As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras

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As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras – Uma Sequência Que Mergulha (e às Vezes Afoga)

Nove anos se passaram desde que assisti, em 2016, a essa segunda empreitada das Tartarugas Ninja nos cinemas. E posso dizer, sem rodeios, que a memória afetiva me ajudou a enxergar esse filme com mais carinho do que talvez a objetividade crítica permita. “Fora das Sombras” não é um clássico instantâneo, e até hoje gera debates acalorados entre os fãs, mas sua energia frenética e o carisma do elenco principal ainda conseguem cativar.

O longa acompanha as aventuras do quarteto de tartarugas mutantes ninjas enquanto eles se preparam para enfrentar o perigoso Destruidor, numa trama que envolve o Dr. Baxter Stockman e um terrível plano de invasão alienígena liderado por Krang. Para combater essa ameaça de proporções épicas, Leonardo, Raphael, Donatello e Michelangelo recebem a ajuda inesperada de Casey Jones, um vigilante impetuoso que adiciona uma dose extra de ação e caos à já frenética narrativa.

A direção de Dave Green, embora eficiente em manter o ritmo acelerado prometido pela sinopse, peca em alguns momentos pela falta de sutileza. A câmera treme, os cortes são rápidos, e a estética, muitas vezes, parece buscar o excesso de informação visual em detrimento da clareza narrativa. O roteiro de Josh Appelbaum e André Nemec, por sua vez, tenta equilibrar o humor pastelão com cenas de ação mais elaboradas, o que nem sempre funciona com a harmonia desejada. Há momentos brilhantes de comédia física, mas outros em que o tom cômico se torna forçado, prejudicando o desenvolvimento da trama e a construção de alguns personagens.

Atributo Detalhe
Diretor Dave Green
Roteiristas Josh Appelbaum, André Nemec
Produtores Michael Bay, Andrew Form, Brad Fuller, Galen Walker, Scott Mednick
Elenco Principal Pete Ploszek, Alan Ritchson, Jeremy Howard, Noel Fisher, Megan Fox
Gênero Ação, Aventura, Comédia, Família, Ficção científica
Ano de Lançamento 2016
Produtoras 5150 Action, Paramount Pictures, Nickelodeon Movies, Platinum Dunes, Gama Entertainment Partners

As atuações, curiosamente, são um ponto alto. Megan Fox, como April O’Neil, entrega uma performance competente, e a química entre ela e as tartarugas (interpretadas por Pete Ploszek, Alan Ritchson, Jeremy Howard e Noel Fisher) é palpável. A adição de Stephen Amell como Casey Jones, apesar da recepção mista que teve na época, funciona bem dentro do universo do filme. Ele traz a energia necessária para contrabalançar os momentos mais sérios.

Um dos pontos fortes de “Fora das Sombras” reside na relação entre os irmãos tartarugas. O filme explora os conflitos e laços familiares de forma mais aprofundada do que seu antecessor, e esse mergulho na dinâmica do grupo é o que sustenta o longa em momentos de narrativa mais fraca. Porém, a trama corre demais, a ponto de sacrificar o desenvolvimento de alguns personagens secundários, como Bebop e Rocksteady, que, apesar de seus momentos engraçados, nunca chegam a atingir todo o seu potencial.

A mensagem principal do filme, embora não seja explicitamente declarada, parece girar em torno da importância da família e da lealdade. A união entre as tartarugas e a maneira como eles superam suas diferenças para enfrentar um inimigo comum formam o coração da narrativa. No entanto, essa mensagem, por vezes, fica ofuscada pelo frenesi da ação e pelas piadas que, apesar de divertirem, não contribuem para a construção de um significado mais profundo.

Em resumo, As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras é uma experiência divertida, mas irregular. Sua energia contagiante e a dinâmica carismática do elenco compensam, em parte, as falhas de roteiro e direção. Se você for um fã da franquia ou procura um filme de ação leve e despretensioso para assistir em uma tarde descompromissada, ele pode te agradar. Mas não espere uma obra-prima cinematográfica. É um filme que se diverte consigo mesmo, e que, apesar de suas imperfeições, deixa uma lembrança nostálgica, pelo menos para mim. Recomendo a sua visualização em plataformas digitais, mas com a expectativa ajustada. Afinal, nem todas as aventuras precisam ser épicas para serem divertidas.