Ah, Anne Shirley. O simples nome já evoca um sorriso, não é? Desde que ouvi que uma nova adaptação animada estaria a caminho, meu coração deu um pulo que eu nem sabia que ainda conseguia dar por uma história que já mora tão fundo na alma da gente. E agora que Anne Shirley (2025), essa joia da The Answerstudio em colaboração com a Fuji TV, finalmente chegou às telas, ouço um “eu já sabia!” ecoar aqui dentro. Sabe, tem certas narrativas que parecem ser tecidas com a própria essência da vida, e a jornada daquela ruivinha órfã de cabelo cor de cenoura é, sem dúvida, uma delas.
Por que escrever sobre Anne, você me pergunta? Porque a história dela não é apenas uma sequência de eventos; é um espelho. É sobre encontrar beleza onde ninguém mais vê, sobre dar nomes poéticos a caminhos comuns e, acima de tudo, sobre a força de um coração que, apesar de todos os reveses, se recusa a endurecer. E neste ano de 2025, enquanto o mundo continua girando em sua complexidade apressada, mergulhar na simplicidade profunda e no drama genuíno de Green Gables é um bálsamo. É um lembrete de que a imaginação é uma arma poderosa e que a bondade, mesmo que desajeitada e impulsiva, sempre encontra seu caminho.
Desde o momento em que Anne, com sua torrente de palavras e um cabelo que ela tanto detestava, pisa em Prince Edward Island e, por engano, no lar dos sisudos Matthew e Marilla Cuthbert, a série nos envolve. A sinopse é clara: ela deveria ser um menino, um ajudante para a fazenda. Mas a vida, como Anne tanto gosta de poetizar, tem um jeito de nos surpreender com a “mais deliciosa e inesperada das aventuras”. E é exatamente essa aventura que se desenrola aqui. A Honoka Inoue, emprestando sua voz à Anne, consegue capturar aquela mistura inconfundível de vulnerabilidade infantil e uma erudição precoce que brota de sua mente fértil. Você ouve a Anne sonhadora, a Anne desesperada por afeto, a Anne que vê um “Lago das Águas Cintilantes” onde a maioria só enxerga um velho açude. É uma performance que já me conquistou nas primeiras cenas, transmitindo as nuances de uma garota que está constantemente buscando seu lugar no mundo, mesmo que esse lugar seja, muitas vezes, construído em sua própria mente.
Não subestime o poder de uma animação bem-feita para recontar uma história tão amada. A The Answerstudio, com sua expertise e a sensibilidade da produção japonesa, trouxe uma qualidade visual que é, por si só, um convite ao encantamento. Os campos verdes-esmeralda da Ilha do Príncipe Edward, os pores do sol que Anne descreveria como “indescritivelmente gloriosos”, e até mesmo o interior aconchegante (e inicialmente um tanto austero) de Green Gables ganham uma nova vida com cores vibrantes e uma atenção aos detalhes que realça a atmosfera bucólica e, por vezes, mágica da narrativa.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Produtores | 中谷真実, 佐藤茂彦, 栗山郁弘 |
| Elenco Principal | Honoka Inoue, Aya Nakamura, Naoya Miyase, 宮本侑芽 |
| Gênero | Animação, Drama, Família |
| Ano de Lançamento | 2025 |
| Produtoras | The Answerstudio, Fuji Creative Corporation, Fuji Television Network, Fujipacific Music |
E o que dizer dos Cuthbert? Aya Nakamura, na voz de Marilla, entrega uma performance que é um primor de contenção e calor gradualmente revelado. A Marilla de Nakamura não é apenas a mulher rígida e prática que conhecemos; é possível sentir, na inflexão de sua voz, a luta interna entre sua moralidade estrita e o afeto inesperado que começa a brotar por aquela menina tagarela. E Matthew? Ah, Matthew. Naoya Miyase capta a doçura e a quietude desse homem de poucas palavras, mas de um coração imenso. A relação de Anne com Matthew é, para mim, um dos pilares mais tocantes da história, um porto seguro de aceitação incondicional, e a série explora isso com uma delicadeza que te faz suspirar.
Acompanhamos Anne crescendo, não apenas fisicamente, mas em sabedoria e autoconhecimento. Ela vai para a faculdade, experimenta novos desafios, se depara com as complexidades da vida adulta, e então volta para casa, para Green Gables, não como a Anne de antes, mas como uma “nova mulher”, enriquecida por suas experiências, mas ainda intrinsecamente Anne. É uma jornada de autodescoberta que ressoa com qualquer um que já tenha se sentido um pouco deslocado, um pouco diferente, mas que sonha em encontrar seu próprio “espírito afim”. A 宮本侑芽, como Diana Barry, é a perfeita contraparte para a explosividade de Anne. Você sente a lealdade inabalável daquela amizade, a doçura da companhia, o alívio que uma alma encontra na outra. E Gilbert Blythe? Bem, Gilbert é Gilbert. O rival irritante que se torna o pilar silencioso, o amigo leal, e algo mais. A série, imagino, deve tecer essa linha tênue de afeto com a mesma paciência e elegância que os livros sempre fizeram.
Produtores como 中谷真実, 佐藤茂彦 e 栗山郁弘, juntamente com as empresas de produção, entregaram um trabalho que, mesmo com as expectativas elevadíssimas, consegue transcender. Eles não apenas recontam uma história; eles a reimaginam com uma sensibilidade que honra o material original enquanto infunde uma nova vitalidade. Este é um drama familiar que se aprofunda nas emoções humanas mais universais: a necessidade de pertencimento, o poder da amizade, a complexidade do amor e a beleza de encontrar o extraordinário no ordinário.
Anne Shirley (2025) não é apenas mais uma série. É um convite para desacelerar, para se permitir sentir, para se maravilhar com a beleza das palavras e com a resiliência do espírito humano. É para aqueles que, como Anne, acreditam que cada novo dia é uma oportunidade para uma “manhã sem falhas”, e que, mesmo depois de uma vida inteira de histórias, ainda há espaço para uma nova e gloriosa aventura. E você, está pronto para embarcar nessa viagem de volta à Ilha do Príncipe Edward? Eu, por mim, já estou com o meu chá e biscoitos prontos.




