Godzilla (2014): Um Monstro de Contradições Onze Anos Depois
Onze anos se passaram desde que o rugido de Godzilla ecoou nos cinemas, e a memória desse gigante pré-histórico ainda me assombra – em alguns aspectos, de forma positiva, em outros, de maneira profundamente frustrante. Em 2014, a Legendary Pictures nos entregou uma tentativa de reinicialização da franquia, dirigida por Gareth Edwards, e protagonizada por um elenco de peso que incluía Bryan Cranston, Juliette Binoche e Aaron Taylor-Johnson. A premissa era simples: um monstro colossal ameaça a humanidade, e um grupo de personagens precisa se unir para enfrentá-lo. Mas a execução, essa sim, é uma história mais complexa, cheia de altos e baixos que me acompanham até hoje.
Neste artigo:
A Família Brody e a Sombra de Fukushima
O filme acompanha a jornada de Joe Brody (Cranston), um homem atormentado pela tragédia de um acidente nuclear em que perdeu a esposa. Seu filho, Ford (Taylor-Johnson), um militar americano, é arrastado para a luta contra Godzilla, criando um drama familiar que serve como contraponto ao caos global. A sinopse não entrega muito, mas é o suficiente para colocar em movimento uma trama que, embora se perca em certos pontos, consegue construir um clima de tensão palpável, especialmente nas cenas que retratam a escala devastador do poder de Godzilla. A conexão com a tragédia de Fukushima, embora implícita, é inegável, adicionando uma camada de peso ao filme, que transcende a mera destruição em larga escala.
Direção, Roteiro e Atuações: Uma Mão Esquerda e um Chute no Olho
Gareth Edwards demonstra talento visual inegável. As cenas de ação são impressionantes, a escala de Godzilla é verdadeiramente apavorante, e os efeitos especiais, para a época, foram revolucionários. A fotografia é impecável, transmitindo a opressão e o medo que a presença do monstro impõe. Mas é aqui que reside o maior dilema do filme: A grandiosidade visual é tão dominante que ofusca o roteiro, que se revela raso e com momentos de pura preguiça narrativa. A decisão de focar mais na grandiosidade da ameaça e menos nos personagens é compreensível, mas não a torna inteligente. Os diálogos em certos momentos parecem ter sido escritos por um robô programado para criar frases em inglês genéricas de filmes de desastre, o que não funciona com um elenco tão bom.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Gareth Edwards |
| Roteirista | Max Borenstein |
| Produtores | Brian Rogers, Thomas Tull, Jon Jashni, Mary Parent |
| Elenco Principal | Aaron Taylor-Johnson, Elizabeth Olsen, Juliette Binoche, Bryan Cranston, Ken Watanabe |
| Gênero | Ação, Drama, Ficção científica |
| Ano de Lançamento | 2014 |
| Produtora | Legendary Pictures |
Cranston, como Joe Brody, entrega uma atuação brilhante, recheada de emoção e dor. Já o personagem de Taylor-Johnson, Ford, é um pouco mais genérico, servindo mais como um instrumento para a ação do que como um personagem memorável. Binoche e Watanabe também fazem o seu trabalho, mas ficam subutilizados em um enredo que prioriza o monstro em detrimento do desenvolvimento dos personagens humanos. O roteiro, escrito por Max Borenstein, peca por acreditar que o espectador é um idiota, jogando algumas reviravoltas desnecessárias e explicativas. A falta de uma profundidade narrativa é sua maior falha. O drama familiar, embora bem-intencionado, muitas vezes fica em segundo plano e não se conecta tão fortemente quanto poderia com a luta contra Godzilla.
Pontos Fortes e Fracos: A Beleza e a Besta
O principal trunfo de Godzilla (2014) é, sem sombra de dúvida, a grandiosidade da sua produção. A escala da destruição, a presença imponente do monstro e os efeitos especiais são notáveis, criando uma experiência cinematográfica que poucos filmes conseguem igualar. Por outro lado, o roteiro superficial, a falta de desenvolvimento de personagens além do necessário e o ritmo irregular são suas maiores fraquezas. Alguns momentos arrastam-se sem necessidade, e outros são tão rápidos que perdem o impacto. A crítica de que o filme parece se dirigir a um público com um QI de amendoim é bastante precisa em vários pontos.
Temas e Mensagens: A Natureza Implacável
O filme explora temas de luto, perda e a imprevisibilidade da natureza, utilizando Godzilla como uma metáfora para as forças incontroláveis que podem assolar a humanidade. A ideia de que a natureza tem seus próprios ciclos e que a interferência humana muitas vezes tem consequências desastrosas, é central na trama. Porém, essa mensagem é apresentada de forma superficial, e fica por conta do espectador conectar os pontos.
Conclusão: Vale a Pena Dar Uma Olhada Onze Anos Depois?
Godzilla (2014) é um filme de contrastes. Um espetáculo visual impressionante que se perde em um roteiro mediano, um elenco de primeira que se esforça em meio a um desenvolvimento superficial de seus personagens, e uma mensagem ambiental relevante porém mal explorada. Apesar dos seus defeitos, a experiência de assistir a um Godzilla tão imponente na tela, ainda mantém a magia para os fãs do gênero. Recomendo o filme para quem aprecia filmes de monstros gigantes, mas alerta: é preciso ter paciência com os momentos mais lentos e com o enredo pouco aprofundado. Se você busca uma trama complexa e personagens profundamente desenvolvidos, talvez seja melhor procurar outras opções em plataformas digitais. A experiência, em 2025, ainda é visualmente impactante, mas o roteiro não envelheceu bem.




