromper os preparativos para ir em busca de seu irmão desaparecido numa expedição em busca de uma lendária tribo branca. A busca os leva a uma cidade perdida repleta de ouro, governada por um tirano (um excelente Henry Silva) que escraviza brancos. Essa sinopse, embora simples, abriga uma trama surpreendentemente mais complexa do que aparenta, envolvendo enigmas, perigos e, claro, muito ouro.
A direção de Gary Nelson, embora funcional, não consegue alcançar a grandiosidade épica de outras produções do gênero. A fotografia, muitas vezes, parece um pouco desbotada, e as cenas de ação, apesar de dinâmicas, carecem de um certo refinamento que elevaria o filme a um outro patamar. O roteiro, escrito por Gene Quintano e Lee Reynolds, tem seus momentos de brilho, com diálogos espirituosos e algumas reviravoltas inteligentes, mas também sofre com algumas falhas de ritmo e um desenvolvimento de personagens um tanto superficial.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Gary Nelson |
| Roteiristas | Gene Quintano, Lee Reynolds |
| Produtores | Yoram Globus, Menahem Golan |
| Elenco Principal | Richard Chamberlain, Sharon Stone, James Earl Jones, Henry Silva, Robert Donner |
| Gênero | Aventura, Ação, Comédia, Mistério |
| Ano de Lançamento | 1986 |
| Produtoras | The Cannon Group, Golan-Globus Productions |
Apesar disso, o elenco salva a pele do filme. Chamberlain, com seu carisma inegável, entrega um Quatermain charmoso e corajoso. Stone, em uma performance mais contida, equilibra a força feminina com a vulnerabilidade da personagem. James Earl Jones empresta sua voz inconfundível ao personagem Umslopogaas, adicionando um toque de grandiosidade ao filme. A performance de Henry Silva como o vilão Agon é memorável, adicionando a complexidade necessária para o antagonista.
Um dos pontos mais fortes do longa é a dinâmica entre os personagens. A relação fraternal de Quatermain com seu irmão desaparecido, assim como o romance com Jesse, adiciona uma camada de emoção que complementa a ação. O filme aborda temas interessantes como a exploração, o colonialismo e a busca por identidade, embora de forma superficial. O roteiro toca nestes aspectos, mas não os desenvolve completamente, deixando espaço para interpretações e gerando certa frustração para quem busca uma análise mais crítica.
A produção da Cannon Group, conhecida por seus filmes de ação de baixo orçamento, é visível em certos aspectos do filme. A produção, apesar de suas limitações, é bastante competente. A caracterização de Agon e seus seguidores é bem convincente. Mas, em contrapartida, alguns cenários parecem um tanto artificiais e datados, o que afeta a imersão do espectador.
Comparando Allan Quatermain e a Cidade do Ouro Perdido com outros filmes de aventura da época, ele se destaca pela química entre os atores, principalmente a dupla Chamberlain e Stone, repetindo o sucesso de “As Minas do Rei Salomão”. Mas a fórmula não se repetiu integralmente. Há um humor leve, que funciona como contraponto à ação, mas talvez não seja suficiente para sustentar o longa por completo. Ele não chega ao nível dos clássicos do gênero, mas também não se enquadra na categoria de “filme ruim”. Ele é simplesmente uma aventura agradável, com pontos altos e baixos, que oferece um entretenimento despretensioso.
Em suma, Allan Quatermain e a Cidade do Ouro Perdido é uma aventura divertida e bem-intencionada, que pode ser apreciada em seu contexto histórico. Embora não seja uma obra-prima, possui elementos que a tornam uma experiência cinematográfica agradável, principalmente para aqueles que apreciam o cinema de aventura dos anos 80 e a nostalgia que o envolve. Recomendo sua visualização, principalmente em plataformas de streaming, onde pode ser apreciado com a devida perspectiva histórica, se você não se importar com alguns deslizes técnicos e narrativos.

