Assassin’s Creed

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Assassin’s Creed: Uma Adaptação que Merece uma Segunda Chance?

Nove anos se passaram desde que a adaptação cinematográfica de Assassin’s Creed chegou aos cinemas em 12 de janeiro de 2017. A franquia de jogos eletrônicos, conhecida por sua narrativa complexa e sequências de ação visceral, prometia um filme épico, e, de certa forma, entregou. Mas, será que essa promessa foi cumprida totalmente? Em retrospectiva, analisando o filme com o distanciamento do tempo, minha resposta é: parcialmente.

O filme acompanha Callum Lynch, interpretado com uma força magnética por Michael Fassbender, que através de uma tecnologia avançada, revive as memórias de seu ancestral, Aguilar de Nerha, na Espanha do século XV. Esta jornada o coloca em meio à luta secular entre os Assassinos e os Templários, uma sociedade secreta que busca o controle sobre uma poderosa tecnologia baseada no “Fruto do Éden”. Sem revelar muito da trama, a experiência de Callum é uma mistura tensa de passado e presente, unida por uma conspiração corporativa de proporções assustadoras.

A direção de Justin Kurzel, conhecida pelo seu estilo visual marcante, funciona muito bem nas sequências de ação, que são verdadeiros espetáculos de parkour e assassinatos. A estética, inspirada nos jogos, é rica em detalhes e consegue capturar a essência das perseguições frenéticas e violentas características da saga. No entanto, o roteiro, assinado por Michael Lesslie, Adam Cooper e Bill Collage, tropeça em alguns pontos, principalmente no desenvolvimento do enredo contemporâneo. A transição entre as linhas temporais, embora criativa na sua concepção, às vezes se torna um tanto confusa e atropelada, prejudicando o ritmo da narrativa.

Atributo Detalhe
Diretor Justin Kurzel
Roteiristas Michael Lesslie, Adam Cooper, Bill Collage
Produtores Michael Fassbender, Jean-Julien Baronnet, Patrick Crowley, Gerard Guillemot, Frank Marshall, Conor McCaughan, Arnon Milchan
Elenco Principal Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons, Brendan Gleeson, Charlotte Rampling
Gênero Ação, Aventura, Ficção científica
Ano de Lançamento 2016
Produtoras New Regency Pictures, The Kennedy/Marshall Company, Ubisoft Film & Television, DMC Film

As atuações, felizmente, salvam o filme. Fassbender entrega uma performance dual impressionante, dando vida tanto ao carismático Aguilar quanto ao torturado Callum. Marion Cotillard e Jeremy Irons oferecem atuações sólidas como a Dra. Sophia Rikkin e Alan Rikkin, respectivamente, enquanto Brendan Gleeson e Charlotte Rampling adicionam peso dramático aos papéis secundários. Sua química na tela contribui para que a parte mais fraca do roteiro não se torne completamente insuportável.

O filme tem seus acertos e seus erros. Entre seus pontos fortes estão as sequências de ação memoráveis, as atuações comprometidas do elenco principal e a estética visual impecável. Já seus pontos fracos recaem sobre um roteiro com alguns desvios de narrativa que prejudicam a construção de alguns personagens e a explicação da trama principal. A trama, embora baseada num universo rico, sofre de uma adaptação apressada e superficial, deixando de explorar a complexidade filosófica e histórica que a saga nos jogos aborda de forma muito mais eficiente.

Assassin’s Creed aborda temas como o livre-arbítrio versus determinismo, a natureza da memória e o peso do legado familiar, além da clássica luta entre o poder e a liberdade. É uma pena que, em sua tentativa de trazer esses temas à tela grande, o filme se perca em um ritmo irregular e em diálogos, por vezes, pouco inspirados.

Em conclusão, Assassin’s Creed de 2016 é um filme que, apesar das suas falhas, consegue entreter. A força do elenco, as sequências de ação e a estética geral compensam parcialmente as lacunas do roteiro. Recomendo sua visualização aos fãs da franquia de jogos ou aqueles que buscam um filme de ação com uma pitada de ficção científica, especialmente se o assistirem com a consciência dos seus defeitos e sem grandes expectativas. Não é uma obra-prima, longe disso, mas oferece um entretenimento razoável, um filme que poderia ter sido muito melhor, mas ainda assim vale a pena revisitar, principalmente considerando o tempo que passou desde sua estreia. Ele não alcançou o potencial que poderia ter atingido, mas também não é um completo fracasso. Em resumo: um filme que me deixou com sentimentos ambivalentes, mas com uma curiosidade maior sobre o potencial que a saga possui no universo cinematográfico.