Asas do Desejo é um filme que me tocou profundamente, uma obra-prima que explora a complexidade do desejo humano e a busca por conexão em um mundo dividido. Dirigido por Wim Wenders, este filme de 1987 é uma jornada poética e visualmente deslumbrante que nos leva às ruas de Berlim, uma cidade que, na época, era um símbolo vivo da divisão e da separação.
A história segue Damiel, um anjo interpretado magistralmente por Bruno Ganz, que observa a cidade e seus habitantes com uma mistura de curiosidade e melancolia. Damiel é um observador silencioso, invisível para a maioria, exceto para as crianças, que ainda possuem a inocência e a capacidade de ver além do mundo material. Sua vida muda drasticamente quando ele se apaixona por Marion, uma bela trapezista francesa interpretada por Solveig Dommartin, e decide que quer se tornar humano para experimentar a vida em toda sua plenitude, com seus prazeres e dores.
A direção de Wim Wenders é notável, criando um ambiente que é ao mesmo tempo etéreo e profundamente humano. A escolha de filmar em preto e branco adiciona uma camada de nostalgia e timelessness à narrativa, enquanto a trilha sonora, que inclui a música de Nick Cave e Laurie Anderson, entre outros, complementa perfeitamente a atmosfera onírica do filme. O roteiro, co-escrito por Wenders, Peter Handke, Richard Reitinger e Bernard Eisenschitz, é uma obra de arte em si, repleto de diálogos profundos e reflexões sobre a natureza da existência, do amor e da arte.
Um dos aspectos mais fascinantes de Asas do Desejo é sua exploração dos temas da imortalidade, da observação e da percepção. Damiel, como anjo, tem a capacidade de ouvir os pensamentos das pessoas, o que lhe dá uma perspectiva única sobre a condição humana. No entanto, é apenas quando ele decide se tornar mortal que ele verdadeiramente começa a entender a profundidade dos sentimentos humanos. Essa jornada de auto-descoberta é tanto uma metáfora para a busca por significado quanto um comentário sobre a importância de viver plenamente no presente.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Wim Wenders |
| Roteiristas | Peter Handke, Richard Reitinger, Wim Wenders, Bernard Eisenschitz |
| Produtores | Wim Wenders, Anatole Dauman |
| Elenco Principal | Bruno Ganz, Solveig Dommartin, Otto Sander, Curt Bois, Peter Falk |
| Gênero | Drama, Fantasia, Romance |
| Ano de Lançamento | 1987 |
| Produtoras | Road Movies, Argos films, WDR, Wim Wenders Stiftung |
O elenco entrega performances memoráveis, com Bruno Ganz brilhando como Damiel. A química entre ele e Solveig Dommartin é palpável, tornando a história de amor central ao filme ainda mais convincente e emocional. A participação de Peter Falk, interpretando um ator de cinema que parece saber mais do que deixa transparecer, adiciona uma camada de humor e auto-referencialidade ao filme, quebrando a quarta parede de maneira encantadora.
Se há um ponto fraco em Asas do Desejo, é a possibilidade de que alguns espectadores possam achar o ritmo um pouco lento ou a narrativa um tanto ambígua. No entanto, para mim, esses aspectos são parte do charme do filme, convidando o espectador a refletir e a se perder na beleza da história e de suas imagens.
Em conclusão, Asas do Desejo é um filme que permanece com você muito depois de os créditos finais rolarem. É uma reflexão profunda sobre o que significa ser humano, sobre o poder do amor e da arte para transformar nossas vidas. Com sua direção magistral, atuações memoráveis e uma narrativa que toca o coração, este filme é uma experiência cinematográfica que não deve ser perdida.
E você, qual é o seu filme favorito que explora a condição humana de uma maneira única e profunda? Deixe sua opinião nos comentários!




