Anónimo

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Anônimo: Um Found Footage que Assombra (e Deixa Algumas Dúvidas)

Cinco anos se passaram desde o lançamento de “Anônimo”, e ainda hoje, em 17 de setembro de 2025, o filme me persegue. Não em sentido literal, é claro, embora a natureza “found footage” da obra, dirigida e escrita por Nahum R. Maya, se aproxime bastante dessa sensação. A trama acompanha Leslie Hernández (Yue Colin García), que se vê envolvida em uma situação cada vez mais sinistra, gravada através de sua própria câmera. O que começa como uma investigação pessoal se transforma em um mergulho profundo em um mistério que a coloca em perigo mortal, e nos deixa, espectadores, grudados na tela, sufocando com a crescente tensão.

A direção de Maya, que também assina o roteiro, é o ponto forte de “Anônimo”. Ele entende a linguagem do found footage, utilizando-a não como um mero artifício barato, mas como ferramenta narrativa. A câmera oscilante, a iluminação precária, a qualidade da imagem degradando à medida que a história avança – tudo isso contribui para a construção da atmosfera opressiva e claustrofóbica que envolve Leslie. Há momentos de puro terror, outros de suspense psicológico que te deixam grudado na cadeira, apreensivo com o que pode acontecer a seguir. A edição, que eu imagino ter sido um trabalho árduo, é impecável, conduzindo a narrativa de forma eficiente e nervosa, sem nunca perder o controle do ritmo.

No entanto, a atuação de Yue Colin García, como Leslie, apesar de esforçada, oscila. Há momentos de genuína fragilidade e vulnerabilidade, outros em que a interpretação parece forçada, um pouco teatral demais para a proposta intimista do found footage. Nahum R. Maya, como o misterioso Homem Enmascarado, cumpre seu papel com eficiência, mas a sua interpretação também é pouco marcante. A força do filme reside em sua atmosfera, e não tanto no carisma dos seus protagonistas.

Atributo Detalhe
Diretor Nahum R. Maya
Roteirista Nahum R. Maya
Elenco Principal Yue Colin García, Nahum R. Maya
Gênero Thriller
Ano de Lançamento 2020
Produtora BoxHouse Films

O roteiro, inteligente em sua proposta, sofre de alguns pequenos deslizes. Algumas reviravoltas são previsíveis, e o final, embora satisfatório em sua conclusão, deixa algumas pontas soltas que poderiam ter sido melhor amarradas. Apesar disso, os temas abordados – a solidão, a paranoia, o medo do desconhecido – são explorados com uma profundidade surpreendente para um longa-metragem de baixo orçamento produzido pela BoxHouse Films. O filme te deixa pensando sobre as implicações de nossa crescente dependência tecnológica e nossa exposição constante à vigilância, mesmo em nossas vidas privadas.

“Anônimo” não é um filme perfeito. Ele tem suas falhas, principalmente na atuação e em alguns deslizes na construção narrativa. Mas a atmosfera tensa, a direção competente e a eficiente utilização do found footage tornam a experiência cinematográfica bastante recompensadora. Para os amantes do gênero que buscam uma experiência intensa e angustiante, uma trama que te deixa na ponta da cadeira, a recomendação é assistir. Para aqueles que preferem thrillers com um ritmo mais pausado e personagens mais carismáticos, talvez a experiência seja menos satisfatória. Acho que “Anônimo” merece uma segunda chance, principalmente considerando sua produção independente, e espero que, com o tempo, ele ganhe o reconhecimento que merece. Afinal, algumas obras só se revelam plenamente com a devida distância e uma segunda análise.

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