As Minas do Rei Salomão: Uma Aventura que Resiste ao Tempo (ou quase)
Em 20/09/2025, revisitar As Minas do Rei Salomão (1950) é como desenterrar um tesouro cinematográfico – um tesouro que brilha com o esplendor técnico da época dourada de Hollywood, mas que também revela algumas das limitações inerentes a seu tempo. Este longa-metragem de aventura, baseado no romance de H. Rider Haggard, acompanha uma equipe em busca de um explorador desaparecido na África, numa jornada que os leva para o coração da selva, pantanais traiçoeiros e desertos implacáveis, rumo à lendária mina perdida de Salomão.
A sinopse não entrega muito além da premissa, e é exatamente aí que reside parte do seu charme. O filme se vende como uma aventura, e entrega exatamente isso. Mas não espere sutilezas. A trama é linear, previsível em alguns momentos, porém eficiente em sua simplicidade. A busca pelo tesouro serve como pano de fundo para um drama mais humano, explorando as relações entre os personagens e as consequências de suas ambições.
A direção de Compton Bennett e Andrew Marton é impecável no que se refere à construção de sequências de ação. As cenas na selva, embora hoje pareçam um tanto datadas, carregam uma energia palpável, explorando de forma eficiente os contrastes visuais entre a exuberância da natureza e os perigos que ela esconde. A fotografia, rica em cores vibrantes, contribui para imergir o espectador na atmosfera exótica da África. Por outro lado, a abordagem narrativa às vezes se mostra um tanto teatral, com diálogos que soam artificiais em certos momentos, especialmente considerando-se os padrões modernos.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretores | Compton Bennett, Andrew Marton |
| Roteirista | Helen Deutsch |
| Produtor | Sam Zimbalist |
| Elenco Principal | Deborah Kerr, Stewart Granger, Richard Carlson, Hugo Haas, Lowell Gilmore |
| Gênero | Aventura, Ação, Romance |
| Ano de Lançamento | 1950 |
| Produtora | Metro-Goldwyn-Mayer |
O elenco, liderado por um Stewart Granger charmoso como Allan Quatermain e uma Deborah Kerr elegante como Elizabeth Curtis, entrega atuações sólidas, embora o sentimentalismo da época se faça presente, especialmente no romance entre os protagonistas. Richard Carlson, como John Goode, e Hugo Haas, como Van Brun, completam o elenco com personagens mais estereotipados, mas eficazes dentro da dinâmica geral. Helen Deutsch, responsável pelo roteiro, consegue equilibrar a aventura com os momentos de intriga e romance, embora não consiga evitar o tom melodramático em algumas passagens.
A maior força do filme reside na sua capacidade de transpor para a tela a atmosfera de aventura e mistério que permeia a obra de Haggard. A exploração da natureza africana, a busca incessante pelo tesouro e a tensão gerada pelos perigos constantes mantém o espectador envolvido do início ao fim. Por outro lado, a representação de alguns personagens – particularmente os africanos – é claramente produto de sua época, carecendo de uma profundidade e nuance que hoje exigimos, gerando um desconforto compreensível para o público atual. O romance, embora funcional na estrutura da narrativa, às vezes parece um pouco forçado.
O filme dialoga com temas clássicos de aventura, exploração e a busca pela fortuna, mas também levanta questões sobre ambição, ganância e o preço da civilização em regiões intocadas. A mensagem, embora não seja explícita, nos questiona sobre o impacto da busca incessante por riqueza e poder.
Em resumo, As Minas do Rei Salomão é uma peça importante da história do cinema, um exemplar representativo da aventura cinematográfica hollywoodiana dos anos 50. Embora carregue consigo as marcas indeléveis de sua época, a fotografia deslumbrante, a ação eficiente e a presença carismática do elenco principal o tornam um filme assistível mesmo em 20/09/2025. Recomendo sua visualização, mas com a ressalva de que se trata de uma obra atemporal apenas em alguns aspectos, e uma janela para a compreensão de uma estética e representações que hoje nos causam certo incômodo. Se você busca uma aventura clássica, sem se importar muito com as nuances da representação de personagens e temas de época, este filme é uma experiência válida. Para aqueles buscando um retrato mais sensível e nuançado da África e de seus povos, talvez haja outras opções mais adequadas em plataformas digitais.




